

Sabe aquele cargo que é o segundo mais importante na hierarquia do Poder Executivo e que dá ao seu ocupante a certeza de que, em algum momento, será governador do Estado,? Pois bem, na Bahia ninguém quer esse cargo, o de candidato a vice-governador, e a maioria dos políticos baianos estão rejeitando o convite.
Pense num absurdo, na Bahia tem precedente. Na política baiana, neste momento pré-eleitoral, ninguém parece querer ser vice-governador.
Na chapa governista liderada pelo governador Jerônimo Rodrigues, a rejeição começou com o senador Ângelo Coronel, a quem foi oferecido o cargo – a ele, a sua esposa, ou a um dos seus filhos. E tão pouco importância deu o senador a oferta que preferiu aventurar-se na chapa de oposição como candidato ao Senado.
Com a defecção de Coronel, esperava-se que a vaga de vice-governador fosse ocupada imediatamente, mas, ao que parece, a vaga de vice virou um enigma na chapa governista.
A vaga passou a então a ser discutida entre os partidos da base. Primeiro, buscou-se atrair um nome de porte da oposição e consta que o Prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo, foi convidado, mas não aceitou.
Depois, houve um certo entrevero nas hostes governistas, por conta de um episódio menor e por conta disso aventou-se a substituição de Geraldo Jr. e do MDB na chapa governamental.
A partir desse momento, o PSD do senador Otto Alencar, que se manteve afastado da disputa, foi citado como possível responsável pela indicação do vice. Entre os nomes mencionados, apareceram a presidente da Assembleia Legislativa, Ivana Bastos, e o deputado Adolfo Menezes.
Mas o curioso é que os nomes citados não demonstraram qualquer entusiasmo e declinaram o convite. Ivana Bastos sinalizou sua preferência em permanecer na presidência da Assembleia Legislativa da Bahia, enquanto Adolfo Menezes acenou que sua meta seria uma vaga no Tribunal de Contas do Estado.
O cargo de vice, portanto, aparece mais como um problema de composição política do que como um objetivo desejado.
Ao que parece, o único politico que anseia pelo cargo é o atual vice, Geraldo Júnior, que, supreendentemente, passou a enfrentar resistências internas, a ponto do ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmar a aliados que não pretende apoiar a chapa caso ele permaneça no posto.
Do outro lado, na oposição, o quadro não é muito diferente. José Ronaldo, prefeito de Feira de Santana, foi convidado para ser o candidato a vice na chapa encabeçada por ACM Neto e também não aceitou. É um caso curioso de um politico que tinha a oportunidade de colocar sua cidade no topo da administração estadual, tanto na chapa da oposição quanto na chapa do governo, mas que preferiu ficar como prefeito.
É verdade que no âmbito da chapa oposição, que precisa de um prefeito do interior para assim tornar-se mais competitiva, há mais interessados na vice, a exemplo da Prefeita de Vitória da Conquista, Sheila Lemos, e do prefeito de Jequié, Zé Cocá, que quer e não quer, e que, ao que parece, não se decidiu ainda.
Essa aparente falta de interesse dos políticos no cargo de vice-governador contrasta com a importância institucional do cargo.
O vice-governador não é apenas um figurante da chapa. Ele é o substituto constitucional do governador em caso de afastamento, renúncia ou morte. Na história política brasileira, há inúmeros exemplos de vices que terminaram governando — e às vezes por longos períodos. Além disso, o vice pode exercer papel relevante na articulação política do governo e na coordenação de projetos estratégicos.
E, no caso do governador Jerônimo Rodrigues, ele, provavelmente, será o governador da Bahia em 2029, pois, como sempre acontece, o governador deve se descompatibilizar para tentar um cargo eletivo nas eleições de 2030.
Está na hora dos políticos perceberem que essa eleição será disputadíssima, que será preciso lutar com unhas e dentes por cada pedaço do eleitorado e que o candidato a vice-governador e seu partido podem ser fundamentais nessa tarefa.
E, por fim, a história ensina que o cargo nunca deve ser subestimado, o acaso já transformou vice-governadores em presidentes e governadores e a politica já fez deles protagonistas da História. (EP- 16/03/2026)



