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ENTREVISTA COM DANIEL STEINBERG, CONSULTOR REGULATÓRIO GLOBAL NA BITSO,FALANDO SOBRE A REGULAÇÃO DAS CRYPTOMOEDAS NO BRASIL

Redação - 07/03/2022 13:50 - Atualizado 08/03/2022

Bahia Econômica – O bitcoen chegou aos trinta e quatro mil dólares considerada uma baixa histórica. Qual a expectativa para a criptomoeda em 2022?

 Daniel Steinberg – Primeiro, é importante entender que a flutuação do preço do bitcoin depende muito da perspectiva sob a qual é analisada. Por exemplo, se analisarmos durante os últimos 3 meses, veremos uma flutuação significativa. No entanto, se você analisar o desempenho do ano passado, notará que não há outro ativo que forneça o desempenho de longo prazo que o bitcoin oferece. Nesse sentido, desde a sua criação, o tema da volatilidade do bitcoin e outras criptomoedas têm sido uma das questões centrais, então, sem dúvida, o que está acontecendo hoje não é novo. No entanto, a situação atual é de fato muito diferente de outros momentos em que os altos e baixos do preço do bitcoin foram protagonistas.

Bahia Econômica – Num contexto geral, 2022 é considerado um ano de alta para projetos que trazem lastro para criptomoedas. Qual a sua expectativa para o mercado de cripto em 2022?

Daniel Steinberg – Olhando de uma maneira mais ampla, o que estamos vendo na verdade é que a adoção do usuário continuará aumentando. Há cada vez mais interesse em seus diversos usos e novas possibilidades estão surgindo, como fazer pagamentos instantâneos usando criptomoedas por exemplo. Além disso, hoje estamos vivendo um momento completamente diferente, em que os casos de uso das criptomoedas estão ditando uma nova perspectiva de mercado. Estamos vendo um aumento significativo na utilização dessa tecnologia; milhões de pessoas estão descobrindo as vantagens e oportunidades das criptomoedas. Mas o mais interessante é ver a expansão na diversificação da forma e da usabilidade das criptomoedas no dia-a-dia. A adoção como forma de investimento ainda é muito importante, mas também se destacam cada vez mais casos de uso como: o envio de remessas e transferências sem intermediários e comissões caras; a importante reserva de valor que eles oferecem como alternativa ao atual cenário econômico; contratos inteligentes; e até a possibilidade de acessar empréstimos fora do tradicional sistema financeiro, ao qual milhões de brasileiros e latino-americanos ainda não têm acesso.

Vários fatores podem influenciar o desempenho das criptomoedas, assim como de todo o mercado financeiro. O que vejo como uma tendência importante a destacar é que a cada dia a flutuação do mercado de criptomoedas se torna um ponto de conversa, assim como o mercado financeiro. E isso só significa que mais e mais pessoas estão interessadas e atentas a esses fenômenos por causa do impacto que esse mercado tem nas pessoas. Então, independente da questão da flutuação, que é algo inerente ao mercado, eu vejo que o maior potencial das criptomoedas é essa capacidade, cada vez mais crescente e evidente, de ampliar a inclusão financeira.

Bahia Econômica – Voltado para o mercado de games, as NFTs estão dividindo opiniões no mercado. Alguns projetos começam com grandes altas e em poucos dias ficam negativos. A que você atribui essa volatividade desses projetos?

Daniel Steinberg – Em relação às NFTs, se olharmos em perspectiva, NFTs, mercado games, é uma coisa relativamente nova no mundo, e todas as entidades, indústrias, pessoas, empresas estão aprendendo sobre o tema, seus benefícios e desafios à medida que a adoção dessas tecnologia e tendências cresce e isso pode influenciar na volatilidade. E eu acho que é nosso papel, como plataforma líder de criptomoedas na América Latina, ajudar todo o ecossistema a entender e informar os benefícios que esse tipo de tecnologia pode trazer para todas as pessoas, países e diferentes setores econômicos. Acreditamos que NFTs podem revolucionar e impulsionar não só o mercado de arte, mas a sociabilidade entre os atores envolvidos nesse mercado.

Bahia Econômica – Qual a sua avaliação sobre a importância do projeto de regularização que tramita no congresso?

Daniel Steinberg – Sobre o Projeto de Lei que está sendo aprovado, trata-se de um avanço importante para gerar uma garantia institucional de que cripto faz parte de um arcabouço regulatório brasileiro. Os dois projetos mais avançados têm uma redação muito parecida, então, independentemente da tramitação em conjunto, o impacto será o mesmo. Eu acredito que ele endereça bem questões jurídicas importantes em torno à criptoeconomia, e cria padrões regulatórios que funcionarão como uma espécie de “piso” que impede qualquer instituição de operar abaixo desses requisitos regulatórios mínimos. Isso, sem dúvida, dará mais segurança aos usuários. Em suma: acho que estamos dando um passo importante para estabelecer padrões jurídicos para o funcionamento e operação das empresas desse setor, criando um ambiente mais seguro aos usuários, sem deixar de lado a flexibilidade dos atores institucionais que operam na criptoeconomia, que é algo próprio do universo cripto.

Bahia Econômica – Quais alterações você considera mais importante?

Daniel Steinberg – Em primeiro lugar, eu acho que o modelo que o PL está sendo apresentado já é positivo, pois aposta em uma estrutura principiológica, que estabelece primeiro a criação de um marco regulatório, ou seja, das regras gerais, e depois deixa a cargo de órgãos regulatórios criarem uma legislação mais específica, mas sempre baseada na norma geral promulgada anteriormente. Ou seja, ela vira uma espécie de moldura jurídica, cuja regulamentação posterior deve sempre respeitar, ainda que com mais detalhes.

Eu acho que o projeto trará importantes benefícios no que toca a: aspectos sociais, uma vez que há um interesse cada vez maior da sociedade em diversificar a forma de usar seus recursos; confiança: qualquer tipo de ativo monetário requer confiança e a regulação hoje é essencial para dar mais segurança às pessoas e aos atores institucionais que operam a criptoeconomia; questões econômicas, principalmente em países como o Brasil que têm uma memória inflacionária, os indivíduos e as empresas enxergam a importância das criptomoedas como reserva de valor; e finalmente, aspectos jurídicos, pois a regulação aumenta a segurança em termos prudenciais, mas também garantindo extrair o melhor da criptoeconomia, isto é, a possibilidade de rastreabilidade e acompanhamento das transações na blockchain.

Foto: divulgação

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