

BE. O número o de empresas do varejo que vem pedindo recuperação judicial vem aumentando muito. A que Sr. atribui isso?
Antonio Tawil – O numero de empresas que pediram RJ , já passou dos nove milhões, 80% delas são das micro e pequenas empresas, que são a base e a maioria das empresas Brasileiras, responsáveis pela geração de mais de 65% dos empregos no Brasil. Os principais fatores que dificultam o desenvolvimento dessas empresas é o crescimento do comércio digital beneficiado por uma tributação bem menor que das MPEs , e os juros a curto prazo que passam a ser impagáveis ( em média 25% ao ano) visto uma Selic de 14% ao ano.
BE – Os juros altos explicam também a inadimplência das pessoas?
AT – Além dos juros altos, uma escassez de linhas de crédito a juros moderados pelas agências de fomento e uma politica de socorro as MPEs com financiamento a longo prazo , dificultando o planejamento e a manutenção dos pequenos negócios , as famílias vem sofrendo ataques diários das Bets e das casa de apostas por todos os cantos , isso está tirando a comida da mesa do trabalhador , precisamos de uma política de policiamento para estancar essa sangria incontrolável que tomou conta da sociedade.
BE – Como tem sido o desempenho do varejo na Bahia este ano?
AT – O varejo que trabalha com 90% das suas vendas a prazo, necessita de financiamento , para equilibrar seu fluxo de caixa, e com uma Selic a 14 % o endividamento fica impagável. A atual conjuntura não permite o repasse do custo do dinheiro para o produto , visto o alto nível de endividamento das famílias , o consumidor se retraiu até na aquisição dos itens básicos , ( alimentação e higiene). O programa Desenrola 2 não surtiu muito efeito , visto a dificuldade da sua regulamentação. O governo federal e o sistema financeiro precisam rever essa politica de juros altos que só beneficia os bancos. Tudo no setor produtivo do Brasil tá agonizando , ( comércio, serviços e indústria) , e com toda a pungência do Agro brasileiro , não impediu que a inadimplência chegue no campo. Estamos realmente em crise econômica e que tudo indica irá varrer 2026 e chegar a 2027.
BE – E o varejo em Shoppings Centers em Salvador? Quais os maiores problemas?
AT – As dores do comércio varejista em shopping centers são os mesmos do varejo de rua , acrescentando os altos custos de ocupação , mas consumidor está preferindo frequentar os shopping , por eles oferecerem segurança , conforto e principalmente estacionamento , coisa que as lojas de rua infelizmente não conseguem oferecer.
BE –. As associações apresentaram propostas aos candidatos a governador. Quais as principais propostas da FCDL?
AT – No que diz respeito ao comércio varejista , a nossa principal reivindicação é a atualização do teto do simples nacional , que há mais de dez anos não foi reajustado. E o segundo ponto é a desvinculação do CPF do CNPJ , isso irá multiplicar o ingresso de novos empreendedores para o setor produtivo brasileiro gerando mais empregos e renda.