terça, 09 de junho de 2026
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A DIREITA PERDEU SEU MELHOR CANDIDATO E AGORA VAI TER DE CORRER ATRÁS

Redação - 09/06/2026 06:45 - Atualizado 09/06/2026

A sucessão presidencial de 2026 começa a desenhar um cenário em que as possibilidades reais de vitória se esvaem pela escolha inadequada do candidato.  Depois de anos construindo uma força política capaz de disputar o poder nacional em igualdade de condições com a esquerda, o campo conservador corre o risco de entrar na disputa sem o nome que, em tese, reunia as melhores condições para enfrentar o presidente Lula. Como sempre ocorre no Brasil, a escolha do candidato da direita não privilegiou o nome mais preparado e mais competitivo, optando pela continuidade do capital político da família Bolsonaro.

A figura de Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, era o candidato mais adequado para essa quadra da política brasileira, pois representava uma espécie de síntese das qualidades que a direita buscava. Com experiência administrativa, uma gestão no governo de São Paulo que, por enquanto, não foi atingida por denúncias relevantes de corrupção, Tarcísio reunia atributos capazes de ampliar a base eleitoral da direita para além do núcleo bolsonarista tradicional. Além disso, teria a seu favor a estrutura política e administrativa do maior estado da federação, para se contrapor a força da estrutura política e administrativa da União que está nas mãos do Presidente Lula.

 Mas a direita brasileira optou pelo terreno mais emocional e identitário do que propriamente administrativo. A lógica da fidelidade ao grupo prevaleceu sobre a análise objetiva das condições eleitorais. E quando isso acontece, partidos e movimentos frequentemente descobrem tarde demais que popularidade e capacidade de governar não são necessariamente a mesma coisa.

A direita não escolheu o melhor candidato, à semelhança do que tempos atrás ocorreu na escolha de Fernando Collor de Mello, de triste memória.  Flávio Bolsonaro carrega o sobrenome mais influente da direita brasileira, mas não possui nenhum preparo para ser presidente, nenhuma  experiência, a não ser à frente de uma loja de chocolates. Além disso, seu nome sempre esteve vinculado a casos de corrupção e agora, inteiramente imerso no caso Master, a situação se agrava. E vai se agravar mais com a nova delação de Daniel Vorcaro que vai focar no financiamento do filme de Bolsonaro e nas suas relações com Flávio.

 A tendência é a candidatura de Flávio Bolsonaro escoar pelo ralo. E a direita tem de ir em busca de outros nomes. Há, é verdade, governadores como Ronaldo Caiado e Romeu Zema, que construíram trajetórias administrativas respeitáveis e mantêm presença relevante no debate nacional, mas nenhum deles conseguiu alcançar, até agora, o mesmo nível de projeção eleitoral que Tarcísio conquistou. A dificuldade é que, quanto mais o tempo passa, mais estreita se torna a janela para a construção de uma alternativa competitiva.

E, assim, a quatro meses da eleição, a direita luta desesperadamente para consolidar uma candidatura que não vai dialogar além de sua base mais fiel. A  força do bolsonarismo está aí, mas é focada na extrema direita, no fígado e não no cérebro, não atinge o eleitorado de centro. E, além disso, será difícil vencer a eleição apostando num candidato cujo barco faz água por todos os lados. É como se os estrategistas de Flávio admitissem que a classe média brasileira, aquela que tem curso superior e é formadora de opinião, vai aceitar votar num candidato envolvido em todo tipo de malversação de recursos e que não tem qualquer preparo para administrar o Brasil. Parece difícil.

Nesse contexto, a sensação que fica é a de que a direita deixou escapar seu melhor candidato e agora terá de correr atrás de uma alternativa capaz de reunir competitividade eleitoral, capacidade administrativa e amplitude política e uma biografia limpa. (EP – 09/06/2026)

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