segunda, 21 de setembro de 2026
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JOSÉ MACIEL  – A BUSCA DA REDUÇÃO DAS IMPORTAÇÕES DE ALIMENTOS

Redação - 21/09/2026 04:59

A China recentemente adotou a estratégia de reduzir sua dependência de importação de alimentos, como medida de segurança alimentar, e esse é um dos movimentos mais relevantes no âmbito do comércio agrícola internacional contemporâneo. O País asiático tem de alimentar quase 20% da população mundial  e dispõe somente  de 9%  das terras agricultáveis do planeta.

Nesse contexto, o governo chinês oficializou  no décimo quinto Plano Quinquenal ( 2026-2030) o estabelecimento de metas estruturais  para elevar a produção agropecuária doméstica. O Plano consiste na adoção de metas, visando alcançar  a produção de 725 milhões de toneladas de grãos  nos próximos anos, mediante o desenvolvimento de variedades de plantas de alta produtividade, resistentes a pragas e doenças, e mais resilientes a eventos climáticos extremos. Atualmente,  a maior dependência de importações reside na soja , com o país importando 84% do volume consumido dessa leguminosa; o Plano prevê  reduzir em até 25% as importações de soja até 2030.

Essa alteração de rota acendeu o sinal amarelo para o agronegócio brasileiro, já que mais de 70% de nossas exportações de soja e mais de 50% de nossas vendas externas de carne bovina se destinam ao mercado chinês. Nesse sentido, o Brasil terá de empreender um esforço importante na diversificação e conquista de  novos mercados, inclusive para novos produtos agropecuários.

Parece claro que a China não vai zerar  suas importações de soja e outros alimentos, mas pode diminuir suas compras do Brasil e aumentar suas aquisições de produtos  de outros países, especialmente dos EUA, que pressionam o governo chinês nas negociações internacionais. Portanto, o mercado chinês não vai fechar totalmente para o agro do Brasil.

Os chineses não estão isolados nesse movimento. Essa tendência mundial está sendo observada em outras nações , como alguns países da União Europeia e do Oriente Médio, algumas nações    árabes, a  Índia, a Rússia e o Leste Europeu.

A Rússia, por exemplo, tem investido para deixar de ser um grande importador de carne de frango e suína e passou a apoiar fortemente  a sua produção de trigo, além de ter diminuído suas exportações desse cereal e de fertilizantes , visando proteger sua própria segurança alimentar e o seu abastecimento interno.

Outro exemplo : a Arábia Saudita tem, como se sabe, fortíssimas limitações de terras para uso agrícola. Nesse contexto, sua estratégia consiste em continuar importando soja, milho e outros produtos componentes de rações , para produzir em seu próprio território carne de frango e de suínos em quantidades suficientes para seu suprimento interno, já que essas etapas de terminação das duas cadeias produtivas não exigem grande áreas de terras agrícolas. O Brasil agradece. . A propósito, empresas brasileiras, como a JBS, estão  instalando unidades de grande escala para a produção e abate de aves e suínos neste país árabe. Outras companhias deste ramo poderão fazer o mesmo movimento neste e em outros países árabes com as mesmas limitações de disponibilidades de terras  para uso agrícola.

Esses movimentos colocam desafios para o agro brasileiro, que terá de continuar diversificando exportações para mais destinos, contemplando um universo mais amplo de produtos, além de buscar a autossuficiência na produção de alguns alimentos estratégicos e essenciais para a nossa população, como é o caso do trigo. Ninguém aqui busca autossuficiência na produção de salmão, bacalhau, azeite de oliva e outros itens, mas o trigo é um produto super estratégico e essencial para a nossa segurança alimentar.

E finalmente, o governo precisa mostrar mais disposição  para acelerar a redução das importações de fertilizantes, No universo dos adubos NPK, isso parece um pouco mais viável no caso da redução das importações de fertilizantes nitrogenados e fosfatados. No caso dos fertilizantes potássicos, dá para ir mais depressa que no ritmo atual. Aqui temos um projeto em Sergipe (Taquari-Vassouras ) que supre menos que 5% de nosso consumo interno , e uma mina em Autazes,no Amazonas, que reduzirá nossa dependência de importações em mais 20%. Ocorre que a mina está próxima de terra indígena  reivindicada pelo Povo Mura , e o Ministério Público Federal contesta  a legalidade das licenças ambientais emitidas pelo órgão ambienta estaduall, o Ipaam. O MPF exige que essa competência seja repassada ao Ibama. Alguns órgãos  ambientais federais nesses casos costumam  aumentar as exigências para os projetos seguirem adiante. O Brasil precisa  avançar nesse projeto e os órgãos ambientais precisam ter mais compreensão de  que este projeto é estratégico para o agro brasileiro e para o Brasil.

 

(1)Consultor Legislativo e doutor em Economia pela USP. E-mail:  jose.macielsantos@hotmail.com

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