ARMANDO AVENA: A BAHIA VOLTA AO PATAMAR PRÉ PANDEMIA

ARMANDO AVENA: A BAHIA VOLTA AO PATAMAR PRÉ PANDEMIA

Na semana passada foram divulgados os números do PIB e, através deles, é possível constatar que a economia baiana voltou ao patamar de pré pandemia.  O PIB da Bahia em 2021 atingiu o montante de R$ 347 bilhões – um PIB maior do que o de países como Uruguai, Paraguai ou Bolívia – registrando um crescimento de 4,1% em relação a 2020. Mas o desempenho foi inferior ao PIB nacional, que cresceu 4,6%, e isso por causa do fraco desempenho do setor industrial.

Todos os demais setores registraram crescimento e pode-se dizer que o dinamismo na economia baiana está na agropecuária, que cresceu 8,1%, enquanto caía 0,2% no Brasil, e no setor serviços, com incremento de 5,5%, maior que o verificado nacionalmente. Aqui vale ressaltar que o setor serviços representa cerca de 70% do PIB baiano e que todas as atividades do segmento tiveram incremento, com especial destaque para o comércio, que cresceu 12%, o dobro do desempenho nacional.

A atividade comercial registrou incremento de mais de 40% nas vendas de veículos, e desempenho positivo em ramos como vestuário e calçados, artigos farmacêuticos, móveis e outros. Quem puxa a economia baiana para baixo é a indústria de transformação, que caiu 6,2%, e derrubou a média do setor industrial. Isso se deu por conta do fechamento da Ford e a queda de quase 95% na produção de veículos, mas também, e principalmente, pela redução de quase 20% na produção de derivados de petróleo, da antiga RLAM, que representa cerca de 30% da indústria baiana. Aqui está e sempre esteve o problema da nossa economia, que criou uma base excessivamente concentrada na produção de commodities – petróleo, petroquímica, metalurgia, celulose – e precisa verticalizar e integrar mais esses segmentos.

Além disso, torna-se fundamental o estabelecimento por parte do Estado de uma política para atrair empresas produtoras de bens finais e estimular a industrialização local, especialmente na chamada indústria 4.0, com integração ao Senai/Cimatec e ao setor de pesquisa e desenvolvimento. Embora não esteja explicitado nos números do PIB, vê-se também no crescimento do setor de transporte, inferior ao nacional, a necessidade de mais investimentos na infraestrutura.

Registre-se igualmente o enorme potencial da Bahia na área de consumo e geração de eletricidade, registando-se um crescimento de 6%, com destaque para eólica e solar, enquanto  nacionalmente o que se verifica é a estagnação na produção. Por fim, vale ressaltar o bom desempenho da mineração, com a indústria extrativa crescendo 7,4% e uma certa decepção no setor da construção civil, que começou o ano de 2021 em ebulição, mas foi refluindo e tal modo que cresceu apenas 3,7%, enquanto nacionalmente o incremento foi de 10%. Os dados são da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais.

                    INVESTIMENTO NO PORTO DE ARATU

A Bahia pode se tornar um player na área portuária. Após a  ampliação do Porto de Salvador, que se tornou um hub de contêineres, agora é o Porto de Aratu que recebe investimentos através da CS Infra, empresa que obteve a concessão de terminais e vai investir R$ 690 milhões, com o financiamento de  R$ 536 milhões assinado ontem pelo  pelo presidente do BNB, José Gomes, com a presença do presidente Bolsonaro. O investimento vai aumentar a movimentação e armazenagem dos terminais  de grãos, como soja e farelo de soja,  e minerais como fertilizantes, manganês e cobre. A concessão de terminais e os investimentos são o tipo de ação que podem tornar a Bahia um player portuário do Brasil.

                                 BAHIA: PLAYER EM ENERGIA

A Bahia lidera o ranking dos estados brasileiros que mais geraram energia solar em 2021, com 28% da produção nacional. E ocupa o 2º lugar no ranking de geração de energia eólica com 29% da geração nacional. A Bahia também lidera a comercialização dos leilões de energia solar e de energia eólica, com 20% da energia solar e 32%  da eólica dos empreendimentos comercializados, respectivamente. A previsão é que nos próximos anos, 106 parques eólicos e 108 solares serão construídos, com um investimento total de R$ 35  bilhões. A Bahia já é um grande player na geração de energia e essa potencialidade significa possibilidade de criação e atração de novas empresas. As informações são da SEI e SDE.

Publicado no jornal A Tarde em 17/03/2022