terça, 19 de maio de 2026
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ENTREVISTA COM ANDRÉ GUSTAVO – DIRETOR TÉCNICO DO SEBRAE SOBRE O FIM DA ESCALA 6X1

João - 27/04/2026 05:00 - Atualizado 27/04/2026

Bahia Econômica – A Comissão de Constituição e Justiça aprovou as propostas que acabam com a escala 6X1 no Brasil. Como isso pode impactar o comércio da Bahia?

 

André Gustavo – Em vários aspectos haverá impacto. Entendo a importância da causa e dos pontos que os trabalhadores tem debatido dentro desse projeto, porém não temos ainda um estudo claro sobre todos os impactos econômicos que isso pode trazer para a economia nacional e da Bahia. Por exemplo, Se hoje uma loja em um shopping tem um quadro com um determinado número de funcionários que gera um determinado custo para a empresa e eles, para manter o funcionamento do empreendimento, precisam ampliar esse custo com mão de obra, qual o tipo de compensação deve haver para a empresa não ter prejuízo? Haverá uma redução de impostos para as empresas poderem manter os empregos? Terá uma compensação por meio de incentivos fiscais? Esse ponto, dentre outros, ainda precisam ser melhor debatidos para se chegar a um equilíbrio entre a sustentabilidade das empresas e as demandas dos trabalhadores.

 

Bahia Econômica – Quais os setores que são mais afetados com o fim da escala 6x1na Bahia ?  

 

 André Gustavo – Na Bahia e no Brasil, entendo que praticamente toda cadeia econômica que depende intensivamente de mão de obra, está aguardando o desfecho final desse projeto. Setores como  o comércio varejista, serviços, turismo, agricultura, tecnologia, shoppings etc, todos serão fortemente impactados. Então, esses segmentos que já estão, muitos deles, com suas margens de lucro muito pequenas, terão dificuldade de assumir novos custos. Se houver necessidade de contratação, quem vai assumir esse custo? Como será feita a compensação para manter as empresas saudáveis?

 

Bahia Econômica – Em relação ao crescimento do sistema de contratação via MEI. O fim da escala pode ampliar essa contratação?

 

André Gustavo – O MEI, por lei, só pode ter no máximo 1 empregado, logo será muito afetado se precisar reduzir a escala de trabalho do único empregado que tem. Porém, a grande maioria dos MEIs não tem empregados, são empresas de uma só pessoa. Para esses, não há impacto direto da mudança da escala 6×1, ou seja, quem é MEI e não tem empregado, não entraria nessa conta com trabalhador e trabalhadora. O outro ponto são aqueles MEIs que necessitam de mão de obra para alguma atividade. Nesse caso, entramos na mesma discussão que foi levantada anteriormente. Quem vai assumir esse custo extra?

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