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ARMANDO AVENA – O OESTE E A BAHIA FARM: OPORTUNIDADES E DESAFIOS

Redação - 13/06/2024 08:54 - Atualizado 13/06/2024

A Bahia é uma potência do agronegócio e o PIB do setor alcança quase R$ 100 bilhões, cerca de 25% do que o estado produz.  É um montante maior do que o PIB total de vários estados do Nordeste. E a Bahia Farm Show, que começou na última segunda-feira na cidade de Luiz Eduardo Magalhães, é um símbolo da força e da pujança da região Oeste da Bahia. É a maior feira do agronegócio no Norte-Nordeste e uma das maiores do Brasil e deve gerar cerca de R$ 9 bilhões em negócios.

O Oeste da Bahia é o principal polo produtor do Matopiba, formado pela área de cerrado dos estados de Tocantins, Maranhão, Piauí e Bahia, e já responde por 50% do total produzido nesta região. Nove entre os 100 maiores municípios agroindustriais do Brasil estão na Bahia e dois deles  – Formosa do Rio Preto e São Desidério – estão entre os 10 maiores municípios produtores de grãos do Brasil.  São Desidério está no top 5. Com esse potencial não há dúvida que a Bahia Farm Show vai ser um sucesso, mas é preciso estar atento à realidade do Oeste, pois aí existem enormes potencialidades, mas também desafios.

Parafraseando Pero Vaz de Caminha, nos cerrados da Bahia em se plantando tudo dá, mas com irrigação. E não apenas soja, algodão ou milho, a região já produz café, arroz, fruticultura e feijão e já está sendo considerada a nova fronteira econômica do cacau. Em termos econômicos, a região vai bem,  apesar da queda dos preços das commodities,  que é um movimento conjuntural. Em 2024, a produção de soja deverá ter uma pequena queda, mas deve chegar a 7,5 milhões de toneladas. A produção de algodão terá aumento de 1,3% e a safra de milho terá uma queda em torno de 20%. Tudo dentro do esperado, afinal, o ano de 2023 foi de produção recorde e a safra de 2024 será menos expressiva.

Em relação à infraestrutura, a disponibilidade de energia, gargalo mais citado na última edição da feira, está sendo resolvido com uma ação mais efetiva da  Neoenergia/Coelba. Mas outras demandas são importantes, a exemplo da viabilização mais rápida dos aeroportos de Barreiras e de Luiz Eduardo Magalhães e dá maior celeridade no projeto de duplicação do trecho da BR 242 entre Barreiras e Luiz Eduardo Magalhães e outras estradas previstas no DNIT.  A logística para as exportações avança com o investimento privado de um novo berço no Porto de Aratu, mas a questão só será definitivamente resolvida com a Ferrovia Oeste-Leste. Há avanços também na ampliação na verticalização da produção e investimentos em usinas de beneficiamento e outros investimentos industriais, mas também aí se faz necessário estímulos, incentivos e logística. No Matopiba, a Bahia está se diferenciando do Maranhão, que exporta toda sua produção, porque beneficia uma parte dela agregando valor e isso tende a crescer.

Além dos desafios econômicos, existem também desafios sociais e ambientais. Um deles é o avanço do desmatamento no cerrado.  No Matopiba foram desmatados quase 500 mil hectares em 2023, o que representa 75% da área desmatada de todo o bioma Cerrado no ano. O cuidado com a disponibilidade de água, usada intensivamente na irrigação, também preocupa e foi bom ver na Bahia Farm Show a apresentação de estudo e avaliação do aquífero da região. Por fim, existe ainda a questão da segurança jurídica e dos problemas no âmbito da titulação de terras e as questões sociais.  As prefeituras de Barreiras e Luiz Eduardo estão entre as 10 cidades da Bahia que mais arrecadam e precisam investir mais efetivamente na área social e de educação de saúde.

Há, como se vê, oportunidades e desafios para a mais importante província do agronegócio no Norte e Nordeste do país, mas já é possível afirmar que o futuro econômico da Bahia passa necessariamente pela região Oeste.

                                                            PIB DA BAHIA

O PIB da Bahia cresceu 2,9% no 1º trimestre de 2024 em comparação ao mesmo trimestre do ano anterior. O incremento foi superior ao PIB nacional, que cresceu 2,5%. Em relação ao trimestre anterior, houve crescimento de 0,9%. O destaque foi o comércio, que cresceu 6,1%. Segundo a Sei/Seplan, responsável pelo cálculo, houve crescimento da renda média do trabalhador e, além disso, o programa Desenrola recolocou consumidores no mercado. O setor agropecuário registrou queda de 4,7%. Mas a indústria cresceu 3,1% impulsionada pelo crescimento das indústrias de transformação, extrativa mineral e construção civil. E o setor de serviços, que representa 65% do PIB, cresceu 3,3%.

Publicado no jornal A Tarde em 13/06/2024

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