segunda, 27 de abril de 2026
Euro Dólar

ENTREVISTA COM ANDRÉ GUSTAVO – DIRETOR TÉCNICO DO SEBRAE SOBRE O FIM DA ESCALA 6X1

João Paulo - 27/04/2026 05:00

Bahia Econômica – A Comissão de Constituição e Justiça aprovou as propostas que acabam com a escala 6X1 no Brasil. Como isso pode impactar o comércio da Bahia?

André Gustavo – Em vários aspectos. Nós entendemos a importância da causa e pontos que o trabalhador tem debatido dentro desse projeto, porém não temos ainda um estudo claro sobre o impacto econômico que isso pode trazer para o comércio nacional e da Bahia. Se hoje uma loja de shopping, por exemplo, tem um quadro com um determinado número de funcionários gerando um custo para a empresa e eles para manter o funcionamento do projeto precisam ampliar esse custo com mão de obra, que tipo de compensação ele deve ter? Esse ponto ainda precisa ser debatido no cenário do fim da escala. Terá uma compensação em impostos, para poder contratar mais, terá uma compensação por meio de incentivos fiscais? Então o comércio não está contra o fim da escala, ele só quer entender como vai ficar a situação econômica do país com a mudança.

Bahia Econômica – Quais os setores que são mais afetados com o fim da escala 6x1na Bahia ?  

 André Gustavo – Na Bahia e no Brasil. Nós do Sebrae entendemos que praticamente toda cadeia econômica que depende de funcionamento e mão de obra hoje está aguardando o desfecho final desse projeto. Setor de serviços, turismo, agricultura, tecnologia, shopping etc. Então são segmentos que estão muitos deles com estabelecimentos com sua margem de lucro muito pequena. Se houver necessidade de contratação quem vai assumir esse custo? Como haverá uma compensação?

 Bahia Econômica – Em relação ao crescimento do sistema de contratação via MEI. O fim da escala pode ampliar essa contratação?

André Gustavo –Temos dois lados para olhar aqui. O MEI pode não está dentro da escala 6×1 no congresso, ou seja, quem é MEI não entraria nessa conta. Precisamos observar os próximos passos. O outro ponto são aqueles profissionais MEI que necessitam de mão de obra para alguma tarefa. Nesse caso entramos na mesma discussão que foi levantada anteriormente. Quem vai assumir esse custo extra? O projeto foi aprovado na CCJ, deve ser apresentado em breve, quais as compensações será aplicada para o empresário e depois disso é preciso se analisar como o comércio vai se comportar para atender essa nova demanda.

Copyright © 2023 Bahia Economica - Todos os direitos reservados.