ARMANDO AVENA: AS FAZENDAS DE VENTO
ARMANDO AVENA: AS FAZENDAS DE VENTO

As terras do semiárido baiano, castigadas por todo o sempre pela seca inclemente, tem uma nova vocação e estão colhendo um produto que não precisa de água para se desenvolver. Esse produto é a energia, plantada e colhida em imensas torres que mais parecem moinhos de vento, espalhados por municípios de nomes singelos como Gentio do Ouro, Caetité, Morro do Chapéu, Sento Sé, Campo Formoso e tantos outros. Nesses municípios, o que se destaca na paisagem são enormes “fazendas de vento” que vão transformar a Bahia no maior produtor de energia eólica do país. E a energia gerada pelos ventos é a bola da vez da matriz energética brasileira. A geração de energia eólica no Brasil superou a capacidade instalada da hidrelétrica de Itaipu, atingindo 15 GW, o que significa cerca de 10% da geração total de energia, superado apenas pela hidroeletricidade. O melhor é que 26% da energia eólica produzida no país está na Bahia. Em termos de geração, o Rio Grande do Norte é o maior produtor brasileiro, mas, ainda este ano, a Bahia, que já possui um número maior de parques eólicos, vai superar o estado potiguar.  Estima-se que  nosso estado terá 229 parques em 2023,  com capacidade total para gerar quase 6,5 mil MW de energia, quase o dobro da capacidade atual. Transformando isso em moeda, atinge-se um montante de R$ 7,5 bilhões em investimentos e quase 30 mil empregos gerados. O mais importante, porém, é que a produção de energia está dinamizando algumas das regiões mais pobres da Bahia, não só por conta da injeção de recursos empresariais e dos impostos gerados, mas principalmente porque viabiliza a geração de renda para os agricultores, faça chuva ou faça sol. Certa vez, quando os primeiros projetos estavam sendo implantados na Chapada Diamantina, ouvi do senador Otto Alencar que a Bahia tinha “ pré-sal de vento”, pois seu potencial eólico era duas vezes maior  que o da usina de Itaipu. Homem que conhece o interior do estado, Otto se entusiasmava ao dizer que estavam surgindo verdadeiros “fazendeiros do ar”, pois cada torre implantada gerava uma renda fixa mensal ao dono da terra. O senador tinha razão, afinal, cada aerogerador instalado nas terras dos agricultores, dependendo da sua capacidade de produção, pode gerar R$ 500,00 e até R$ 1.000 por mês  sem que o proprietário  tenha qualquer trabalho, correspondendo a um  valor dado pelo percentual da receita de cada torre, tudo firmado em contratos de 20 anos ou mais, renováveis. A depender  da quantidade de torres que se implante na propriedade, o negócio pode ser melhor do que criar gado. Com os novos empreendimentos, as prefeituras passaram a cobrar o ISS – Imposto Sobre Serviços e estão auferindo recursos que podem ser aplicados em educação e saúde. E setores como comércio e serviços também se beneficiam e de tal modo que o PIB dos municípios que possuem parques eólicos estão em crescimento exponencial.  Além disso, a produção de energia eólica é uma cadeia produtiva que dinamiza a indústria de peças e equipamentos, dinamiza o segmento que implanta e produz equipamentos para linhas de transmissão e ainda produz novas relações interindustriais com empresas que passam a ter  disponibilidade de energia limpa e sustentável. Existem alguns entraves localizados mas que estão sendo sanados como a construção de linhas de transmissão que precisam andar paripassu com a implantação dos parques, e a sazonalidade para as indústrias produtoras de peças que ocorrem no interregno  dos leilões que ampliam a capacidade do setor.  Além dos ventos, o sol também está revolucionando o interior da Bahia, com o surgimento dos parques produtores de energia solar, mas essa é outra revolução e merece uma abordagem especifica. Por enquanto,  vale dizer ao leitor que os parques eólicos são uma vocação da Bahia e através deles os baianos já podem dizer, como disse James Watt, ao inventar ao inventar a máquina a vapor:  Nós vendemos aqui, o que todo mundo deseja ter: energia.

                                      A ASEMBLEIA E AS PASSAGENS ÁEREAS

A classe política precisa entrar mais diretamente na defesa dos consumidores brasileiros. E o presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Nelson Leal, fez isso ao propor uma ampla discussão sobre os preços das passagens aéreas no Brasil.  Leal lembrou que as empresas áreas diziam que a cobrança em separado de bagagem iria reduzir o preço das passagem, mas elas continuaram a subir bem acima da inflação. E o consumidor continua sendo extorquido, com a recente decisão das companhias aéreas de “fiscalizar” o peso e o tamanho das bagagens de mão e o pagamento extra na hora dos embarques. O presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Nelson Leal, acerta em cheio ao dizer que é o momento das assembleias legislativas e do Congresso Nacional examinarem o problema para assim agir em prol dos consumidores.

                                                       O PP, O PR, E A PREVIDÊNCIA

Em Brasília todo mundo sabe: os partidos que estão empenhados em retardar a aprovação da reforma da Previdência são o PP e o PR, os articuladores do chamado Centrão.  Ambos estão insatisfeitos com a forma com que o governo Bolsonaro vem tratando os partidos, especialmente na distribuição de cargos. Embarreirar a reforma da Previdência, principal projeto do governo, é uma forma de fazer pressão contra o Presidente Jair Bolsonaro e ampliar o poder desses partidos. Infelizmente, a estratégia prejudica o Brasil e retarda a retomada do crescimento econômico. Um dos operadores do PR é o deputado baiano José Rocha, que ainda não digeriu a perda de cargos na Codeba – Companhia de Docas da Bahia. Embora Rocha desejasse manter Rondon Brandão do Vale na direção da empresa e a ex-presidente da UPB, Maria Quitéria, em uma diretoria, ambos foram exonerados e o governo nomeou para a presidência o engenheiro José Alfredo de Albuquerque e Silva, um quadro 100% técnico, especialista em gestão portuária e com passagens pelos portos de São Paulo, Rio Grande do Sul, Pará e Ceará.

                                                       MARIA E A PAIXÃO

“A multidão de mulheres logo tomou conta do cortejo e, seguindo-o, elas  batiam no peito, entoando hinos e lamentando a sina de Jesus que ia ser crucificado.  Os soldados entreolhavam-se surpresos, nunca antes haviam visto tantas mulheres unidas num mesmo desejo e por suas cabeças masculinas deve ter passado a imagem insólita de uma rebelião feminina e de milhares de mulheres tomando deles o réu para fazê-lo Deus, tomando deles o poder para exercê-lo de modo feminino. Mas elas não usariam a violência contra os soldados, se o fizessem seriam varões e esse é um anseio que não tinha acolhida em seus corações. As mulheres não podiam impedir que lei dos homens se cumprisse, mas denunciavam a irracionalidade e a crueldade dela.” Com este trecho do meu livro “Maria Madalena: O Evangelho Segundo Maria”, que continua seguindo sua trajetória como um dos livros mais vendidos da Geração Editorial, desejo uma boa Páscoa aos meus leitores.

ERICK FIGUEIREDO: AS NOVAS REGRAS DO REAJUSTE DO SALÁRIO MÍNIMO
ERICK FIGUEIREDO: AS NOVAS REGRAS DO REAJUSTE DO SALÁRIO MÍNIMO

A proposta de reajuste do salário mínimo divulgada pela equipe econômica do Presidente Jair Bolsonaro causou um verdadeiro  alvoroço nas redações de jornais. De imediato, as manchetes anunciaram “o final dos reajustes reais”. A oposição se colocou a postos com as tochas em mãos; integrantes do PSOL começaram a ensaiar as entrevistas para o Jornal Nacional; os especialistas em economia usaram as planilhas de excel para fazer os cálculos políticos dessa medida impopular. Sindicalistas começaram a imaginar o impacto sobre um ambiente que eles pouco conhecem: o cotidiano do trabalhador. Enfim, instalou-se o caos. Observando as reações de uma distância segura, essa coluna buscou enxergar o problema por outro angulo.  Diferente do que vocês estão lendo por aí, a questão central aqui é: a nova regra será, de fato, ruim para a economia? Ou de forma mais apelativa (tentando ganhar cliques), o Governo estaria prejudicando os mais pobres com essa medida? Adianto a minha resposta: não! Essa medida é positiva para a dinâmica econômica, em especial, para os mais pobres. Contudo, para desenvolver melhor o meu raciocínio, precisamos entender o que significa um aumento real no salário mínimo.

A regra atual propõe um reajuste baseado em dois indicadores: na inflação do ano imediatamente anterior (que chamarei de parte “A” do reajuste) e; no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos dois anos anteriores (parte “B“). De acordo com a regra anterior, o reajuste total seria a soma e A+B. Em números, o valor do salário mínimo 2020 deveria ser calculado da seguinte forma: digamos que o ano de 2019 feche com uma inflação anual de 4,5%. Dado que o crescimento do PIB em 2018 foi de 1,1% e a previsão de crescimento em 2019 gira em torno de 2%, o reajuste do salário mínimo seria de 4,5+1,1+2=7,6%. Ou seja, a parte A corresponde a 4,5% e a B, 3,1% (1,1+2). O aumento real é aquele que fica acima da inflação, ou seja, somente a parte B do reajuste. A nova proposta enviada para o Congresso se baseia apenas na parte A.

Feito esse esclarecimento didático, vamos para questões menos intuitivas. Afinal, como um reajuste menor pode favorecer os trabalhadores? Para entender isso, precisamos voltar no tempo. Em 2013, fui procurado pela repórter Flavia Lima do Jornal Valor Econômico. A repórter pretendia discutir os impactos dos reajustes acima da inflação sobre o bem-estar dos mais pobres. Em nossa primeira conversa, a jornalista percebeu o meu ceticismo em relação à política adotada desde de 2011. Em suma, ela havia entrevistado um grande número de economistas e nenhum deles estava pessimista. Muito pelo contrário, todos aplaudiram com entusiasmo. Diante disso, ela me questionou sobre a indicação de um outro pesquisador com uma visão similar. O objetivo era criar um contraponto. Um locus de chatice em um baile de confetes. Indiquei o nome de um professor da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo. O resultado da reportagem pode ser visto aqui: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/523144-desigualdade-pode-cair-menos-nos-proximos-anos

Em resumo, meu argumento colocava em dúvida os efeitos positivos de aumentos de salário acima da produtividade do trabalhador. Aumentos por decreto, sem contra-partida na produtividade, onerariam as empresas e os ganhos distributivos observados de imediato tenderiam a desaparecer no médio prazo. De uma forma específica, esse tipo de reajuste possui uma forte pressão inflacionaria, tanto do lado da oferta, quando as empresas repassam parte dos seus custos para os preços dos seus produtos; quanto do lado da demanda, via aumento do consumo, e elevação dos preços em um segundo momento. As consequências são diversas, podendo-se destacar: 1) a perda da competitividade das empresas; 2) o aumento do desemprego; 3) o aumento da inadimplência; 4) a perda de poder de compra da população mais pobre, entre outras.

Notem que o meu argumento principal é: não há razão para conceder reajustes aos trabalhadores que não contribuem para o aumento da produtividade de uma empresa. Digamos que um indivíduo possua um restaurante. Seu único funcionário consegue servir 20 mesas e lavar 40 pratos por dia. No final do ano, o governo propõe uma reposição salarial baseada na inflação. Digamos, 5%. Esse reajuste será repassado para o preço do prato de comida, que também subirá 5%. Mas como explicar um aumento acima da inflação. Esse aumento só seria justificável, caso esse trabalhador passasse a servir mais mesas ou lavar mais pratos. Caso contrário, o dono do restaurante teria duas saídas: aumentar o preço do PF em mais de 5% ou ir retirando esse “aumento real” de seu lucro até não resistir mais e fechar o seu negócio. De uma forma simples essa política pode gerar mais inflação e mais desemprego. Em resumo, os economistas que elaboraram a proposta anterior tinham uma dificuldade tremenda de fazer contas reconhecendo que  aumentos acima da inflação só são justificáveis por incrementos na produtividade.

Contudo, desprezando essa lógica, o que os aumentos reais significam na prática? A política de reajuste pode até reduzir a desigualdade hoje (Gini no curto prazo), mas diante de um cenário futuro marcado pela inflação e desemprego, os ganhos distributivos não serão sustentáveis.  As pessoas poderiam até sair da pobreza, ou entrar no que o Governo Federal costumava chamar  de “nova classe média”. Contudo,  deterioração macroeconômica destruiria as suas novas posições. Isso de fato aconteceu. A nova classe média de ontem, voltou a ser pobre hoje.  Lição número dois (retornarei a esse ponto no artigo do mês que vem): austeridade e distribuição não são como água e óleo. Em verdade, só haverá ganhos distributivos com austeridade fiscal.

Nesse sentido, pode-se concluir que os ‘ganhos’ redistributivos não podem se dar de forma artificial. O aumento do salário mínimo acima da produtividade é um exemplo. As politicas de transferência de renda, sem a preocupação com a qualificação dos indivíduos (tampouco com a qualidade de uma eventual qualificação), são outro exemplo. Na maioria dos casos, pesquisadores e membros dos governos destacam os ‘avanços’ redistributivos observando apenas a face estática da distribuição. O que não se enxerga é que esses avanços são pautados em medidas frágeis que, no futuro, podem ser revertidas. A prova disso pode ser constatada lendo o que relatei na matéria do Valor Econômico seis anos atrás.  O cenário pessimista desenhado no lado chato da festa se consolidou. Felizmente a equipe econômica do novo governo consegue enxergar isso. Essa medida, embora impopular em um primeiro momento, é acertada e gerará impactos positivos para a economia. O Governo acerta mais uma vez.

ADARY OLIVEIRA: A VIDA QUE SE VIVE É UM JOGO ?
ADARY OLIVEIRA: A VIDA QUE SE VIVE É UM JOGO ?

No nosso dia a dia nos deparamos com situações que podem ser consideradas parte de um jogo, ou então dedicamos parte de nossa vida a participar de jogos. Se não for jogo de capoeira pode ser um jogo de xadrez. Se o tabuleiro não for de xadrez pode ser de dama ou de gamão. Se não estivermos diante de um tabuleiro podemos estar jogando bola, num baba ou numa pelada, ou mesmo torcendo por um time da nossa cidade, do nosso estado, ou do nosso país numa competição esportiva. Um amigo meu costumava dizer que na política o maior cacife é de quem tem mais votos e que um dia, haveria alguém que iria inventar um instrumento para fazer a contagem do número de votos que cada político tem a cada momento. O jogo assim ficaria mais fácil de ser vencido. No mundo da produção industrial o jogo é com o produto, a preferência dos consumidores, o menor preço, a melhor qualidade, tornando-se uma luta sem fim pela sobrevivência. Quem está no poder joga o tempo todo para exercer o poder e para permanecer no poder.

Os indivíduos e as organizações para se sentirem bem, prosperarem ou para sobreviverem, estarão sempre pensando em como atuar, como se relacionar com os outros ou como, em caso de interação com seus pares, agir estrategicamente, tomando decisões interdependentes como se estivessem jogando o tempo todo. A Teoria dos Jogos (TJ), muito difundida nos dias de hoje, é aplicada nas operações militares, delações premiadas, concorrência comercial, comportamento das pessoas, determinação de preços, localização de instalações, equilíbrio de sistemas abertos e fechados.  Na TJ os jogos são teoricamente representados por processo de interação estratégica e costumam ser classificados como sequenciais, simultâneos, de soma zero, estritamente competitivos e repetidos.

As pessoas de muita experiência, de vida longa ou não, que já jogaram o mesmo jogo várias vezes, e por isso mesmo puderam aprender por meio de processo de aproximações sucessivas ou de tentativas e erros, podem simular situações que lhe levem a chegar a conjunturas consideradas vitoriosas. Os trajetos percorridos, as decisões tomadas ou os roteiros preestabelecidos podem se tornar sinuosos ou errados para aqueles de pouca experiência. Porém, são seguros e corretos para aqueles que já trilharam caminhos iguais em situações que tiveram de decidir entre várias alternativas.

O bom jogador comporta-se racionalmente, se baseia em fatos vividos e tem certeza das suas vitórias. Não se deixa levar por emoções nem toma decisões estratégicas equivocadas, muitas vezes de aparências corretas. É por isso que é aconselhável, em muitas deliberações, ao invés de se deixar levar pelo domínio pela força, vigor e vontade de fazer dos jovens, ouvir o conselho dos mais velhos, de quem já vivenciou situação parecida.

A Teoria dos Jogos que se estuda nas escolas costuma ser recheada de exemplos interessantes como: a Batalha do Mar de Bismarck, que retrata uma situação de guerra, em 1942, em que um reforço japonês e chinês foi derrotado pelas forças aliadas; o caso da montadora de automóveis que decidiu reduzir o preço de seu modelo menos vendido; o comportamento da OPEP, cartel que reúne os principais produtores de petróleo e buscam definir o preço estabelecendo o nível de produção de cada um; o exemplo do fabricante de pneus que decidiu uma nova localização em função da paridade das moedas; a decisão de uma multinacional da indústria química que procura distribuir seus ativos por critério geográfico; a decisão de uma empresa que investe perdendo dinheiro para impedir o avanço de um concorrente em determinado território.

Na contribuição de cientistas para valorização da Teoria dos Jogos merece citação os trabalhos que falam do Equilíbrio de Nash, Ótimo de Pareto, Modelo de Cournot, Modelo de Bertrand, Paradoxo de Edgeworth, Quantidades de Stackelberg, Teorema de Bayes. Num mundo em que tudo é feito com auxílio da informática faz bem acreditar que os jogos jogados na vida, a cada dia que passa, são introduzidos no mundo dos negócios de forma racional e estratégica.

Adary Oliveira é presidente da Associação Comercial da Bahia – adary347@gmail.com

 

ARMANDO AVENA: A BAHIA E OS UNICÓRNIOS
ARMANDO AVENA: A BAHIA E OS UNICÓRNIOS

Antigamente, quando se perguntava a alguém o que é um unicórnio a resposta era simples:  trata-se de um animal mitológico, um cavalo, geralmente branco, com um único chifre em espiral. Hoje, quando se pergunta a um jovem o que é um unicórnio a resposta é imediata: é uma startup cujo valor atingiu mais de 1 bilhão de dólares. Mas o que é uma startup?  Startups são empresas inovadoras, geralmente de base tecnológica, cujo produto ou serviço pode adquirir escala e, de preferência, ser disruptivo, ou seja, oferecer ao mercado alguma coisa nova ou de forma completamente diferente do que vem sendo oferecido. São as startups que estão mudando o mundo e o  leitor todo dia se encontra com esses unicórnios modernos seja quando se desloca e usa o Uber, quando para ouvir música clica no  Spotfy ou quando utiliza serviços financeiros do tipo PagSeguro. No Brasil já existem sete unicórnios, empresas como o Ifood, a 99, a Nubank e outras que começaram pequenas e hoje valeM 1 bilhão de dólares.

Esse é o futuro e um relatório elaborado pela consultoria Mackinsey em parceria com o Brazil at Silicon Valley,  divulgado esta semana, mostra que o Brasil está pronto –  desde que resolva alguns gargalos de logística – para dar um salto tecnológico e tornar-se um dos players no mercado mundial de startups e consequentemente um criador de unicórnios.  Se a Bahia quer potencializar sua economia e se não quiser perder o trem da história, precisa urgentemente de políticas para fomentar  e atrair  startups e assim, quem sabe um dia, ser capaz de ter um unicórnio. A Bahia entrou tarde nessa competição e entre os 10 estados com maior número de startups, apenas Pernambuco representa a região Nordeste. Entre as 20 principais cidades em número de startups, Recife fica em 11º lugar e Salvador ocupa apenas o 18º lugar no ranking.  Mas o ecossistema de inovação em Salvador deu um salto nos últimos dois anos com a criação do  Hub Salvador,  um ambiente montado pela Prefeitura para a gestação de startups made in Bahia. Segundo André Fraga, Secretário Municipal de Sustentabilidade, Inovação e Resiliência, em apenas dois anos o Hub Salvador, que fica no Terminal Marítimo no Comércio e tem capacidade para mais de 100 startups, já tem 70% do seu espaço ocupado. Um novo espaço no Parque da Cidade está sendo construído para abrigar projetos inovadores e startups e a prefeitura está bancando com recursos próprios editais para financiar esse projetos.

O governo do Estado também entrou na onda das startups e está lançando edital para, com recursos da Finep – Financiadora de Inovação e Pesquisa,  investir em startups de base tecnológica que estejam em fase final de desenvolvimento de produto ou precisem ganhar escala de produção. São inciativas louváveis, mas se a Bahia deseja recuperar o tempo perdido precisa fazer muito mais e nesse caso o fomento através de incentivos fiscais é indispensável. Cidades como Florianópolis  e Recife reduziram o ISS – Imposto sobre Serviços para assim atrair startups, enquanto cidades como Curitiba estão perdendo empresas que se transferem para os locais que aderiram à redução de impostos. Esse pode ser um poderoso atrativo, afinal Salvador é uma cidade aprazível que se oferecer condições competitivas vai atrair aqueles jovens inovadores e revolucionários que são a alma das startups.

O governo do Estado, por seu turno, precisa fazer o mesmo, além de tentar aproximar e integrar o Parque Tecnológico de Salvador ao ecossistema de inovação e  ampliar essa ação para o interior, bem como estimular os financiadores privados de startups, empresas como a Vale do Dendê ou Rede Mais e instituições como o Senai/Cimatec que vem investindo no setor. Além disso, as universidades baianas, especialmente a UFBA, que já atuam no setor precisam ampliar suas ações integrando-as com a política de fomento do governo e da Prefeitura de Salvador. O fato é que a Bahia precisa recuperar o tempo perdido e investir maciçamente em fomento às startups para assim tornar-se, quem sabe, um embrião de unicórnios.

                                            VAREJO COMEÇA A DESLANCHAR

Após um longo período em queda, as vendas no comércio baiano começam a deslanchar. No primeiro bimestre do ano, as vendas no varejo cresceram 2,5% e o mês de fevereiro foi destaque. As vendas cresceram 5,7%, em relação a fevereiro de 2018, o melhor desempenho no mês desde 2014. É verdade que este mês de fevereiro, que registrou o melhor desempenho desde 2012 para o comércio varejista, foi atípico, pois o carnaval caiu em março, aumentando o número de dias úteis, e houve a antecipação da Liquida Salvador, mas o fato é que ficou clara a disposição da população para o consumo.  As vendas de eletrodomésticos cresceram 15,2% em fevereiro, enquanto as vendas de automóveis e  material de construção cresceram 7,6% e 6,4%, respectivamente. O setor de  hipermercados e supermercados, que sofreu muito na recessão e tem o maior peso na média do varejo baiano, cresceu 3,3% em fevereiro, o sétimo resultado positivo consecutivo. A economia baiana está começando a deslanchar, de forma lenta, mas consistente.

                                                 A  BAHIA E O GÁS

Uma das maiores queixas dos empresários baianos é o preço do gás natural, e isso ocorre porque não há competição no setor. O gás produzido pela Petrobrás tem obrigatoriamente de ser comercializado na Bahia pela BahiaGás, empresa controlada pelo governo do Estado que tem o monopólio do setor. Muitas empresas na Bahia já fecharam, a exemplo da Usiba/Gerdau e outras porque não suportaram o preço do insumo e a  própria Fafen – Fábrica de Fertilizantes Hidrogenados da Bahia tem problemas de competitividade por causa do alto preço do gás. Pois bem, o ministro Paulo Guedes anunciou que pretende criar um programa financeiro de ajuda aos estados, mas que vai exigir como contrapartida, entre outras coisas, a abertura do mercado de gás e a quebra do monopólio. Segundo o Presidente da Associação Comercial da Bahia, Adary Oliveira, a abertura do mercado de gás será muito bom para a Bahia, pois vai aumentar a competição e gerar novos investimentos. “O monopólio deve ser quebrado, pois o preço do gás inviabiliza muitos negócios e reduz a competitividade das empresas baianas”, diz Oliveira.

                                                         PALÁCIO RIO BRANCO

Todo e qualquer prédio privado no centro histórico de Salvador pode ser transformado em hotel desde que siga as regras, já que a área é patrimônio mundial da humanidade. Foi assim com o Hotel Fasano e o Fera Palace Hotel que mantiveram as características dos prédios que ocupam. Agora, transformar um prédio público como o Palácio do Rio Branco, a antiga sede do governo da Bahia, que hospedou D. Pedro II e está cheio de relíquias históricas e reais é simplesmente um absurdo. Só se vê na Bahia. É algo como transformar o Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, num hotel. O Palácio do Catete abriga hoje o Museu da República, dedicado à história da república brasileira. E o Palácio Rio Branco deveria ter destino semelhante.

IGOR CARNAÚBA: BAHIA DE FEIRA: CONHEÇA O FINALISTA DO INTERIOR DO BAIANÃO 2019
IGOR CARNAÚBA: BAHIA DE FEIRA: CONHEÇA O FINALISTA DO INTERIOR DO BAIANÃO 2019

O Bahia de Feira, ao se garantir na final do Campeonato Baiano de 2019 ao bater o Conquista por 2-1, foi a primeira equipe do interior, no século, a se garantir em duas finais na mesma década, sendo que, em 2011, se sagrou campeão do torneio ao ganhar do Vitória, em pleno Barradão, e impedir o pentacampeonato inédito do adversário. O sucesso da equipe de Feira de Santana é fruto de bastante organização administrativa, tanto fora quanto dentro de campo.

O Tremendão foi fundado em 1937, porém, sumiu do mapa do futebol durante os anos 80 até 2009, quando o Grupo Nobre assumiu o controle do Bahia de Feira e organizou a equipe para que a mesma subisse de divisão no estadual, no mesmo ano, como campeã. Já em 2010, o time chegou às semifinais da competição e, no ano seguinte, a ADBF já sagrou-se campeão baiano e, desde então, nunca foi rebaixada no estadual, mesmo fazendo algumas más campanhas, inclusive na Série D do Campeonato Brasileiro.

Em 2019, o grupo deu um passo grande na história do Bahia de Feira, inaugurado o próprio estádio da equipe: a Arena Cajueiro, sendo uma iniciativa pioneira no interior da Bahia. Possuir um território particular acarreta em crescimento do patrimônio, visibilidade e aumento da arrecadação de público. Além do mais, o Bahia de Feira diversifica as suas atividades, ao abrir no seu espaço, uma academia e uma escola de futebol, que trabalha com os jovens de 7 a 14 anos. Por fim, a grama da arena ésintética, inclusive instalada pela mesma empresa responsável pela do Athlético Paranense (palco de Copa do Mundo), e isso favorece ao time da casa a sair com resultados positivos, pelo material ser estranho aos adversários, acostumados a jogarem em gramado natural.

O time também é bem organizado dentro de campo, e isso um dos motivos para isso é graças à manutenção do treinador do ano passado, o Barbosinha. O campeonato baiano é conhecido pela “dança dos técnicos”, que são demitidos no meio do torneio e vão para outras equipes, havendo um grande câmbio nos cargos e, consequentemente, uma não continuidade de um trabalho que, às vezes, não é culpa da direção técnica.

O Bahia de Feira contará com esses dois diferenciais, inclusive, no seu objetivo maior de fazer uma boa campanha no Campeonato Brasileiro da Série D esse ano. Enquanto a competição nacional não inicial, a ADBF foca suas atenções na final do Baianão, sendo o primeiro jogo da final no domingo (14), no Joia da Princesa, em Feira de Santana. Por questão do estádio do governo possuir uma capacidade maior, o palco da ida será sob grama natural, e a equipe do interior perde a vantagem do ambiente sintético. A volta, sendo a decisão final, será no outro domingo (21). Caso seja campeão, o Tremendão chegará ao segundo título do torneio e se igualará ao seu rival Fluminense de Feira (1963 e 1969) e será o próximo time do interior a se sagrar bicampeão na mesma década (sendo o primeiro o próprio Touro do Sertão, nos anos acima citados).

PAULO AMILTON: OS MITOS SOBRE A PREVIDÊNCIA BRASILEIRA- PARTE 1
PAULO AMILTON: OS MITOS SOBRE A PREVIDÊNCIA BRASILEIRA- PARTE 1

Peço desculpa aos meus oito leitores por voltar a um tema muito batido, que é a atual reforma da previdência. Justifico o retorno ao assunto pela importância do mesmo e porque andei lendo opiniões de diversas pessoas sobre o assunto. Algumas delas são chocantes pela capacidade de dissimulação. Serão essas que foi me ater no artigo de hoje.
Em 1954, Darrell Huff e Irving Geis lançaram um livro muito interessante chamado “how to lie using statistics” (como mentir usando estatística). Em 2016 ele foi traduzido ao português pelas mãos de Bruno Casotti. Sou professor de econometria, que usa fartamente estatística, e sempre tive fascínio por este livro. Parece que não apenas eu, mas várias outras pessoas tem o mesmo sentimento por ele, pois estão mentindo demais usando dados estatísticos. Vamos a algumas delas:
“O déficit da previdência é fake”, Maria Lucia Fattorelli, da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (ANFIP).
“O déficit da previdência é uma pedalada constitucional, uma pós-verdade, para usar um termo da moda”, Eduardo Fagnani, professor da Unicamp.
Esses senhores defendem que o Orçamento da Previdência tem que ser analisado levando em conta toda a Seguridade Social, o sistema que engloba os recursos da área da saúde, de assistência social, além das aposentadorias e pensões. Explicando, existe no Brasil o conceito de seguridade social. São os gastos para garantir uma coesão social ao Brasil. Aqueles que garantem que a partir de certa idade não perambulem pelas ruas de nossas cidades indivíduos completamente desamparados porque chegaram a uma idade que suas capacidades laborativas tenham se esgotado. Dentre estes gastos, além da previdência (regime próprio dos servidores públicos e regime geral da previdência), existem os gastos com Benefícios de Prestação Continuada (BPC), Assistência Social, Aposentaria Rural e Saúde (INSS).
Para financiar esses benefícios foram criadas algumas contribuições sociais, tendo as suas receitas vinculadas ao Orçamento da Seguridade Social. São elas, a COFINS, a CSLL e parte do PIS/PASEP. CSLL, COFINS, PIS/PASEP são impostos disfarçados de contribuição social. Criados após a constituição de 1998, não são partilhados com os Estados e Municípios. Ao mesmo tempo em que se criaram essas contribuições, foi aprovada emenda constitucional em 1994 “desvinculando” parte dessas receitas do Orçamento da Seguridade, permitindo o seu uso para custear despesas do Orçamento Fiscal. Atualmente, o percentual de desvinculação é de 30%.
O argumento dos autores das frases anteriores é que não existe déficit na seguridade social. Se todos os recursos, acrescidos aqueles desviados pela DRU, fossem utilizados para pagar a aposentadoria, ainda sobraria. Acontece que existe apenas um caixa no tesouro nacional. Ele é utilizado para pagar todas as despesas do Estado. Se houver remanejamento de uma área para outra, vai faltar para aquela área que perdeu recursos. Não é justo tirar dinheiro para financiar a saúde pública, muito utilizada pelos menos favorecidos em termos de renda, para pagar aposentadorias de indivíduos em situação financeira muito mais favorável. Outra, A DRU retirou dos recursos da Seguridade Social em 2018 o montante de R$ 91,7 bilhões, mas recebeu do Orçamento Fiscal da União R$258,6 bilhões. Aí temos claramente um jogo de números, como bem ensinou (Huff e Geis).
Outra frase fantástica é: “…. Em várias regiões do país, a expectativa de vida é 64 anos. Como é que vai aposentar aos 65?”, de Carlos Gabas, ex-ministro da previdência social do governo Dilma Roussef.
A frase embute uma incrível dissimulação. A expectativa de vida se refere ao que se espera viver quando se nasce. Nela estão envolvidas as mortes por violência física, por doenças, etc. O que importa para a previdência é a expectativa de sobrevida. É o tempo que o indivíduo ao se aposentar continua recebendo o benefício. Quem chega aos 65 anos de idade tem expectativa de sobrevida até os 83,5 anos, ou mais, mesmo nas regiões mais pobres do País. E tem mais, naquela idade as expectativas de vida não são muito diferentes entre as regiões brasileiras, como mostra o IBGE. Ou seja, se alguém se aposenta aos 55 anos, pode continuar recebendo por quase trinta anos. Se for mulher, receberá mais tempo o benefício do que passou contribuindo. Claramente tal fato não gera equilíbrio atuarial para a previdência.
No entanto, a frase que mais gostei porque cabe certinho na definição do jornalista americano H. L. Mencken, que afirmou, “para todo problema complexo existe uma solução clara, simples e errada”. Está de Denise Gentil, professora da UFRJ, cai como uma luva: “A União não cobra das empresas sonegadoras e ainda entrega a elas a possibilidade de pagarem menos tributos legalmente. Então, é próprio governo que provoca o déficit.”
Dos R$ 433 bilhões inscritos na dívida ativa previdenciária em 2016, R$ 52 bilhões estão garantidos ou já estão sendo pagos parceladamente. Outros R$ 251 bilhões são de remota recuperação, pois a maioria é devida por empresas inativas ou sem patrimônio. Restam R$ 130 bilhões que estão em cobrança com potencial de recuperação. Mesmo que fossem recuperados automaticamente, contudo, não cobririam nem o déficit R$ 189 bilhões de 2017. Feito isso, não haveria mais recursos da dívida ativa para cobrir o déficit de 2018, 2019, que continuará existindo.
Como se vê, existe muito embuste no debate sobre a reforma da previdência. Como dizia Edmar Bacha na década de 1970, “O povo brasileiro não merece a elite que tem”.

ARMANDO AVENA: POLÍTICA É GUERRA SEM SANGUE
ARMANDO AVENA: POLÍTICA É GUERRA SEM SANGUE

“Politica é guerra, sem derramamento de sangue”, assim dizia Mão-Tsé-Tung, o líder comunista da China que ficou no poder até a morte.  Mas o governo Bolsonaro, e seu infante partido, ainda não percebeu isso e, sem exército, armas  ou estratégia, quer aprovar a reforma da Previdência na base do discurso presidencial do tipo “a bola agora está com o Congresso” e de acusações contra a “velha política”, e contra o “toma lá dá cá”. Na quarta-feira, Paulo Guedes, o principal general da tropa bolsonarista foi bombardeado sem dó nem piedade no Congresso Nacional e poucas vezes se viu um exército tão mal preparado, que aceitou colocar na presidência  da Comissão de Constituição e Justiça, o deputado Felipe Francischini, um neófito em política de apenas 27 anos, que não teve força para conter um inimigo experiente. Resultado: a oposição tomou conta do plenário. O General Guedes até que enfrentou o adversário com garra e demonstrou que a reforma da Previdência é indispensável para viabilizar a retomada do crescimento econômico.

Disse o que todo mundo já sabe:  que o sistema previdenciário está “financeiramente condenado antes de a população envelhecer”,  que o governo “gastou no ano passado dez vezes mais com a Previdência Social do que com a educação” e que sem a reforma o Brasil não vai voltar a crescer. O problema é que o interesse dos deputados de oposição, que dominaram a sessão, não era discutir a reforma, mas apenas dar uma satisfação ao seu eleitorado e isso faz parte do processo democrático. A oposição fez o que tinha de fazer, o governo é que não soube se defender. De todo modo, a sessão serviu para mostrar que sem montar uma base política no Congresso, o governo Bolsonaro vai ser atropelado e que a reforma da Previdência vai para as calendas gregas se não houver um novo alinhamento entre parlamentares e governo.  Bolsonaro atende ao seu eleitorado ao dirigir sua artilharia contra a “velha política” e o “toma lá dá cá”, e é bom para o país que o “toma lá dá cá” baseado na corrupção, no dinheiro e na propina seja eliminado de vez da política brasileira.

Mas a política é movida pelo poder e pela vontade de ver projetos e ideias colocadas em prática e essa é a moeda legítima em qualquer Parlamento do mundo e o Presidente precisa usá-la se quiser implementar suas reformas.  No mais, duas constatações: a primeira é que é indispensável para o país que o eixo central da reforma da previdência seja aprovada ainda no primeiro semestre. Se isso acontecer haverá aumento nos investimentos nacionais e estrangeiros, ampliação da confiança dos consumidores, ampliação do consumo e a consequente redução do desemprego viabilizando o crescimento econômico de pelo menos 2,0% em 2019.  A segunda é que é indispensável que o Presidente da República deixe o aviãozinho de lado e assuma a coordenação política do seu governo, montando uma base aliada no Congresso, pois sem isso não haverá aprovação de qualquer reforma e as pautas bombas, como aquela que aprovou o orçamento impositivo para as emendas parlamentares, se sucederão. Se a primeira condição não for viabilizada, o Brasil vai voltar a flertar com a recessão. Se a segunda condição não for concretizada, o Brasil vai voltar a flertar com a crise política, o impeachment ou coisa pior.

                                              NÃO BASTA A PREVIDÊNCIA

A aprovação da reforma da previdência é fundamental para garantir o futuro, mas não mexe imediatamente no presente, por isso, o governo precisa começar a adotar medidas de caráter microeconômico que não precisam passar pelo Congresso. Além da reforma previdenciária, medidas para ajudar a aumentar a produtividade, o emprego e estimular o destravamento da economia precisam ser adotadas com urgência. O Ministério da Economia sabe disso e anunciou, por exemplo, o lançamento de um conjunto de 50 medidas, englobadas sob o título de Simplifica,  com  o objetivo de desburocratizar a vida do setor produtivo. E anunciou também o  Emprega Mais, programa com o qual o governo pretende adotar uma nova estratégia de qualificação de mão-de-obra através do sistema de “vouchers” (vales) que serão  oferecidos para empresas e trabalhadores que investirem na qualificação. Fundamental também é o programa, em estudo pela equipe econômica, que pretende retirar  barreiras à competição interna em diversos setores, como saneamento, medicamentos, óleo e gás, bancos, propriedade de terras, telecomunicações, etc. Isso é que é governar.

                                               FUNDO CONTRA A CORRUPÇÃO

O deputado Alan Sanches (DEM) apresentou um projeto de lei na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) criando o Fundo Estadual de Combate à Corrupção (FECC),  O fundo seria destinado a financiar ações e programas dos órgãos do sistema de controle interno do Estado voltados ao combate à corrupção e estaria vinculado à Auditoria Geral do Estado. Os recursos para compor o fundo viriam de multas administrativas aplicados pela máquina pública. A ideia é interessante, mas o problema é a falta de autonomia dos órgãos que fariam a auditagem.

                                                   PEDRAS PRECIOSAS

A Bahia é o 3o maior produtor de gemas e pedras preciosas do país. E em 2018, as exportações de metais preciosos atingiram US$ 411 milhões, representando 5% das exportações baianas e constituindo-se no 7o principal produto na nossa pauta de exportações, superando o cacau, o algodão e a fruticultura. A Bahia é o 3o maior produtor do país e se destaca em ouro, cromo e diamantes.

NAVIOS

De novembro até abril deste ano, Salvador recebeu 45 navios vindos de diferentes locais trazendo  para a cidade cerca de 154 mil passageiros. Até o final da temporada de cruzeiros, ainda chegarão mais três navios no Porto de Salvador. Embora não sejam oficiais, os dados indicam que Salvador estaria em 5o lugar  entre as cidades que mais recebem navios de cruzeiro no país, abaixo de Santos, Búzios, Rio de Janeiro e Ilhabela. Há espaço para ampliar esse mercado, tanto que se refere ao número de navios, quanto ao tempo ancorado no porto.

                                                 SALVADOR E A INDÚSTRIA

 Muitos soteropolitanos ficaram surpresos aos ver uma indústria de colhões pegando fogo em Salvador, afinal, a cidade não tem indústrias.  Ledo engano. Há em Salvador pelo menos quatro fábricas de espuma e colchões. E o setor industrial da cidade é muito mais diversificado e possui indústrias químicas, de plástico, metalúrgicas, têxteis, confecções e muito mais. A indústria soteropolitana é, ao que parece, composta de pequenas, médias e micro empresas, mas nem a Federação das Indústrias do Estado da Bahia, nem nenhum órgão público elaborou estudo sobre o potencial desse segmento da economia.  E, além disso, Salvador tem dois grandes terminais portuários, que exportam contêineres e  milhões de toneladas de grãos. Há mais mistérios na economia soteropolitana do sonha nossa vã filosofia.

IGOR CARNAÚBA:O NOVO TÉCNICO DO BAHIA
IGOR CARNAÚBA:O NOVO TÉCNICO DO BAHIA

A eliminação na Copa do Nordeste contra o já eliminado e algoz Sampaio Corrêa, custou o cargo de EndersonMoreira sob o comando técnico da equipe. A torcida encheu o antigo treinador de culpa pela segunda desclassificação em menos de quatro meses, já que o rendimento do Bahia oscilou bastante esse ano e, em teoria, o elenco é melhor que o de 2018. A diretoria, assim, contratou Roger Machado para substituir Endersonno cargo. Será que este técnico irá resolver todos os problemas do Esquadrão?

Roger Machado iniciou sua carreira como técnico em 2014. De lá até então, possuiu três passagens de relevância. No Grêmio, conseguiu levar o clube à Libertadores ao deixar o Tricolor gaúcho na terceira posição do Brasileirão de 2015. Na competição sul-americana, conseguiu classificar a equipe para o mata-a-mata, mas foi eliminado já nas oitavas pelo Rosário Central, da Argentina, e também perdeu o estadual de 2016 nas semifinais contra o Juventude. Em seguida, no Atlético Mineiro e no Palmeiras, abandonou as equipes no meio da tabela do Campeonato Brasileiro, ao contrário do que aconteceu no clube rio-grandense. Conseguiu ganhar o estadual com o Galo em 2017, porém, no Palmeiras, perdeu a final do Paulistão contra o Corinthians, no ano passado.

O técnico é conhecido por ser estudioso e moderno, perfil almejado para assumir esse cargo por parte diretoria de Bellintani ao longo do seu mandato, por onde já passaram três treinadores (Guto Ferreira, Enderson e agora Roger). O Bahia normalmente costuma se dar bem por um período com trabalhos assim. Por haver ganho um estadual e acumular uma classificação a Libertadores, Roger Machado ganha um voto de confiança da torcida tricolor, mesmo que a sua campanha em alguns estaduais e em mata-a-mata tenham deixado a desejar. Inclusive, seu primeiro desafio será uma partida de volta em competição eliminatória. Terça-feira (9), o Bahia recebe o CRB após empatar com a equipe alagoana na ida por 1×1, sob o comando do técnico interino. Caso vença, Roger aumentará as expectativas da torcida, além de passar para quarta fase do torneio, uma antes das oitavas-de-final.  Caso confirme a classificação, após o término do Baianão, o Bahia terá duas competições para administrar, ao contrário de quatro (como ocorreu no ano passado por ter ido longe na Copa do Brasil e Sulamericana), e, até por isso uma campanha regular para ruim no Brasileirão de pontos corridos não será perdoada.

REJANE GOMES: DESAFIOS PARA A INSERÇÃO DOS JOVENS NO MERCADO DE TRABALHO NA PARAÍBA
REJANE GOMES: DESAFIOS PARA A INSERÇÃO DOS JOVENS NO MERCADO DE TRABALHO NA PARAÍBA

A estrutura do mercado de trabalho vem apresentando transformações importantes, especialmente com os avanços das tecnologias da informação em todos os setores, o que afeta significativamente os segmentos considerados mais vulneráveis, como os jovens e as mulheres. Além da exigência de qualificação profissional, impõe-se um perfil de trabalhador mais flexível, competente e proativo. Por isso, deve-se considerar as mudanças na estrutura do mercado de trabalho paraibano e avaliar os fatores que interferem na inserção dos trabalhadores diante das necessidades do mercado. Por outro lado, também é relevante considerar se a economia local poderá dar respostas adequadas às necessidades de criação de emprego e renda, de modo a permitir condições de qualidade de vida nas diferentes localidades.

Nos últimos quatro anos foi observada queda na ocupação das pessoas no trabalho principal em diversas atividades no estado da Paraíba, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC). No setor da agricultura e pecuária, estavam ocupadas 13,13% das pessoas em condições de trabalhar em 2015, enquanto em 2018 esse indicador caiu para 12,10%. Na indústria geral, houve queda de 1,47 ponto percentual (p. p.), alcançando 9,68% dos trabalhadores empregados neste setor em 2018, tendo contribuído mais a redução no desempenho da indústria de transformação. Em todo o período analisado, o setor da construção civil registrou queda no nível de emprego, segmento que tem grande importância no dinamismo do mercado de trabalho estadual. Os setores de comércio e serviços, que exibem o maior número de ocupações, registraram oscilações pouco expressivas entre 2015 e 2018, o que indica uma acomodação nas condições de geração de novas ocupações de emprego e renda.

Deve-se lembrar que nesta fase a crise econômica afetou mais fortemente o mercado de trabalho brasileiro e suas repercussões terminaram por se estender também sobre a economia local. Considerando a frágil inserção da economia paraibana na região Nordeste e no Brasil, a estagnação na criação de empregos pode ter consequências severas quanto à manutenção da renda. Além do menor ritmo na geração de novas ocupações produtivas, a PNADC também registrou, entre 2016 e 2018, crescimento de 2,89% no número de pessoas ocupadas que possuem dois ou mais trabalhos, o que indica a necessidade de complementar a renda auferida pelo trabalho.

Quanto às taxas de ocupação na economia paraibana, observou-se um comportamento preocupante entre 2015 e 2018. Para a faixa mais jovem de 18 a 24 anos, cerca de 12,28% das pessoas em condições de trabalhar estavam ocupadas em 2018, embora tenha havido queda de 0,35 p. p. se comparado com 2015. Seguindo a mesma tendência foi registrada queda de 2,22 p.p. para a faixa de 25 a 39 anos. Por outro lado, os dados que medem a taxa de desocupação demonstraram que o segmento dos jovens apresenta um dos piores destaques, com 35,88% de pessoas desocupadas em 2018, aumento de 0,65 p.p. ante 2015, seguido pelos que estão na faixa de 25 a 39 anos, com 36,88%. Estas duas faixas representam mais de 70% da força de trabalho ocupada no estado da Paraíba. Contudo, as pessoas mais maduras, entre 40 e 59 anos, têm sentido a maior desinserção do trabalho, tendo em vista o aumento de 2,45 p.p. na taxa de desocupação no mesmo período.

Os indicadores analisados expõem um fenômeno preocupante do mercado de trabalho no tocante às dificuldades dos jovens encontrarem trabalho e se manterem em ocupações estáveis. Tal comportamento pode estar associado, em parte, aos elementos conjunturais proporcionados pela desaceleração econômica, mas fundamentalmente está relacionado com as mudanças estruturais do modelo de produção que afetam as relações sociais de trabalho e exigem a readaptação da força de trabalho às novas condições impostas pelas tecnologias. A geração presente e as futuras têm o desafio de elevar os níveis de competências, por natureza efêmeras, o que é diferente do sentido mais amplo da qualificação profissional. Além disso, deverão enfrentar um mercado de trabalho em que a flexibilização e a desregulamentação constituirão as marcas no mundo do trabalho, podendo inclusive proporcionar maior instabilidade e dificuldades de inserção em ocupações formais e com rendimentos mais baixos.

 

 

 *Professora Adjunta do Departamento de Economia/UFPB. Doutora em Sociologia do Trabalho/PPGS/UFPB. Integrante do LATWORK: Projeto para desenvolver as capacidades de pesquisa e inovação das instituições de ensino superior da América Latina para a análise do mercado informal de trabalho.

ARMANDO AVENA: VER SALVADOR E DEPOIS VIVER
ARMANDO AVENA: VER SALVADOR E DEPOIS VIVER

Salvador está fazendo aniversário. É uma velha senhora que, cada dia mais bela, mostra que  encanto e  sedução não é privilégio das ninfetas.  E tão linda está que a mídia do mundo inteiro lhe dá destaque, homenageando a joia do Atlântico Sul encravada nas falenas da Baía de Todos os Santos. O incauto forasteiro que aqui aportar vai ter de recorrer a todos eles, se não quiser  ser  seduzido pelo canto dessa sereia ecumênica e  não adianta por vendas nos olhos ou tapar os  ouvidos,  aquele que experimentar o encanto mitológico dessa feiticeira do Atlântico, aquele que provar sua cultura e sua alegria,  jamais será o mesmo.  Hoje, 29 de março, Salvador está fazendo 470 anos e  faz tempo atrai pessoas de todas às  partes do mundo, ávidas por conhecer uma cidade única, onde tudo termina em festa.

Aqui a louvação cristã, o culto ao orixá, a comemoração no futebol, o por do sol esplendoroso, tudo resulta em festa e em música. E a cidade da Bahia aprendeu a transformar a  festa em riqueza, criando uma economia complexa que gira em torno da cultura, do lúdico e do prazer. E o turismo e a festa dão-se as mãos e criam uma corrente que envolve o comércio, os serviços, os artistas, a cultura, o patrimônio e muito mais para assim gerar emprego e renda. E isso ocorre porque a cidade está bem cuidada, os serviços básicos funcionam, a orla foi recuperada, as praças foram reformadas, as obras de mobilidade urbana se ampliam e a organização impera.  Mas nem sempre foi assim. Durante muito tempo a velha cidade esteve abandonada, o lixo do descaso tomou conta das suas ruas, a escuridão escondeu sua beleza e a população pobre  viu sua qualidade de vida esvair-se pelos esgotos que desembocavam em suas praias.

Hoje, felizmente, a situação mudou e, embora sua população continue lutando em busca de emprego e de melhores condições de vida, pode fazê-lo sem lamentar as rugas e as olheiras que outrora cobriam as faces da cidade da Bahia.  Felizmente, nos últimos sete anos, a velha senhora passou por uma plástica completa, seu rosto recuperou o viço e o corpo voltou a ser sinuoso e belo. É verdade que uma tristeza intrínseca domina o cérebro dessa jovem anciã,  tristeza  de quem  sabe que a beleza externa as vezes esconde as vísceras da pobreza e da miséria que convivem em seu corpo, quatro vezes centenário. E por isso torna-se indispensável combater o desemprego e a criminalidade e urge melhorar a qualidade de vida para assim unir beleza e equidade. Mas isso só acontecerá se a cidade da Bahia continuar  limpa, iluminada , bela e sedutora, pois uma cidade especializada em serviços, em turismo, cultura e lazer precisa da beleza e da festa para gerar emprego e renda.

Um dia, uma sereia de nome Partênope fundou no Mar Tirreno, na Itália, uma das cidades mais belas do mundo e Gothe, encantado com aquela enseada que parecia  findar-se num vulcão, decretou que bastava “ver Nápoles e depois morrer”. Mas o  poeta não sabia que nas bordas do Atlântico existia outra cidade mítica, protegida por outra sereia de nome Iemanjá e construída sobre um triângulo que avança para as águas e que, por isso, é um dos cinco lugares continentais do mundo em que o sol nasce e se põe no mar. Se tivesse conhecido essa cidade mágica onde o profano uniu-se ao sagrado, a festa enroscou-se no trabalho e o negro misturou-se ao branco e ao índio para criar uma cultura singular e única, o vate refaria o dístico e diria, extasiado: Ver Salvador e depois viver.

                                                 JÁ VIMOS ESSE FILME

Quando assumiu o poder em 15 de março de 1999, o ex-presidente Fernando Collor de Mello, o caçador de marajás, adotou em relação ao Congresso Nacional uma postura bonapartista. Avesso as articulações políticas, não recebia deputados e mostrava certo desprezo pelo Parlamento. Deu no que deu e,  após o fracasso do seu plano de governo e o surgimento das denúncias de corrupção,  quando buscou apoio no Congresso já não dava mais. A ex-presidente Dilma Rousseff não gostava de fazer política, adiava as decisões que envolviam conflitos políticos, se negava a receber parlamentares, conversar com lideranças ou pedir ajuda para aprovar matérias no Congresso. Deu no que deu. Quando seu plano de governo jogou o país na maior recessão da sua história recente e ela buscou apoio no Congresso, já não dava mais. Bolsonaro segue caminho parecido. O Presidente acusa a todo momento os políticos de fazerem  a velha política do toma lá da cá,  não recebe parlamentares, não negocia os projetos enviados a Câmara e acha que pode governar mandando recados pelo twitter. Além disso, briga com a imprensa todos os dias e conseguiu a proeza de ser criticado pelo Estado de São Paulo, porta voz da direita esclarecida, e pela Folha de São Paulo, porta voz da esquerda esclarecida. Se continuar nessa toada, basta a reforma da previdência não ser aprovada e/ou a economia não responder as expectativas geradas, para o filme começar de novo.

                                                            OS PREFEITURÁVEIS

O sonho de consumo dos políticos que não são ligados ao Prefeito ACM Neto e estão de olho na Prefeitura de Salvador, é ter o apoio do governador Rui Costa. Mas, ao que parece, para obter esse apoio o postulante deverá obrigatoriamente se filiar ao PT.  Não vamos esquecer que nas eleições de 2020 não haverá coligação para o pleito proporcional e o partido que não tiver candidato vai minguar. Além disso, o PT precisa se fortalecer nas eleições municipais e a direção nacional dificilmente aceitaria perder o protagonismo  no principal estado em que detém o governo estadual. Após a filiação, o postulante terá outro desafio: convencer os quadros do PT a ceder o posto a um novato, recém chegado ao partido. E se ele for uma liderança oriunda do grupo do Prefeito ACM Neto, aí a porca vai torcer o rabo. Vale lembrar que os deputados federais Nelson Pelegrino, Jorge Solla, Valmir Assunção e o deputado estadual Robinson Almeida, petistas históricos, já postulam abertamente a intenção de competir pelo Palácio Thomé de Souza no próximo ano.

                                     A RETOMADA DA CONSTRUÇÃO CIVIL

A Bahia criou 7,7 mil novos empregos com carteira assinada no primeiro bimestre de 2019 e 50% desse total foi gerado na construção civil, refletindo a retomada das atividades no setor. Em Salvador e região metropolitana, o segmento criou quase 2 mil novos postos de trabalho com carteira assinada, mais que o dobro do número verificado no mesmo período do ano passado. Na verdade, desde o ultimo trimestre de 2018 já se verifica um aumento expressivo de novos lançamentos no mercado imobiliário da Bahia e mais especificamente em Salvador.  Alguns desses lançamentos estão se constituindo em sucessos de vendas, a exemplo do Monvert lançado pela Odebrecht Realizações, cujas 140 unidades foram integralmente vendidas ainda na planta.