segunda, 21 de setembro de 2026
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ENTREVISTA COM RAPHAEL FIGUEIREDO ESTRATEGISTA DE AÇÕES

João - 21/09/2026 04:00

Bahia Econômica – Dentro da condição econômica atual qual o melhor caminho que o investidor deve pensar na hora de investir? 

Raphael Figueiredo – O melhor caminho é o da diversificação. A diversificação é a melhor forma para poder mitigar riscos. A gente está diante de um cenário bem diferente quando comparamos a economia brasileira e a economia global, basicamente a economia dos Estados Unidos. Os temas abordados são muito diferentes, no Brasil só se fala de eleição e no mundo só se fala em Inteligência artificial. Então a melhor forma de conseguirmos montar uma boa cartera para nossos clientes é através da diversificação, para poder chegar aos objetivos do cliente.

Bahia Econômica -Falando um pouco da economia do Brasil, a gente está num período de eleição, um período onde normalmente a volatilidade do mercado é maior, como a XP está vendo a interferência das urnas no cenário economico brasileiro?

Raphael Figueiredo – Deixa eu, antes de fazer uma ponderação importante aqui, é verdade o que você falou geralmente, em anos de eleição, a gente espera uma volatilidade maior, mas essa não é a realidade desse ano. A volatilidade histórica, ou seja, realizada até aqui, ela está baixa referente à volatilidade média histórica de todos os anos de eleição de 2002 até hoje, até esse ano. A gente está falando de uma volatilidade média histórica na faixa dos 27%, 28% e hoje a gente está por volta dos 22%, 23%. É possível que jaja uma mudança nesse cenário, sim, porém o cenário atual é de menos volatilidade. E o que justifica essa volatilidade baixa? A primeira delas é por conta do fluxo de capital estrangeiro que tem tido entradas recorrentes ao longo do ano, e eu não acredito que esse capital va migrar com o resultado das urnas. Independente de quem esteja no poder o cenário econômico deve prevalecer. Então, uma volatilidade baixa tem permitido fazer melhor uma distribuição de alocação e, inclusive, com um bom risco retorno. E aí tem muita gente postergando a decisão de investir por conta das eleições. E eu não acho isso correto. Eu acho que isso não deveria ser feito. Por quê? Porque o ambiente da volatilidade baixa significa que neste momento o mercado está dando oportunidades tecnológicas de risco retorno, principalmente ativos de renda variável. E sobre a política essa é mais uma eleição ultra polarizada e uma eleição onde os dois candidatos que estão na liderança através das pesquisas têm visões econômicas distintas e nós precisamos ficar de olho.

Bahia Econômica – O Banco Central Norte Americano e o Banco Central do Brasil anunciaram suas taxas de juros recentemente. O EUA aumentaram a taxa e o Brasil diminuiu. Como podemos analisar esse cenário? 

Raphael Figueiredo –  As politicas monetárias de Brasil e Estados Unidos foram diferentes no dia de hoje. Os Estados Unidos subiram as taxas e o Brasil reduziu. Então, não é que uma coisa anula a outra, mas eu não espero que haja uma forte saída de fluxo estrangeiro do país pelo fato das taxa-juros locais estarem mais baratas. O Brasil segue sendo bem atrativo, justamente porque o FED subiu a taxa de juros e a gente por aqui deve seguir uma trajetória de queda. Além disso, tem um outro componente da nossa economia que tem sido benéfico para a manutenção dos fluxos estrangeiros aqui no Brasil. São os termos de troca. Esses termos de troca tem sido muito favoráveis para valorizar a nossa moeda. Então uma moeda que se valoriza por conta do petróleo, por conta das commodites, que estão ganhando força lá fora e um diferencial de juros que se mantém atrativo sob a ótica do investidor estrangeiro. Agora, tem que ponderar isso, porque falar de câmbio é importante falar do dólar como moeda contra outras do mundo e não contra o real. E a gente vive um momento hoje de uma pauta fiscal americana bem delicada, complexa e o ambiente dos juros de longo prazo estão bem elevados e isso pode soar como incerteza futura para o investidor global e, portanto, o investidor que se torna mais incerto compra mais dólares para se proteger, portanto, ele pode causar o efeito de valorização do dólar globalmente falando, não necessariamente contra o real, mas é importante que haja essa ponderação.

Bahia Econômica – Sob as criptomoedas, qual sua expectativa para os proximos anos?  

Raphael Figueiredo – Olha, eu vejo que o bitcoin perdeu sua narrativa e acabou não se tornando uma reserva de valor. O mercado em algumas vezes estressou e o Bitcoin se tornou um ativo de risco, ele se tornou uma classe de cada vez mais centralizada através de outras classes atreladas a ele, então a indústria de ETFs, a própria compra de reserva em Bitcoin, então foi perdendo um pouco desse desafio do que foi na sua origem. Então dito isso, acho que justifica um pouco porque que dessa realização dessa queda recente que aconteceu. Dos investidores, entendendo que o Bitcoin é um ativo ligado à tecnologia um pouco mais alavancado que setores de tecnologia, como por exemplo o Nasdaq.

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