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Exportação de commodities

João Paulo - 27/02/2023 09:25 - Atualizado 27/02/2023

Commodities é um vocábulo em inglês, plural de commodity,e significa mercadoria, artigo, coisa, objeto, peça, produto. Costuma-se usar esse termo para designar produtos de baixo valor. Diz-se baixo valor agregado ou adicionado. No comércio são artigos que não sofrem processos de transformação, ou que sofrem poucos processos de modificação. São considerados produtos primários. Existem commodities agrícolas (soja, café, açúcar, suco de laranja, sisal etc.), minerais (minério de ferro, petróleo, gás natural, carvão, ouro, concentrado de cobre etc.), ambientais (água, madeira, energia etc.) e financeira (real, dólar, euro, peso, yen, libra etc.). No comércio as commodities de maior destaque são as agrícolas e as minerais. Existe uma grande diferença entre elas. As agrícolas são riquezas renováveis e as minerais são riquezas finitas. Portanto, não podem ser tratadas de forma igual.

O ideal, do ponto de vista econômico, é que os produtos primários sofram algum tipo de transformação antes de serem exportados, pois à medida que eles se aproximam da forma em que são consumidos são de maior valor e até que se chegue a este estágio consomem trabalho e mão de obra, gerando mais empregos e riqueza. Assim, se exportamos o algodão em pluma, faturamos menos do que se exportarmos o fio de algodão, o tecido ou as confecções, e muito menos do quese somarmos o valor dado às marcas e modas. A Alemanha, por exemplo, é o país maior exportador de café moído e torrado, sem ter um pé de café plantado em seu território. Além ser importador, mistura cafés de várias origens obtendo sabores especiais. A China é o maior fabricante de aço do mundo, e o maior importador de minério de ferro. Apesar de ter grandes reservas desse minério, faz contenção deles para o futuro, por ser de baixo teor de ferro e por razões estratégicas. Como se pode observar exportar commodities não é um mal negócio, mas é sempre possível otimizá-lo, aumentando o valor agregado do artigo exportado.

O Brasil inicia o Século XXI como o maior produtor e exportador de soja (54%), o maior produtor e exportador de café (26%), o maior produtor e exportador de açúcar (44%) e o maior produtor e exportador de suco de laranja (75%). O nosso país é também o maior exportador de carne bovina (22%), sendo o segundo maior produtor. É o segundo maior produtor e exportador de etanol extraído da cana-de-açúcar (8%) e o maior exportador de carne de frango (32%), sendo o terceiro maior produtor. Contabiliza a segunda posição como exportador de milho (21%), sendo o terceiro maior produtor e o segundo maior exportador de algodão (23%),e o quarto maior produtor. Os dados aqui apresentados têm como fontes a FAO, OIC, USDA, ABPA, SECEX e ICAC. O Brasil é considerado por isso um dos maiores produtores de alimentos do mundo, o celeiro da humanidade.

Essa excelente performance na produção agrícola, não só na quantidade produzida, mas também com alta produtividade e excelente qualidade, devido ao uso de tecnologias das mais avançadas, fazem do nosso agronegócio um dos mais pujantes do mundo. Isso tudo pela utilização de apenas 20% das terras do nosso território, havendo possibilidade de ampliação de áreas sem necessidade de novos desmatamentos. Entretanto, apresentamos um ponto fraco que é ao mesmo tempo uma colossal oportunidade. As empresas que formulam os fertilizantes importam cerca de 80% de ureia, 95% de cloreto de potássio e 50% de compostos solúveis que contêm fósforo. Tal carência revela uma oportunidade imensa de aumento da produção interna de fertilizantes. Se considerarmos que a população do globo não para de crescer e que o povo brasileiro é ordeiro e dá para o mundo exemplo de como se pode viver em paz, podemos afirmar que teremos um futuro promissor. O planejamento para melhora da qualidade da educação, da saúde, da conservação do meio ambiente deve, sem dúvida, nortear os planos governamentais.

Os assuntos trazidos aqui não representam nenhuma novidade, mas devem ser repetidos para não caírem no esquecimento. Eles nos enobrecem e indicam um rumo que deve ser trilhado com todo vigor, independentemente das diferenças ideológicas, de raça e de religião.

Adary Oliveira é engenheiro químico e professor (Dr.) – [email protected]

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