COLUNA POLÍTICA: EM SALVADOR TEM CANDIDATO QUE É SEM SER; EM FEIRA TEM CANDIDATO QUE NÃO É QUERENDO SER

COLUNA POLÍTICA: EM SALVADOR TEM CANDIDATO QUE É SEM SER; EM FEIRA TEM CANDIDATO QUE NÃO É QUERENDO SER

Política é arte do possível, mas é também a arte de construir o possível. Vejamos, por exemplo, os últimos movimentos dos políticos em relação às eleições para as Prefeituras de Salvador e Feira de Santana. Nessas duas cidades, já existem pré-candidatos definidos na disputa eleitoral, como é o caso do vice-prefeito Bruno Reis, ungido por ACM Neto como candidato do seu grupo político, e do prefeito Colbert Martins, candidato natural à reeleição. Ambos são candidatos da situação, mas o cenário em cada cidade é bem diferente.

Em Salvador, a principal liderança política do estado, o governador Rui Costa, parece meio desinteressado do pleito municipal, pois afinal pouco tem a ganhar nessa eleição. Seu partido, o PT, tem vários pré-candidatos, mas nenhum deles tem cacife eleitoral para viabilizar a candidatura. Como a principal liderança política da oposição a ACM Neto, parece alheio a disputa interna em seu partido, e demonstra cada vez mais que vai apostar na pulverização de candidaturas, sua base eleitoral passou a se movimentar. E assim posicionaram-se como candidatos, o senador Ângelo Coronel, do PSD, Niltinho, do PP, e João Carlos Bacelar do Podemos.

Todos são pré-candidatos sem ser, pois todos sabem que não tem qualquer possibilidade de competir com o candidato do Prefeito ACM Neto, Bruno Reis, muito bem colocado nas pesquisas de opinião, afinal são desconhecidos em Salvador e falta pouco tempo para a eleição.  Por que então seus nomes entraram no páreo? Unicamente por estratégia partidária,  não só para pressionar Rui Costa a escolher um candidato que possa unir pelo menos parte da base aliada, como também para se posicionarem de forma positiva quando está escolha ocorrer, se ocorrer.

Aqui vale dizer que o único candidato das oposições que, neste momento, tem cacife eleitoral para enfrentar o candidato do prefeito é o Sargento Isidorio, mas as lideranças oposicionistas parecem envergonhadas em assumir essa candidatura, não só porque ela parece incapacitada em governar uma cidade como Salvador como, o que é pior, se chegar ao poder pode destruir todo um trabalho feito para tirar a Capital do buraco em que o ex-prefeito João Henrique a jogou.  Em resumo, a oposição em Salvador está num mato sem cachorro com apenas duas possibilidades: ou o governador Rui Costa e o Senador Jaques Wagner, com o beneplácito de João Leão e Otto Alencar,  escolhem um nome notável e já conhecido da população para ser candidato ou vão ter de acompanhar a disputa entre um candidato muito forte e uma miríade de candidatos sem expressão do PT, do PC do B,  do PSD, do PP, do Podemos e por aí vai.

Já em Feira de Santana o panorama é outro, pois aí existe um nome forte da oposição, o pré-candidato Zé Neto, do PT, que lidera as pesquisas e tem fortes possibilidades de vencer as eleições. E aí entra o dilema do DEM, pois o prefeito Colbert Martins, cuja avaliação de sua gestão junto a população deixa desejar, só terá condições de competir se o partido de ACM Neto lhe der apoio total. Mas é cada vez mais eloquente o silêncio do ex-prefeito Zé Ronaldo, a maior liderança da Princesinha do Sertão. Na verdade, Zé Ronaldo diz que não é candidato querendo ser ou querendo compor com Targino Machado na certeza de que se houver essa composição quem quer que seja o candidato entrará forte na eleição.

Mas, o leitor já sabe, seja em Feira de Santana ou Salvador a política é mais complexa do que sonha a nossa vã filosofia.(EP – 27/01/2020)