ENTREVISTA – CARLOS TERCEIRO, CEO E FUNDADOR DA MOBILLS, STARTUP DE GESTÃO DE FINANÇAS PESSOAIS.

ENTREVISTA - CARLOS TERCEIRO, CEO E FUNDADOR DA MOBILLS, STARTUP DE GESTÃO DE FINANÇAS PESSOAIS.

Por: João Paulo Almeida 

Bahia Econômica – Hoje na internet existe uma grande quantidade de pessoas anunciando verdadeiros milagres que o mercado financeiro realiza. Qual o principal ponto que os novos investidores devem ter em mente para não cair em contos de fadas?

Carlos Terceiro – Contos de fadas não existem, muito menos quando o assunto é mercado financeiro. O mercado é volátil e o cenário econômico é incerto. Sendo assim,  esperar por milagres é uma grande ilusão. Quem investe sabe disso e tem consciência da importância de ter uma carteira diversificada para minimizar os riscos dos investimentos. Além disso, cada um de nós possui o seu perfil de investidor, gostos e preferências que tendem a refletir na escolha dos nossos ativos financeiros. Portanto, tentar trilhar caminhos já percorridos por grandes investidores, pode dar certo ou muito errado. Tudo depende do momento e das jogadas que fazemos, exigindo conhecimento e atitude de cada investidor. A dica que eu dou é aprender a lidar com o seu dinheiro por meio de um bom controle financeiro – quem não sabe lidar com pouco dificilmente saberá lidar com muito, conhecer o seu perfil e os seus gostos, dedicar um tempo diário para adquirir novos conhecimentos sobre o mercado e ativos, escolher uma boa instituição financeira e equilibrar sua carteira de investimentos.

BE – Como o senhor avalia o atual cenário da economia nacional e mundial para os investimentos?

CT – Vivemos em um momento de incerteza econômica em que é muito difícil tentar prever, inclusive, o que irá acontecer em um curto período de tempo. Ao longo desse ano tivemos uma queda acentuada no principal índice da Bolsa de Valores do Brasil, o Ibovespa, que vem “se recuperando”, mas que afetou até mesmo investidores mais experientes. Em meio a tudo isso, em um cenário econômico incerto, o que eu posso dizer é que a formação de uma boa reserva de emergência e a diversificação da carteira de investimento é necessária para equilibrar os riscos da volatilidade do mercado em nossas finanças.

BE – Quais dicas o senhor traria para manter as finanças pessoais em dia essa quarentena?

CT – Em meio a uma pandemia e quarentena que impactou milhões de vidas e negócios no mundo todo, reestruturar o orçamento para este momento de incertezas é uma atitude necessária. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Covid (Pnad Covid) mostrou que 9,7 milhões de trabalhadores ficaram sem renda em maio de 2020. Ficando ainda mais certo o impacto da pandemia nas finanças pessoais. Para adequar as finanças em meio a tudo isso, vou dar quatro dicas fundamentais:

  1. Controle a entrada e saída de dinheiro: Essa é a dica consiste em registrar e acompanhar em um papel, planilha ou gerenciador financeiro quanto você ganha e gasta mensalmente, facilitando assim o processo de análise de gastos e planejamento financeiro.
  2. Crie o hábito de poupar: É muito importante gastar menos do que ganha. Afinal, quem gasta mais do que ganha nada tem para os seus objetivos maiores, nem para a sua independência financeira. Logo, poupe uma parte da sua renda líquida mensal. Mesmo que pareça pouco inicialmente, no longo prazo você terá uma boa quantia de dinheiro.
  3. Gaste dinheiro de forma inteligente: Esse ponto engloba outras dicas fundamentais como fazer listas de compras e pesquisas de preço, pedir descontos, evitar comer muito fora ou mesmo pedir muito delivery, entre outras. Tomando essa atitude você economiza bastante dinheiro.
  4. Monte um planejamento financeiro e pense no longo prazo: Pensar no longo prazo é investir nos seus sonhos maiores, na sua prosperidade financeira a fim de viver uma vida abundante e ter uma aposentadoria tranquila. Para isso, fazer orçamentos mensais e um bom planejamento financeiro com foco no longo prazo é a chave para uma vida mais próspera.

BE – Em relação à taxa selic na casa dos 2% quais efeitos ela traria para renda fixa?

CT – A Selic é taxa básica de juros da economia no Brasil. Em um cenário de baixa taxa de juros como a que encontramos atualmente com a Selic a 2% a.a, depois da sua quinta redução consecutiva somente em 2020, os investimentos em renda fixa perdem a atratividade. Por isso, investidores conservadores e aqueles que possuem como objetivo montar uma reserva de emergência tem em suas carteiras retornos ainda menores. Com a taxa básica de juros tão baixa, quase todos os investimentos em renda fixa não compensam. Em especial aqueles atrelados à Selic e ao CDI. No entanto, não temos grandes opções de investimentos seguros, com alta rentabilidade e ainda alta liquidez. Por isso, para quem investe em renda fixa, priorizar investimentos com rendimento igual ou superior ao CDI e livres de taxas é o mínimo a ser feito nesse momento.

BE – A conhecida como “nova renda fixa” que prioriza investimentos em rendas não vinculadas a selic pode ser um efeito passageiro apenas por causa da selic em baixa, ou pode ser um momento permanente?

CT – Como falei anteriormente, vivemos em um período de incerteza econômica onde é difícil prevermos o que vai acontecer daqui pra frente no mercado financeiro. No entanto, nunca antes tivemos uma taxa de juros tão baixa e, com a possibilidade da Selic se estabilizar nesse patamar por um bom tempo ou mesmo vir a ter algum crescimento no médio prazo, dificilmente retornaremos ao momento em que investimentos atrelados à Selic tinham uma rentabilidade de 14,25% a.a como era em 2015. Dessa forma, a nova renda fixa tende a ganhar a cada dia mais espaço entre os investidores.

BE – Qual critério de diversificação de carteira de investimentos o senhor recomendaria nesse momento de pandemia?

CT – A resposta para essa pergunta depende muito do perfil de cada investidor. Investidores conservadores terão, em suma, investimentos de baixo risco na carteira. Lembrando que todos nós devemos possuir uma reserva de emergência alocada também em investimentos de baixo risco, mas de alta liquidez. Investidores moderados têm uma maior tolerância ao risco e buscam por maiores rentabilidades, logo, podem diversificar a carteira com ativos em renda variável, por exemplo. Investidores agressivos são tolerantes ao risco e possuem grande parte da sua carteira alocada em investimentos em renda variável, ativos mais arriscados mas que possuem maior possibilidade de altos retornos. Em todo caso, esses investidores conhecem os seus perfis e investem com base em seus objetivos, juros e aversão ou tolerância ao risco. Independente do momento, é preciso ter em mente essas dicas para diversificar a carteira.

BE – Qual o principal critério que devemos analisar na hora de se fazer um investimento em fundos imobiliários?

CT – Como todo investimento, os Fundos Imobiliários também possuem riscos inerentes, como os riscos de mercado, de natureza financeira, econômica ou política. Além disso, possuem riscos atrelados à taxa de ocupação dos imóveis, desvalorização ou mudanças legislativas que afetem o setor, entre outros. Antes de escolher um Fundo Imobiliário, é importante conhecer o portfólio mesmo e sua administração – para saber se o fundo está caro ou não e optar, de preferência, por fundos com maior liquidez.

Foto: divulgação