segunda, 07 de setembro de 2026
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ENTREVISTA COM EDUARDO BASTOS – PRESIDENTE DO SINDUSCON-BA

João - 07/09/2026 05:00

Bahia Econômica – Como o fim da escala 6×1 pode afetar a construção civil na Bahia?

Eduardo Bastos – A PEC 221/2019 propõe o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salário. A mudança da escala 6×1 para 5×2 não impactará tanto o nosso setor, porque já a adotamos, por meio de acordos sindicais. Porém a redução de 04hs semanais, impacta e muito. Para nós isso é especialmente desafiador porque temos contratos de longo prazo, cronogramas rígidos e uma histórica dificuldade de contratação de mão de obra, sem dúvida impactará nos custos e nos prazos das obras.

Bahia Econômica – Qual o objetivo da carta aberta sobre o tema enviada pelas entidades representativas do setor da construção aos Senadores baianos?

Eduardo Bastos – A PEC 6 X 1 foi aprovada no plenário da Câmara Federal no último mês de maio e agora o próximo passo será no Senado Federal. O objetivo da nossa carta, assinada por 03 instituições de peso e que geram muitos empregos, é chamar a atenção dos Senadores baianos para os possíveis impactos da PEC para o setor produtivo e, em especial, sobre a construção civil na Bahia.

Não somos contra a discussão sobre a jornada de trabalho, o que defendemos é que ela seja feita de forma ampla e responsável, considerando os possíveis efeitos sobre a economia, a produtividade e os custos. Num ano de eleições nos preocupa a velocidade com que essa discussão vem avançando, prova disso é que o relatório apresentado na CCJ Senado, é uma cópia da aprovada na Câmara.

Entendemos que um tema dessa relevância merece uma discussão mais ampla e que considere os impactos sobre os diferentes setores da economia.

Por isso, os setores produtivos defendem que a discussão sobre a redução da jornada de 44 para 40 horas fique para 2027, já com um novo governo e uma nova composição do Congresso Nacional.

Bahia Econômica – Existe risco de desemprego no setor na Bahia?

Eduardo Bastos – Não, pelo contrário. A construção civil está em um momento muito positivo e vem absorvendo mão de obra, tanto em obras públicas quanto privadas. Não se trata de desemprego, mas de atender a uma necessidade de um mercado que já enfrenta escassez de mão de obra.

Bahia Econômica – Como o senhor avalia o momento de queda da Selic em ritmo lento?

Eduardo Bastos – A Selic está estabilizada em 14,00%, o que representa um grande problema: juros altos. Em vez de investir e crescer, muitas empresas estão preferindo manter suas reservas no mercado financeiro. Além disso, viabilizar novos empreendimentos com a taxa de juros nesse patamar também é complicado. É comum ouvirmos economistas e especialistas dizerem que, enquanto a taxa de juros não cair para a casa de um dígito, a economia não vai deslanchar.

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