ENTREVISTAS

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO – EX-PRESIDENTE DO BRASIL
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO - EX-PRESIDENTE DO BRASIL

BBC News Brasil – No seu último livro, o senhor fala bastante sobre seu exílio durante a ditadura, período em que perdeu seu pai, e foi até aposentado compulsoriamente da USP. Como viu a divulgação do vídeo em defesa do golpe militar pelo Planalto?

Fernando Henrique Cardoso – É uma coisa historicamente inconsequente, né? E era também uma vontade que corresponde a esse tipo de coisa do [Donald] Trump, de idealizar o passado. Dizer “não foi assim, foi diferente”. Quem passou pela época sabe. Começa pela imprensa. Olha, trabalhei num jornal chamado Opinião, da imprensa nanica, como se chamava. Como é que se fazia? Você escrevia um artigo e às vezes vinha o redator-chefe e dizia “olha, essa frase não passa”. Quantas vezes no jornal não saíam poesias, que era a maneira de dizer “fui censurado”? Então você dizer hoje que não houve ditadura, que não houve um movimento de controle da liberdade é completamente desassisado. Por que se diz? Porque a política não é feita por historiadores, é feita por personagens ativos, incentivando o medo.

 

BBC News Brasil – O senhor fica mais preocupado quando isso vem institucionalizado, quando vem do Planalto?

FHC – Sim, claro que preocupa. Mas se você comparar com o que aconteceu em 1964… Em 1964, havia Guerra Fria. Era uma realidade, não era uma invenção. Havia um alinhamento político ora para um lado, ora para o outro. Hoje não tem essa realidade. Mesmo que venha do Planalto, como você vai assentar essas coisas que o Planalto quer colocar como verdade? No passado, tinha [uma forma], porque de fato havia briga, havia União Soviética, hoje não tem. Você vai dizer o quê? O perigo vem da China? A China está preocupada em vender o que produz.

 

BBC News Brasil – Ao falar sobre as novas versões históricas a respeito do golpe de 1964, o senhor disse que elas são prejudiciais para o futuro do país. Muito se discute hoje sobre ameaças à democracia brasileira. Vê esse risco?

FHC – Sobre o Brasil, quando as pessoas dizem o que você acabou de me perguntar, querem dizer o seguinte: há o perigo de um regime sem liberdade. Sempre há, você tem que prestar atenção. Mas não acho que possamos comparar com 64 porque em 64 havia um confronto real entre concepções do mundo ancoradas em Estados, simbolicamente a União Soviética e os Estados Unidos. Você tem diferenças no mundo hoje, mas não tem mais ideologias ancoradas só num Estado. É mais difuso. Por outro lado, no passado, os partidos de esquerda e de direita tinham não só uma ideologia como se organizavam. Eles queriam representar interesses de classe. Não há isso no Brasil de hoje. Estive recentemente na Europa e era uma dificuldade, porque os jornalistas me perguntavam na pressuposição de que isso existia. E não há. Quem votou por A, B ou C no Brasil, não votou numa concepção orgânica, votou numa pessoa que emitiu sinais que captaram o sentimento.

 

BBC News Brasil – O senhor está falando de Bolsonaro?

FHC – É. Ou de outro qualquer. Quem votou no Bolsonaro, por exemplo. Por que ele foi eleito? Ele falou de temas que sensibilizaram: violência e corrupção, basicamente. Temas que pegaram a onda. Mas ele não disse “eu vou fazer um Brasil de tal a qual modo”. Tanto que agora ele não sabe o que vai fazer. Vai mudar o quê?

 

BBC News Brasil – Logo depois que o presidente Bolsonaro foi eleito, o senhor falou que as ações dele iriam desmentir ou confirmar os temores despertados no senhor na época. E hoje?

FHC – Meu temor é o seguinte: não é só sobre o Brasil. Como eu disse, está difícil a noção de representatividade e democracia. Aqui é meu temor hoje é outro, é a falta de qualquer coerência.

 

BBC News Brasil – No governo?

FHC – No governo. Não estou com temor de que acabe a liberdade de imprensa. Não tem força para isso. Claro que vai depender da reação da sociedade, sempre. Não se pode fechar os olhos e dizer “deixa então”. Tem que se opor, porque se não se opuser, as coisas vão se organizando. Vamos falar em coisas concretas. Você tem uma enorme quantidade de militares no governo, em geral da reserva. Mas não tem um Exército, uma força armada no governo. Não houve uma tentativa de uma corporação tomar conta e dar um certo rumo. Não é a mesma coisa. Em 1964, houve uma ocupação com uma ideologia, tinha uma cabeça. O general Golbery [do Couto e Silva, um dos principais articuladores da ditadura militar] não era nenhum desinformado, ele tinha uma linha. Aqui não tem, é uma coisa mais precária. Não acho que estejamos na ameaça concreta de uma força organizada tomar conta do poder. O que não quer dizer que não seja um risco, porque você precisa ter alguém para apontar um caminho. Com muita confusão, as coisas ficam difíceis, porque o mundo está avançando. Qual é a briga dos Estados Unidos com a China hoje? Não é só comunismo e democracia. É quem domina melhor a tecnologia, o que faço com ela.

 

BBC News Brasil – Em seu último livro, o senhor fala que o Brasil sempre teme perder oportunidades. Estamos perdendo?

FHC – Estamos perdendo oportunidades. Num mundo difícil, confuso, você tem que ter algum objetivo e estratégia. Se nos perdermos no que se chama de “curto-prazismo”, não acontece nada. O que vai ser daqui a dez anos? Daqui a 20? O que eu quero fazer? Quero mandar o homem para Lua? Eu quero fazer o quê? […] Alguma coisa mais concreta para que você possa orientar o sentimento e o comportamento das pessoas em uma certa direção.

 

BBC News Brasil – Mas em relação aos temores que o senhor mencionou, esses três meses foram melhores ou piores do que tinha imaginado?

FHC – Acho que piorou no seguinte sentido: não vi nada.

 

BBC News Brasil – É pior do que o senhor esperava?

FHC – É.

 

BBC News Brasil – O que o senhor esperava?

FHC – Um caminho. Vamos pegar uma coisa concreta. O setor econômico do governo parece ter um caminho, posso concordar ou não, mas é um caminho. Só que não vi esse caminho se transformar numa realidade congressual. E vivemos numa democracia, não adianta eu saber. Tem que fazer com que os outros estejam de acordo e votem do meu lado. Não vejo organização no Congresso para isso. Fui ouvir o debate com o ministro da Economia no Senado. Bom, ele dizia coisa com coisa, né? Abstratamente. Agora, quando chegava o negócio da política, ele dizia “mas não é meu terreno”. Como não é seu terreno? Ou tem o terreno da política ou não existe a transformação do governo num objetivo e num processo. Só se transforma num processo quando você atua sobre os outros e tem o consentimento, a adesão dos outros. Nos outros setores, [fora o econômico] você não vê nada. Você uma coisa idílica… Escola Sem Partido. Não tem que ter partido em escola mesmo, não cabe, mas traduzem isso de uma maneira antiquada. Todo mundo tem ideologia mesmo, de um jeito ou de outro. Você influencia o aluno queira ou não queira, mas você não pode organizadamente inculcar uma ideia no aluno. Sou contra isso aí. Mas a ideia do Escola Sem Partido é outro partido. Então, você vai tirar o evolucionismo e botar o criacionismo… Tenha paciência.

 

BBC News Brasil – O senhor citou recentemente a possibilidade de queda de um presidente que não entende como se articula o Congresso. O senhor está falando de Bolsonaro? Vê risco de queda?

FHC – Sempre existe. Sempre fui, pessoalmente, muito renitente à ideia de impeachment. Lembro-me do caso do presidente Lula, por causa do mensalão. Quando o tema veio à baila, eu era contrário. Não porque tivesse dúvida quanto ao mau procedimento e ao combate do mensalão, mas digo “meu Deus, vamos colocar para fora da Presidência um homem que foi líder sindical, ganhou as eleições, que tem enraizamento popular”? Isso deixa uma marca na história. Na minha cabeça, naquela época, eu comparava com Getúlio Vargas. Eu era menino no tempo do Getúlio, quando derrubaram o Getúlio. Vocês não imaginam a tensão que havia na política brasileira, na vida brasileira, entre Getúlio e anti-Getúlio, nas famílias, era uma coisa insuportável. Eu disse “bom, vamos repetir isso aqui?”. Historicamente não é bom. No caso da Dilma Rousseff, nunca fui fanático pelo impeachment, embora houvesse elementos, como havia no caso do Lula. Porque você tem que pensar que é uma coisa complicada. Depois da Constituição de 88, eleitos pelo voto direto foram: o Collor, que sofreu impeachment. Eu, que consegui (concluir dois mandatos). O Lula conseguiu, mas está na cadeia. A Dilma sofreu impeachment. E agora o Bolsonaro. É uma coisa complicada do ponto de vista nacional. Por que alguns conseguiram? Eu fiquei oito anos, na verdade fiquei dez porque no tempo do Itamar eu tinha muito controle. O Lula ficou mais que oito, porque no tempo da Dilma ele tinha controle. Por quê? Porque, de maneiras diferentes, tanto eu como o Lula conhecíamos as forças da sociedade. Se você não entender a diversidade e necessidade de ter apoio, você perde a força. E quando é o impeachment? Quando não tem apoio.

BBC News Brasil – Apoio que se consegue com articulação política.

FHC – É, articulação. É uma questão em todos os governos, não só no Brasil. Mesmo nas ditaduras você tem que ter apoio. Pega a ditadura aqui no Brasil, não tinha apoio? Tinha. Pode não ser o apoio que você deseja, não é voto, mas tem que ter apoio em alguns grupos da sociedade. Aqui temos um regime democrático, que precisa de voto, e os parlamentares nesse regime têm peso. E temos tremenda dificuldade hoje com uma fragmentação partidária sem tamanho; quando você não tem essa fragmentação é mais fácil discutir o apoio. Como você discute apoio? A pior maneira feita aqui foi comprar, com dinheiro, que é insustentável e corrompe tudo, não só as pessoas como as próprias instituições. Mas você tem que negociar; você está de acordo? Quem está do meu lado? Se você estiver de acordo, você vai ser ministro. Mas no Brasil se criou a ideia de que fazer acordo é crime, corrupção. Aí não tem como governar, só com a ditadura. Como é que faz: quem ganhou manda? Sempre disse isso: tem que ser com base em um programa. Quando não tem programa, e esse programa não tem apoio da sociedade, o governo fica muito frágil, e o Congresso derruba.

 

BBC News Brasil – O senhor vê esse risco para Bolsonaro, de não terminar o mandato?

FHC – Espero que não, porque o Brasil precisa de continuidade, precisa que as instituições se reforcem. Então não torço por esse lado, nem estou vendo que isso possa ocorrer já. Não gostaria que isso ocorresse, na verdade, por questões históricas. Mas acho que o governo tem que andar depressa. Costumo fazer uma comparação grosseira, do cavalo e o cavaleiro. O Congresso e o Executivo é a mesma coisa. O Congresso fica te olhando lá: “esse cara não sabe montar a cavalo, e se não sabe, vou dar um pinote”. E de repente dá um pinote e te tira. Então você tem que estar o tempo todo tentando convencer o Congresso e o povo de um certo caminho. Como é que você convence o Congresso? Tendo apoio popular fica mais fácil, porque o Congresso pensa na própria eleição. Segunda parte: você tem que compartilhar o poder e ter objetivos – o que estou propondo, o que vou fazer. Pega uma coisa essencial para o Brasil, a reforma da Previdência. Por que é essencial? Porque daqui a pouco o governo vai ter que emitir moeda, volta a inflação. Já no meu tempo tentamos fazer [a reforma da Previdência], conseguimos um pouquinho. Cada um fez um pouquinho. Pouco a pouco, até no momento atual, a população começa a entender isso. Para fazer uma reforma você tem que gastar muita saliva, e explicar muito para a população o porquê, para ganhar o apoio. Para o Congresso também te apoiar. O caminho mais fácil é você cooptar o Congresso, seja com cargos, seja com dinheiro. Mas não é o melhor. O melhor é você ter capacidade política para ganhar a luta na agenda. O que eu fiz no tempo do Real? Eu falei.

 

BBC News Brasil – O senhor disse em entrevistas que, no processo de aprovação do Plano Real, assumiu o papel de articulador como ministro da Fazenda quando o presidente Itamar Franco preferiu ficar de fora. Esse é um modelo que poderia funcionar para a reforma da Previdência? Guedes poderia ser o “FHC” de Bolsonaro?

FHC – Não do jeito que ele está pensando. Ele tem que ser político. Eu era senador, então eu ia às bancadas todas do Congresso e discutia inclusive com a oposição, não tinha medo de bicho papão, os enfrentava. E eu falava na televisão. Vou dar um exemplo: eu fui convidado uma vez para falar sobre o plano Real no programa Silvio Santos. Cheguei lá no barracão na marginal do rio Tietê, onde era o estúdio. Silvio estava em uma salinha fazendo maquiagem e me chamou lá. Ele me dizia: repete. Eu repetia. Ele falava “ih, vai ser um desastre, não vão entender nada”. Ele acabou a maquiagem e entramos em um salão do auditório. Ele me disse “olha, minha audiência tem uma idade mental de 12 anos. Em média”. Ele foi lá e deu um show. Explicou muito melhor e mais apropriadamente do que eu seria capaz, para o auditório dele, o que era o Plano Real, a URV. Mas fui lá falar com ele. A questão de obter apoio implica em explicar.

 

BBC News Brasil – E no que o senhor vê falhas em Guedes? Ele foi falar no Congresso…

FHC – Sim, foi lá responder, respondeu bem, como um professor. Não falei como professor, falei como político. Se você falar como professor é uma coisa: quem entende é quem está na aula. E quem não está em aula? Não estou dizendo que Guedes não seja capaz, estou falando que, até agora, não vi ninguém que explicasse dessa maneira. Sendo líder, você tem que traduzir de maneira que as pessoas sintam. Está faltando isso. Não é propaganda, é a crença de que o líder vai fazer aquilo. Alguém vai ter que assumir esse papel. Vou dar um exemplo que eu gosto muito, do Lula, no Palácio da Alvorada, falando sobre poluição.  “[Ele disse:] a poluição, vocês sabem, vem lá de cima. A Terra é redonda e ela gira. Se ela fosse plana, a poluição seria um problema deles, porque são eles que poluem. Mas como ela gira, cai na nossa cabeça; então nós temos que proteger o meio ambiente”. Ele explicou. Fundamento científico zero, mas a maneira de dizer “atenção, porque isso pega em você também” é assim.

 

BBC News Brasil – O governo está gastando saliva nos lugares errados?

FHC – Sou prudente nessas coisas. Acho que tem que dar um pouco de tempo ao tempo para ver como o governo vai atuar. O estilo de comunicação que vejo no presidente é a internet. Não é minha área, não sei dizer se está funcionando, se não está funcionando. Mas quando sai da internet e vai falar, é um estilo mais “o homem comum”. Pode pegar? Pode. Mas precisa falar, repetir, de uma maneira mais fácil, mais direta. Na reforma da Previdência, o presidente tem que se meter. Ou algum ministro que seja quase presidente, que a gente saiba que quando ele está falando, está falando pelo governo. Isso não é só aqui, é no mundo todo onde há democracia.

 

BBC News Brasil – Mas o presidente tem declarado que ele já fez sua parte ao entregar a proposta ao Congresso. Disse que, por ele, nem seria favorável à reforma.

FHC – Acho que ele está errado. Isso está errado. É porque ele vem de uma corporação e todas as corporações ficam com preocupação quando muda a Previdência, eu entendo. Sou de uma família que tem muitos militares. Você não imagina a dificuldade que eu tive com a reforma da Previdência, [com] minha irmã, meus irmãos. [Eles diziam:] ‘meu pai contribuía, tenho direito’. E o que eu dizia? Eu lavo as mãos? Alguém vai ter que botar a mão na massa.

 

BBC News Brasil – Como os empresários e o mercado têm percebido o governo nessa situação?

FHC – Não tenho tanta familiaridade, mas o que posso dizer é: o mercado e o Congresso têm uma conversa de surdos. Um não entende o outro e adivinha, aposta. Muitas vezes o mercado aposta que vai haver tal coisa que é inviável, e o Congresso é absolutamente insensível ao nervosismo do mercado. Então é por isso que precisa de alguém que faça pontes, explique.

 

BBC News Brasil – Na semana passada, a revista britânica The Economist chamou Bolsonaro de “aprendiz de presidente”, dizendo que faltava a ele conhecimento sobre o próprio emprego. O senhor concorda?

FHC – Não estou lá próximo para saber como ele tem desempenhado. O que vi foi em Davos, [quando] perdeu uma oportunidade. Agora foi lá para Israel e prometeu que ia abrir uma embaixada, recuou para abrir um escritório, provavelmente desagradou aos dois lados. Nos EUA, ele foi muito pró, foi pró demais. Acredito que tem que se dar tempo ao tempo. A verdade é que ele esteve por muitos anos no Congresso. Eu tive escolinha de presidente: porque eu fui líder [durante o governo] Sarney, depois veio Itamar que era meu colega, vi [a política] mais de perto. Não é necessário isso, o Lula nunca foi tão perto e aprendeu. A Dilma não aprendeu. Para você ver que tem alguma coisa que depende do estilo da pessoa. Mas acho que é cedo para dizermos “é assim”. E temos um ministro do Exterior que quando fala, complica, né… (risos).

 

BBC News Brasil – O senhor já declarou que não está vendo oposição ao governo.

FHC – Só de dentro do próprio governo.

 

BBC News Brasil – Durante a eleição, o senhor disse que não apoiaria nem Bolsonaro nem o PT, por tratarem-se de “dois extremos”, e foi criticado por não ter se posicionado. Só se disse oposição em janeiro.

FHC – Eu nunca apoiei o Bolsonaro, não era isso. Mas estou em uma situação difícil. O PT deu com os burros n’água, levou o Brasil a um desastre enorme. As ideias não mudaram, eu não quero. Por outro lado, eu não acreditava também no voluntarismo do Bolsonaro. Mas nunca apoiei. Não torço contra o Brasil, nunca. Não é que necessariamente vai fazer bobagem, vamos ver. Tomara que não faça. Se fizer, eu estou contra.

 

BBC News Brasil – Mas na sua análise dos primeiros três meses…

FHC – É como eu disse, não vejo caminho.

 

BBC News Brasil – Nesta semana, Paulo Vieira de Souza, acusado pelo MPF de ser operador de políticos do PSDB de São Paulo, assumiu ter quatro contas na Suíça. O senhor acha que o PSDB pode voltar a se diferenciar dos outros partidos em termos de ética?

FHC – Vamos ver, eu leio toda hora “o Paulo Preto é operador do PSDB”. Não é verdade. Quem é o tesoureiro do PSDB? Não sei, não é uma figura importante, nem o Paulo Preto jamais foi ligado a um tesoureiro do PSDB. Pode ter sido usado por pessoas do PSDB, o que é diferente de constituir o elo entre a corrupção e o partido. Agora, houve casos que comprometem o partido, a crítica recai, todo o sistema foi alcançado por essas críticas. Qual vai ser o futuro dos partidos? Ou se renovam efetivamente e têm lideranças que expressam essa renovação ou vão continuar o que são: máquinas de fazer voto.

 

BBC News Brasil – O senhor já disse que não gosta de ver o presidente Lula preso.

FHC – Nem ele, nem nenhum.

 

BBC News Brasil – Agora vai fazer um ano da prisão dele. Como vê esse processo?

FHC – Uma coisa é o sentimento pessoal: não gosto de ver pessoas que eu conheço na cadeia. Mas, no Brasil, as regras existem. Está preso porque foi condenado em segunda instância. Antigamente pela Constituição diziam que você só poderia ser preso quando o processo transitasse em julgado. O Supremo Tribunal voltou [com] uma interpretação que já existia e diz o seguinte: [trânsito] em julgado quer dizer o quê? Quando você vai em segunda instância e é a última na qual se apresentam provas sobre o fato. A partir daí, a interpretação é jurídica. Então pode prender, e depois apela da cadeia em questões jurídicas. O Lula está preso de acordo com essas regras. Não posso ser contra as regras, seria contra a democracia. Ele não está preso arbitrariamente. Houve um arbítrio agora, houve. Quando prenderam o presidente Temer, arbitrariamente, porque não havia, a meu ver, a necessidade de daquele espetáculo.

 

BBC News Brasil – A bandeira Lula Livre, que a esquerda defende, é uma arbitrariedade na opinião do senhor?

FHC – É uma bandeira, né, de luta política. Acho que a partir de certa idade, digamos, de 70, 75 anos, fica preso em casa. Mas aí tem que ser uma regra, não é para A, B ou C, não é porque foi presidente, é porque tem a idade.

BBC News Brasil – Há uma crítica em relação à Lava Jato, da espetacularização das prisões.

FHC – No caso do Lula, ele foi condenado. Vou dar um exemplo de um que é do meu partido. Eduardo Azeredo, foi governador de Minas Gerais. Foi condenado a 21 anos de cadeia. O que o Eduardo Azeredo fez? Houve um alguém, um ex-ministro do Lula (Walfrido Mares Guia) e um presidente de uma importante federação empresarial (Clésio Andrade) fizeram um contrato com o governo dele para usar o dinheiro na campanha dele. Está errado. Preso está ele, não estão os outros. Está injusto. Mas ele está preso porque foi condenado, não posso sair por aí [dizendo] “libere ele”. É um momento triste do Brasil. Necessário, porque a corrupção contaminou tudo, os partidos, as lideranças, a máquina pública, as empresas. Necessário. Tem abuso? Pode ter, mas qualquer [abuso] tem que ser coibido.

 

IRMÃO LAZARO – LÍDER DO PR NA BAHIA
IRMÃO LAZARO - LÍDER DO PR NA BAHIA

Bahia Econômica – O senhor chegou ao PR e é tido como virtual candidato a prefeitura de feira no ano que vem. O senhor vai disputar as eleições em 2020?

Irmão Lázaro – Eu ainda não tenho como responder essa pergunta. Não houve nenhuma negociação com nosso presidente José Carlos Araújo sobre esse assunto. Eu não digo nem que sim nem que não. Mias próximo das eleições vamos sentar para conversar e observar o que vai ser bom para o partido. Hoje minha prioridade é ser candidato em Feira de Santana. É trabalhar na política de Feira, mas não sei como o partido vai atuar nas eleições do ano que vem. Vamos esperar um pouco mais, analisar a movimentação política e chegar naquilo que for bom para todo mundo.

BE – Existe a possibilidade de o senhor ser candidato em Salvador ?

IL – Como eu havia afirmando não sei dizer ainda. Eu preciso analisar o PR na capital e observar aquilo que o partido está avaliando nesse momento para as eleições do ano que vem. O que eu posso assegurar é que até hoje eu não tive nenhum contato com o grupo do prefeito ACM Neto no pós-eleições. E tive duas boas reuniões com o vice-governador João Leão do PP. Estou entendendo perfeitamente aquilo que o partido está pensando para Salvador e o PP tem um nome para disputar as eleições municipais no ano que vem. Não posso garantir nada em relação a eleições. Só afirmar que tive boas reuniões com João Leão e ainda não tive contato com o grupo do prefeito ACM Neto

BE – A deputada Dayane Pimentel ainda não confirmou se pretende colocar o PSL na disputa a prefeitura de feira em 2020, porém ela tem a força do governo federal, como o senhor avalia a força do PSL em feira?

IL – Eu apoio muito o trabalho da deputada Dayane Pimentel em Feira de Santana. Ela teve uma vitória maiúscula nas últimas eleições e agora vem buscando muito pela cidade. Caso eu venha a ser candidato eu gostaria de ter ela como aliança na política. Se ela for candidata também pode ter o eu apoio e caso eu seja candidato possa ter o apoio dela.

BE – Como o senhor avalia a falta de articulação do presidente Jair Bolsonaro com o congresso. Na sua opinião esse processo pode atrapalhar a reforma da previdência?

IL- O presidente Jair Bolsonaro está num momento de adaptação. Ninguém governa um país como o Brasil, dentro de um regime democrático sozinho. É preciso que haja uma boa articulação entre o executivo o legislativo e o judiciário e o presidente está trabalhando nisso. Eu torço muito para ele conseguir essa articulação e se sair vitorioso nessa jornada.

RUI COSTA – GOVERNADOR DA BAHIA
RUI COSTA - GOVERNADOR DA BAHIA

Entrevista do governador Rui Costa ao Jornal Estado de São Paulo. Edição de 01/04/2019

EST :Como o sr. vê este início de governo Bolsonaro?

RUI: Com certa perplexidade. Quando alguém assume um governo e passa a ser responsável por um país, sua função é produzir síntese, construir consenso e aglutinar forças. A declaração universal da boa política, e não da nova ou da velha política, é que, quem ganha, declara que vai governar para todos. E não só declara, passa a tomar decisões como um governante de todos, e não de uma parte. Mas o governo trouxe a beligerância da campanha para o ato de governar.

EST: Falta articulação?

RUI: Acho que o mais grave, e o Congresso está se ressentindo não só da ausência de articulação, é a beligerância no relacionamento. Todo mundo fica perplexo, e a reação é evidente. Quem presenciou no Brasil, nos últimos 50 anos, um governo recém-eleito no terceiro mês estar tão fragilizado desse jeito, quase beirando a unanimidade contra no Congresso?

EST: Este desgaste precoce interessa à oposição?

RUI: Não interessa a ninguém. Não é à toa que os nove governadores do Nordeste pediram uma audiência com o presidente e se colocaram à disposição para que fôssemos facilitadores de reformas e medidas que o Brasil precisa. Afundar o País, aprofundar a perda de credibilidade não ajuda a ninguém.

EST: O sr. é a favor da reforma da Previdência?

RUI: Os nove governadores do Nordeste tiraram um documento no qual falam que é necessária uma reforma que não penalize os pobres, e aponta alguns pontos. Quando se fala de Previdência, é preciso ter uma regra perene. Segundo, a capitalização vai arrebentar tanto a Previdência pública quanto a privada, e só beneficia os bancos. Os outros pontos são a questão rural e a prestação continuada. No documento, nos comprometemos que, se esses quatro pontos fossem retirados, nós aprovaríamos a reforma.

EST: A oposição está conseguindo explorar, no bom sentido, essa desarticulação do governo?

RUI: A oposição, assim como os brasileiros em geral, está mais perplexa do que qualquer outra coisa. Ninguém esperava um desastre tão grande nos três primeiros meses como este. O que se espera de um governo novo é uma agenda. Agora, ao fim do terceiro mês, qual é a agenda do governo na saúde, educação, infraestrutura, ou para reformas estruturantes?

EST: Mas a oposição também não está desarticulada?

RUI: Qualquer governo vem legitimado pelas urnas e, nos primeiros meses, manda a boa política que, quem perdeu a eleição, deixe quem ganhou governar. Mas ele não disse nada. Como posso dizer se sou contra a política de saúde se o governo não apresentou nada? O máximo que se pode dizer é que há um vazio de ideias, como diz o editorial do Estadão.

EST: O que achou da declaração do presidente de que não cabe a ele fazer a articulação para a aprovação da reforma da Previdência?

RUI: Não tem como terceirizar a responsabilidade. Ao se abdicar dessa liderança, você está abdicando do ato de governar.

EST: Ele está fazendo isso?

RUI: Se mantiver essa posição, sim.

EST: O sr. vê um método nas ações do governo?

RUI: Parece mais uma inaptidão do que fazer. Ele se elegeu dizendo que havia uma pregação ideológica no Brasil, e até agora o que fez foi pregação ideológica. Está ocorrendo uma saturação rápida dessa agenda e, se ele insistir, eventualmente chegará ao limite do desgaste e da ingovernabilidade.

EST: O que pode acontecer?

RUI: Fico sempre triste de acontecer aquilo que é contra o ambiente democrático, que é você tirar qualquer possibilidade de governar, sendo que ele foi eleito para isso. Mas em um dado momento as coisas podem se agravar muito e, institucionalmente de novo, chegar-se à conclusão de que o País não consegue ser governado. Estamos caminhando rapidamente para isso. Não estamos num debate de ideias. Estamos debatendo um vazio e um aprofundamento de um desgaste do Brasil no exterior.

EST: O que a oposição tem a fazer?

RUI: Primeiro, exercitar o diálogo entre os partidos. Acho que os partidos, inclusive o meu, precisam voltar a ter capilaridade social. Um dos erros que meu partido cometeu foi deixar haver um afastamento em relação ao povo, apesar de manter nas bandeiras e realizações a representação do povo mais pobre. Os dirigentes passaram a ser assalariados bem remunerados, muito mais do que a média do povo. Se afastaram. A rede de capilaridade deixou de existir e o partido ficou menos permeável a críticas e pressões. Isso contribuiu para o processo de desgaste.

JOÃO LEÃO – VICE GOVERNADOR DA BAHIA
JOÃO LEÃO - VICE  GOVERNADOR DA BAHIA

BE- Vice-governador, existem comentários de que a redução de 40 metros o vão central da ponte Salvador-Itaparica pode prejudicar a economia da Bahia no sentido de prejudicar a livre circulação de navios na Bahia de Todos os Santos. Prejudicando também a questão de reparação de estaleiros. O que o senhor pode comentar a respeito?

JL-No projeto revisado da Ponte, a altura prevista para o tabuleiro é de 85 m, medidos do nível do mar – com maré cheia – ao fundo da bandeja. Isso fará da Ponte Salvador-Ilha de Itaparica uma das pontes sobre o mar mais altas do mundo. Essa altura é suficiente para a passagem de qualquer tipo de navio. Ademais, os grandes navios de cruzeiro e os porta-contêineres maiores NÃO precisarão passar sob a Ponte, pois continuarão utilizando o Porto de Salvador.

O Governo não acredita que a atividade de manutenção de plataformas, atualmente realizada nos estaleiros, justifique um gasto extra da ordem de mais de R$ 1 bilhão para colocar a ponte a 125m de altura. Com a execução do projeto da ponte, está garantido mais desenvolvimento, emprego e renda para a Bahia e para os baianos. A construção de plataformas, por sua vez, são apenas possibilidades e não estão garantidas.  Sendo assim, o Governo optou por uma estratégia que assegure o crescimento econômico das regiões beneficiadas e a geração de postos de trabalho.

Isso não significa dizer que o Governo não apoie o desenvolvimento da indústria naval na Bahia. Ele apenas está fazendo uma análise de custo-benefício. A Ponte terá um impacto muito maior na economia baiana do que a manutenção de plataformas. E, além disso, o Estaleiro terá mais de cinco anos para redesenhar sua estratégia, preparando-se para competir em outras atividades e em várias outras áreas da construção naval, como, aliás, já está fazendo ao obter licença para operar como terminal de combustíveis e ao participar de licitação da Marinha do Brasil destinada à produção de navios de guerra (corvetas).

BE- Sobre a reunião da última quinta feira qual a sua expectativa?

JL – Na audiência pública, explicamos todos os detalhes do projeto da ponte para a sociedade e ouvimos as contribuições. Tiramos dúvidas e, tenho certeza, que o projeto sai ainda mais fortalecido após este momento de escuta da população, dando este teor participativo à proposta.

BE – O Banco de Desenvolvimento Econômico da China anunciou interesse em financiar o projeto da ponte, como o senhor avalia esse interesse?

JL – A qualidade e segurança na estrutura do projeto, que tem sido formato com muita precisão pelo Governo do Estado, tem despertado o interesse dos investidores internacionais, como é o caso recente agora do banco chinês. Além disso, a ponte será uma grande locomotiva, um novo vetor para desenvolver outras partes da Bahia, com benefícios para 10 milhões de habitantes e mais de 250 municípios. Essa grande intervenção viária vai proporcionar ainda o crescimento socioeconômico da própria Ilha de Itaparica, mas também do sul do Recôncavo e do Baixo Sul. Tudo isto, em virtude do encurtamento da distância para a capital e dos investimentos que serão atraídos para os municípios dessas regiões.

BE- Hoje qual seria o melhor lugar para a ponte começar e terminar?

JL – A ponte Salvador-Ilha de Itaparica, que será a segunda maior da América Latina, terá 12,3 quilômetros de extensão e ocupará a 23ª posição no ranking mundial de pontes.

Na sua primeira etapa e do ponto de vista viário, o projeto está dividido em seis segmentos:

  1. a) os acessos em Salvador (viadutos e túneis);
  2. b) a Ponte propriamente dita, que liga o bairro do Comércio, na Cidade Baixa, à praia de Gameleira, na Ilha de Itaparica;
  3. c) a implantação de uma nova rodovia expressa na Ilha, para o desvio do tráfego de passagem;
  4. d) a duplicação da BA 001 entre a nova rodovia e a Ponte do Funil.

Na sua segunda etapa, o projeto abrange as seguintes obras:

  1. a) a duplicação ou substituição da Ponte do Funil;
  2. b) duplicação das BAs 001 e 046 neste entre a Ponte do Funil e Santo Antônio de Jesus;
  3. c) requalificação da BA 001 entre Nazaré e Valença, e implantação da ligação entre Santo Antônio de Jesus e o entroncamento entre a BR-242 e a BR-116

Para os trechos entre Salvador e a Ponte do Funil, que constituem o principal objeto da primeira fase do Projeto, já estão disponíveis o projeto básico de engenharia e a licença prévia ambiental. Para a segunda etapa, os investimentos devem ficar em torno de R$ 700 milhões, incluindo o mais que necessário contorno da cidade de Nazaré. Os projetos e os licenciamentos serão produzidos a partir do início dos trabalhos da primeira etapa. Trata-se de projetos e estudos simplificados, uma vez que as intervenções se darão na faixa de domínio de rodovias já existentes: BA 001 (Funil-Nazaré) e BA 046 (Nazaré-Santo Antônio de Jesus).

Esta etapa compreende ainda o trecho da atual BA 001 entre as cidades de Nazaré e Valença. Trata-se de uma obra de duplicação que também ficará a cargo da concessionária, que deverá se comprometer a realizá-la no momento em que o segmento atingir um volume de tráfego preestabelecido. Até lá, a concessionária será responsável pela conservação da estrada e por sua requalificação, incluindo intervenções pontuais de melhoramento da geometria e inserção de terceira faixa onde necessário. Os trechos a implantar entre as cidades de Santo Antônio de Jesus e Castro Alves, e entre esta e o entroncamento da BR 242 com a BR 116, por sua vez, devem ficar a cargo do governo federal, com a União assumindo a construção como obra pública.

BE – Depois da consulta pública qual o próximo passo?

JL- O processo licitatório. Uma vez completado esse processo e contratado o consórcio de empresas vencedor, este deverá iniciar os trabalhos de preparação dos projetos executivos, obtenção da licença de instalação, licenciamento e implantação dos canteiros e desapropriação das áreas necessárias ao Projeto. Espera-se que o contrato seja assinado ainda este ano e que estas atividades preliminares durem de 6 a 12 meses. Assim, as obras devem começar entre meados de 2020 e o início de 2021.

CLAUDIO CUNHA – PRESIDENTE DA ADEMI/BA
CLAUDIO CUNHA - PRESIDENTE DA ADEMI/BA

BE- Qual a expectativa de movimentação financeira do salão imobiliário esse ano?

CC- Estamos otimistas e felizes com a realização da 11ª edição do Salão Imobiliário, que em  2018 tem como tema ‘Casa Ademi’. Com três mil unidades disponíveis para venda, o objetivo da Ademi-BA é alcançar a meta de crescimento de 7% até o final do ano e contribuir para fecharmos 2018 com um balanço positivo.

BE-  Quais os principais atrativos que o salão está oferecendo esse ano para os consumidores?

CC- Neste ano, trouxemos o conceito da Casa Ademi. Um espaço mais aconchegante , compacto e prático para os visitantes, que podem ter acesso a todas as oportunidades em um mesmo lugar. As 11 incorporadoras participantes trouxeram oportunidades exclusivas para o consumidor. Além disso, tivemos a recente decisão do governo de antecipar o aumento do teto de R$800 mil para R$ 1,5 milhão de financiamento dos imóveis com recursos do FGTS, por meio do sistema financeiro de habitação. Estamos vivendo um momento propício, em que encontramos os juros mais baixos, a inflação está sob controle, além da redução da taxa Selic.

BE- Qual o segmento de imóveis que mais atraem os consumidores na Bahia?

CC- De acordo com a Pesquisa Imobiliária ADEMI-BA divulgada em outubro, imóveis de dois quartos lideram o índice de unidades vendidas como também de unidades lançadas e disponíveis no estado. O montante das vendas dos últimos dez anos representa 69%, seguido por três quartos: 20%. Em Salvador, os bairros Imbuí, Piatã, Patamares, Pituba, Jardim Armação e Caminho das Árvores são os que mais venderam imóveis residenciais.

BE- Qual a expectativa para o segmento da construção civil para o ano de 2019 com a gestão de Jair Bolsonaro e Paulo Guedes como ministro da fazenda?

CC- O resultado das eleições e a possibilidade da estabilidade política com a legitimidade do processo eleitoral, são fatores que apontam para um cenário otimista. De perfil liberal e defensor da menor participação possível do Estado nas dinâmicas econômicas, o ministro anunciado pretende levantar pautas como reforma do modelo previdenciário, redução de impostos e simplificação da estrutura fiscal. Paralelamente, o novo governo terá o desafio de garantir a retomada da economia brasileira depois de quatro anos de recessão e de baixo crescimento no país.

 

ESPECIAL DIA DA MULHER: A ASCENSÃO DAS MULHERES EM CARGOS DE LIDERANÇA
ESPECIAL DIA DA MULHER: A ASCENSÃO DAS MULHERES EM CARGOS DE LIDERANÇA

A importância da mulher no mercado de trabalho é um tema que tem conquistado espaço nos últimos anos. No entanto, o assunto continua extremamente atual com a proximidade da data que mais ilustra a força feminina no mundo – o Dia Internacional da Mulher, celebrado hoje, dia 8 de março. “O dia da mulher vai muito além da data, é uma jornada para conquistar seus objetivos pessoais e coletivos e o merecido espaço de relevância no mercado de trabalho. Temos a honra de ser um exemplo em ações que reconheçam a força e a presença da mulher”, afirma Marcelo Nóbrega, Diretor de Recursos Humanos do McDonald’s.

Na empresa, essa jornada feminina para alcançar posições de destaque se mostra cada vez mais efetiva e cerca 60% dos cargos de liderança nos restaurantes são ocupados por elas. Dentro da rede McDonald’s o plano de carreira é apresentado desde o início – que, para muitos, significa o primeiro emprego. Prova disso é o número elevado de Gerentes que começaram na função de Atendentes de Restaurante e foram se desenvolvendo ao longo do tempo, crescendo diversas posições, o que significa que todos têm a mesma importância e chances de crescimento.

Exemplo dessa realidade, Lívia Fernandes, Diretora de Operações do McDonald’s Brasil, é responsável por 450 restaurantes e 15.000 colaboradores. Lívia começou na companhia com apenas 15 anos, como Atendente. Atualmente, há 27 anos na empresa, ela acumula passagem por diversas funções, uma graduação em Marketing e muita história para contar – principalmente dos tempos em que trabalhava todos os dias no restaurante. Desde o segundo semestre de 2018 ocupa o cargo de Diretora, posição que conquistou por meio de muita dedicação e estudo.

Confira abaixo os principais conselhos de Lívia para o sucesso na carreira:

Hoje nós temos algumas mulheres que são referência no mundo dos negócios. O que você pensa sobre isso? Você já passou por um grande desafio por ser mulher?

Eu fui promovida à Gerente de Operações sete meses depois que minha segunda filha nasceu e um mês depois que voltei de licença. Era a oportunidade que eu mais queria na vida e precisei me organizar para dar conta destes dois momentos tão importantes ao mesmo tempo. E eu consegui. Ser mulher é poder tudo: trabalhar, ser mãe, viajar, liderar uma equipe. Somos extremamente competentes, fazemos bem feito e conseguimos resultados duradouros quando nos dedicamos. Hoje, das 15 mil pessoas que estão abaixo do meu “guarda-chuva”, na gerência das unidades, 60% são mulheres. E são mulheres guerreiras, que estão à frente de negócios grandiosos. O restaurante da rede que mais vende no Brasil, por exemplo, é comandado por uma mulher.

O que te inspirou a se tornar quem você é hoje na empresa?

As pessoas sempre me inspiraram. Aqui nós lidamos com pessoas de diferentes perfis e realidades: que moraram na rua, que não têm uma geladeira em casa, que fazem sua principal refeição no McDonald’s. É tão bom poder ajudar a desenvolve-las, vê-las crescendo, mudando de vida. E tudo o que me inspira aqui eu levo para a casa, como a disciplina e esse espírito de equipe que faz qualquer resultado acontecer.

Alguma dica para outras mulheres que estão começando ou mesmo no meio do caminho?

Nunca desista de seus sonhos e sempre seja você mesma, em total transparência com a sua essência. Não existe idade para começar, por isso sempre aprenda coisas novas e se voluntarie nos projetos mais difíceis, porque o processo de desenvolvimento é uma espiral que não tem fim. A competência é algo valioso e pessoal, então é muito importante sempre se dedicar ao máximo para entregar o melhor que pode. E nunca esqueça de conciliar a vida profissional com a vida pessoal, porque se cuidar, fazer academia, meditar, ler e estar com a família nos faz mais felizes e bem-humorados.

Como equilibrar as rotinas em casa e no trabalho?

Tenho usado muito a tecnologia ao meu favor. O objetivo é estar sempre perto: do time, dos clientes e da família. Sou mãe, sou esposa e sou mulher. Faço questão de participar do dia a dia dos meus filhos, Luan, de 16 anos, e da Mel, de 10 anos, e nem por isso deixo nada a desejar no meu trabalho. Mas isso requer um planejamento rígido de horários, agendas pré-estabelecidas e, inclusive, o dom de saber falar “não” quando necessário.

ISAAC EDINGTON – SALTUR – EMPRESA DE TURISMO S/A
ISAAC EDINGTON - SALTUR - EMPRESA DE TURISMO S/A

BE – Nos últimos anos os blocos de rua no carnaval de Salvador tem perdido espaço para os grandes camarotes instalados no circuito e fora dele. Em 2019 existe alguma novidade de atração para o folião voltar às ruas durante o carnaval?

IE- Nesse aspecto é preciso analisar alguns pontos importantes. Temos um produto grande que é o carnaval e ele passa por momentos e movimentos de sazonalidade. Nós últimos anos os blocos de carnaval tem perdido especo para os camarotes, mas em 2019 as coisas já vão ser diferentes. Esse é um movimento sazonal onde uma hora o folião opta pelo camarote, outra ele opta pelo circuito. A prefeitura tem tido muitas reuniões com os organizadores do carnaval e o que eu tenho ouvido é que em 2019 já não vai existir uma diferença tão grande entre camarotes e blocos. Essa é uma movimentação complexa que cabe aos organizadores trabalharem. Os blocos viram a necessidade de ficarem mais atrativos em termos de preços e condições para o folião. Nós acreditamos que o produto carnaval não perde com essa questão. É só um movimento momentâneo do folião.

BE-  A ordem dos desfiles dos blocos de carnaval também gera muito debate interno entre os artistas e na imprensa. Qual o critério a saltur utiliza para liberação dos blocos no carnaval?

IE- Essa questão é delimitada por um acordo que existe entre a prefeitura, os blocos de carnaval e as instituições de que organizam o carnaval formada pelos empresários. O Ministério Público também atua. O Critério principal é a antiguidade. Essa não é uma questão problemática no carnaval. Tudo é resolvido em reuniões onde se segue o que está no acordo. A prefeitura também auxilia colocando atrações naqueles dias onde o circuito não apresenta uma grande quantidade de trios. Assim, o folião que vem para cá não fica nenhum dia sem uma grande atração. Os próprios blocos de carnaval também se organiza para que não haja conflitos ou concentrações de foliões em dispersão em outras áreas. É uma questão tranquila.

BE- Qual a expectativa de movimentação financeira no carnaval de salvador?

IE- O carnaval em si faz parte de um grande contexto do verão na capital. Ele é um dos produtos que ajuda a movimentação financeira na estação do ano. Ano passado nós conseguimos movimentar em média R$ 1,87 Bilhões. Esse ano a expectativa é superar os 2 Bilhões de reais em movimentação financeira no verão. São mais de 50 pontos da economia que se beneficiam com a estação do ano. Bares, restaurantes, hotelaria, serviços tudo acaba ampliando sua movimentação durante a estação e isso é importante para economia da capital

BE – O trade turístico tem reclamado muito que o preço das diárias de Salvador para hospedagem não sofrem reajuste a cinco anos. Nesse período de carnaval os hotéis, principalmente no circuito lotam e muitas vezes não cobrem as despesas.  Como o senhor analisa essa situação?

IE-  A prefeitura tem feito um trabalho extenso de divulgação da cidade e o turista tem vindo para capital. A questão da diária é uma coisa de mercado. Quando se aumenta o valor acaba que o turista acaba não ficando, então é uma questão de mercado que os hotéis precisam sentar para resolver. A prefeitura tem feito seu papel indo a reuniões e apresentando salvador pelo Brasil todo inclusive fora do país, então o turista vem procurando aquilo que for melhor para ele e a diária é um dos pontos que eles levam em conta na hora de se hospedar.

BE – Existem rumores da criação de um novo circuito na região onde acontece o réveillon de salvador. Existe a possibilidade desse novo circuito para o carnaval?

IE – existe uma proposta da iniciativa privada de se fazer um carnaval ali na área do antigo aeroclube no mês de outubro na semana do feriadão do dia 12. O objetivo é atrair o turista para capital naqueles cinco seis dias que tem dois feriados juntos com uma grande festa ali. Essa proposta é exclusivamente da iniciativa privada, porém a prefeitura sabendo da iniciativa já abraçou a causa e se disponibilizou a ajudar em todos os aspectos.  Inclusive com a montagem da infraestrutura completa no local. Mas como eu disse precisa a iniciativa privada tirar a ideia do papel para que as coisas aconteçam. Em relação ao carnaval não existe nenhuma movimentação para criação de um novo circuito ali no aeroclube. O carnaval vai continuar no centro e na barra.

ROBERTO DURAN – PRESIDENTE DA SALVADOR DESTINATION
ROBERTO DURAN - PRESIDENTE DA SALVADOR DESTINATION

BE- O Centro de convenções da Bahia teve sua ordem de serviço assinada na ultima semana. O projeto deve ficar pronto em 2019. Qual a expectativa do setor turístico para o novo equipamento? 

RD – Ele será um divisor de aguas para o setor do turismo, tendo um impacto maior,  claro, no turismo de negocio, o qual vinha há  5 anos sem infra estrutura para alavancar o segmento, visto que um Centro de Convenções de grande porte é o principal indutor do destino neste seguimento, inclusive para os demais pequenos centros instalados nos hotéis.

BE – O governo do estado continua tramitando internamente o processo de licitação para o Centro de Convenções da paralela, que terá um grande complexo com hospitais e áreas de lazer. A previsão é de uma licitação até dezembro. O senhor acredita que esse projeto possa sair do papel?

RD – Gostaríamos muito de acreditar, porém já passamos da fase de promessas, embora continuamos na esperança de um dia termos um outro grande Centro de Convenções, visto que nossa Cidade tem potencial para termos mais de dois equipamentos e de porte muito maior.

BE- A Área do antigo Centro de Convenções ainda continua sendo alvo de um processo na justiça. O Trade já chegou a dizer que o melhor lugar para o Centro seria onde ele estava. A escolha da prefeitura para região do aeroclube agrada o trade?

RD – Sem sombra de duvida aquela região, além de ser geograficamente equidistante de todo parque hoteleiro de Salvador, ao longo dos 37 anos de funcionamento do antigo centro de convenções se estruturou com um conjunto de serviço para esta atividade, tornando esta localização a mais apropriada para a construção do novo Centro de Convenções.

BE- O Trade já começou as negociações para atração de eventos para o novo equipamento? Como está esse processo? 

RD – Sim, claro, desde o ano passado a Salvador Destination vem encabeçando este processo, buscando atrair congressos, feiras e convenções de medio e grande porte. Iniciamos o processo de captação com entidades e formadores de opinião regionais, avançamos este ano para os nacionais e já estamos implementando as ações para as grandes entidades internacionais e mundiais. Temos  apalavrado 12 congressos nacionais e internacionais para o novo equipamento, com possibilidade de outros 18 serem concretizados a partir de 2020.

BE- A Bahia tem um potencial grande de atração de negócios turísticos. Uma das regiões que mais tem a capacidade é a região sul e toda sua história e ligação com o cacau e o chocolate. Recentemente a região recebeu um mega evento do chocolate. Quais ações deveriam ser tomadas para o turismo de negócio se dissipar por toda Bahia?

RD – O primeiro passo a ser dado é o governo ter vontade politica em desenvolver esta atividade econômica. Se este passo for ultrapassado e o governador realmente demonstrar tal interesse é só trabalhar, visto que  qualificação e beleza naturais ja temos, faltando apenas a infra estrutura crucial para implementação desta atividade em condições de concorrer como o resto do mundo.

RODOLFO ALVES – HEAD OF CONSULTANCY DA COREBIZ
RODOLFO ALVES - HEAD OF CONSULTANCY DA COREBIZ

BE- O comércio Eletrônico deve se aproximar dos R$ 80 bilhões em volume de vendas em 2019. A que se deve essa expansão?

RA- Apesar de vivermos em um período de economia não favorável, o E-commerce realmente tem crescido de forma significativa quando comparado com o setor off-line. Acredito que existem dois fatores que contribuem muito para esse crescimento. O primeiro está ligado ao empreendedorismo, pois as pessoas encontraram na crise a oportunidade de trabalhar um nicho no Comércio Eletrônico, isso já contribui para esse aumento. Segundo é a mudança na cultura das empresas de entender que o consumidor está mudando, ou seja, precisamos atender o cliente onde quer que ele esteja, adaptar a ele e não forçar o cliente a se adaptar a nossa realidade. Isso tem feito com que as empresas sejam mais flexíveis e ajude seu cliente a encontrar seu produto onde quer que ele esteja, tornando a experiência única.

BE-  O comércio de lojas ou aquele feito pessoalmente são pautados durante o ano por vários eventos e feiras que estimulam o setor. Porém, o comércio eletrônico só tem a Black Friday no final do ano. Se houvessem mais momentos de compra online o segmento poderia crescer mais?

RA- Na verdade, o Black Friday tem se tornado a data mais importante do Comércio Eletrônico desde o início, tanto por conta dos lojistas que entendem a importância dessa data, quanto pelo usuário que já entende que nesse dia em especial ele poderá encontrar promoções fora da curva. No entanto, o comércio eletrônico possuí várias oportunidades durante o ano que são pouco ou mal exploradas pelos lojistas. E possível trabalhar em várias sazonalidades ou até mesmo adaptar suas promoções de acordo com a busca dos usuários. Com o comportamento dos mesmo, se as empresas souberem aproveitar essas oportunidades, não há a necessidade de haver mais datas como essa e também não banaliza a Black Friday.

BE- O Brasil é um país com cargas tributárias exorbitantes. O comércio eletrônico não foge desse aspecto negativo do país. O governo ainda analisa a reforma tributária. Na sua opinião qual a importância dessa reforma para o comércio eletrônico?

RA- O principal desafio dos heads de um e-commerce hoje é fazer a conta fechar, ou seja, trabalhar para que a operação não dê prejuízo. Com isso, trabalhamos otimizando custo da operação em todas as frentes e, em muitas vezes, essa conta não bate, o que acaba fechando algumas operações que não têm tanto poder de barganha sobre o seu negócio. A reforma tributária contribuiria muito para que essas operações não baixassem as portas e ajudaria o restante do mercado a trabalhar com ofertas mais significativas para os clientes e melhorar a qualidade de todos os serviços prestados.

BE- Quais os pontos que o governo deve abraçar nessa reforma para ajudar o segmento?

RA- Na prática somos tão prejudicados quando o mercado físico. Se melhorarmos a reforma de acordo com o proposto, todos seremos beneficiados.

BE-  Qual a expectativa de geração de empregos através do comércio eletrônico em 2019?

RA- Mesmo perante a crise, continuamos crescendo e esse ano não será diferente, pelo contrário, esperamos crescer pelo menos 15% em relação ao último ano. Com isso, requer a necessidade de mais pessoas qualificadas para fazer isso acontecer. Consequentemente, o número de empregos aumentará muito.

PROFESSOR RICARDO BALISTIERO FALA SOBRE A REFORMA DA PREVIDÊNCIA
PROFESSOR RICARDO BALISTIERO FALA SOBRE A REFORMA DA PREVIDÊNCIA

BE- A previdência no Brasil ocupa um dos maiores gastos do poder público atual. Especialistas apontam que caso a reforma não seja feita o Brasil pode quebrar economicamente. Como o senhor avalia a necessidade da reforma da previdência?

RB- Há necessidade se impõem primeiramente em função do Brasil ser um dos últimos países do mundo no qual as pessoas se aposentam por tempo de contribuição e não por idade. Com o avanço da medicina e a elevação da expectativa de vida, as pessoas muitas vezes passam mais tempo inativas do que ativas, o que torna o sistema insustentável financeiramente. Além disso, os regimes próprios (que possibilitam, por exemplo, alguém se aposentar cedo e com salário integral) tornam o sistema ainda mais deficitário e profundamente injusto.

BE – Quais os pontos mais importantes que devem ser abordados pelo governo na reforma da previdência?

RB – Regra Básica: o regime previdenciário deve ser igual para todos os brasileiros, sem exceções de qualquer natureza. Esse seria um bom começo. Qualquer exceção feita colocará a reforma em risco.

BE- A proposta da reforma da previdência que inclui os planos militares, dos servidores públicos, e do trabalhador comum é viável como uma alternativa para a previdência?

RB- Não só é viável, como imprescindível. Sem essa premissa, a reforma não terá o efeito de corrigir distorções e gerará ônus aos mais pobres, aprofundando as desigualdades.

BE- A capitalização da previdência seria uma alternativa viável a curto e médio prazo no Brasil hoje?

RB- Não. É impossível a adoção de um regime de capitalização sem antes combater os privilégios. Além disso, em um regime de capitalização, as contas serão individuais, ou seja, eu pago para obter o meu benefício no futuro. A questão central é: quem pagará a conta daqueles que não aderirem ao regime de capitalização? Portanto, essa pode ser uma boa ideia, mas a implantação somente deverá ocorrer anos após que a reforma da previdência estiver concluída.

BE – A participação dos estados, com aumento da contribuição dos servidores públicos, é uma alternativa debatida em alguns núcleos políticos no país. Aumentar a alicota de contribuição de servidores e dos militares é uma alternativa para previdência hoje ?

RB- Seria um paliativo de curto prazo, mas a adoção de um regime geral para todos os brasileiros é a solução definitiva.

BE- Qual a sua expectativa para previdência em 2019 caso a reforma não seja aprovada?

RB- A expectativa é de aprovação de alguma reforma, mas ainda há várias dúvidas, uma vez que o candidato Bolsonaro não apresentou seu plano para a reforma da previdência e o presidente Bolsonaro, até o momento, idem. Os sinais emitidos pelo governo ainda são muito confusos e não é possível projetar qual a reforma que será enviada para o Congresso e qual proposta final será aprovada (se é que será aprovada).