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ENTREVISTA COM ANA LIA FERRERO CEO DA PRIME ENERGY, EMPRESA DE ENERGIA

João - 25/05/2026 03:00 - Atualizado 25/05/2026

A transição energética na Bahia vem acelerando, impulsionada principalmente pela busca de pequenas e médias empresas por redução de custos e maior previsibilidade financeira. Segundo a Prime Energy, modelos como energia por assinatura e Mercado Livre de Energia têm ampliado o acesso à energia limpa sem necessidade de investimento inicial, especialmente entre setores com alto consumo recorrente, como restaurantes, hotéis, mercados, padarias, condomínios e atividades ligadas à agricultura.

Nos últimos cinco meses, a base de clientes da empresa no estado cresceu quase 80%, passando de 73 clientes em dezembro de 2025 para 131 atualmente, com destaque para cidades como Salvador, Feira de Santana, Lauro de Freitas, Camaçari e Jequié. A energia por assinatura tem liderado a adesão entre pequenos e médios empresários, principalmente por oferecer economia, previsibilidade e facilidade operacional.

 

Entrevista Ana Lia Ferrero

Bahia Econômica – Como a Prime Energy avalia o avanço da energia limpa na Bahia, considerando o protagonismo do estado em fontes renováveis? 

Ana Lia Ferrero – A transição energética na Bahia não é recente, mas vem ganhando força nos últimos anos, impulsionada principalmente pela ampliação de soluções mais acessíveis para pequenos e médios empresários.

Modelos mais flexíveis, como energia por assinatura e Mercado Livre de Energia, têm ampliado o acesso e permitido que empresas de diferentes portes busquem não apenas redução de despesas, mas também previsibilidade e maior controle sobre esse custo.

De forma geral, o que se observa é uma mudança de mentalidade, com a energia deixando de ser apenas um custo fixo e passando a ser tratada como um elemento estratégico dentro das empresas.

 

Bahia Econômica – Quais setores da economia baiana mais têm liderado a transição energética hoje? Há algum destaque recente observado? 

Ana Lia Ferrero – A transição energética na Bahia tem avançado principalmente entre segmentos com maior sensibilidade ao custo da energia, como restaurantes, condomínios residenciais, mercados, lojas de conveniência, varejo de menor porte e atividades ligadas à agricultura e cultivo.

Nos últimos meses, também observamos crescimento relevante em setores como hotéis, padarias e confeitarias, condomínios residenciais, agricultura e cultivo, além de empresas ligadas a vendas, aluguel e comércio de veículos. São segmentos que, em geral, têm consumo recorrente de energia e buscam alternativas para reduzir despesas e ganhar previsibilidade.

Na Bahia, a base de clientes atendidos pela Prime Energy passou de 73 clientes em dezembro de 2025 para 131 atualmente, o que representa um crescimento de cerca de 79%. Esse avanço tem sido observado especialmente em cidades como Salvador, Jequié, Lauro de Freitas, Camaçari, Simões Filho, Feira de Santana e Ipiaú, que concentram parte importante da carteira no estado.

 

Bahia Econômica – Dentro do portfólio da Prime Energy, qual solução tem apresentado maior adesão no estado: energia por assinatura, Mercado livre de energia ou certificados de energia renovável (I-REC)? 

Ana Lia Ferrero – Na Bahia, tanto o Mercado Livre de Energia quanto a energia por assinatura vêm avançando, mas com propostas distintas. O modelo por assinatura, no entanto, tem apresentado maior tração, especialmente entre pequenos e médios empresários.

Esse movimento acompanha o perfil médio dos clientes atendidos no estado, que possuem consumo em torno de 4.400 kWh por mês, equivalente a uma fatura média aproximada de R$ 4,4 mil. Para esse perfil de consumidor, a energia por assinatura se mostra uma alternativa acessível, pois permite reduzir gastos sem necessidade de investimento inicial, obras ou gestão operacional.

Em apenas cinco meses, a base de clientes da Prime Energy na Bahia saltou de 73 clientes, em dezembro de 2025, para 131 atualmente, um crescimento de quase 80% que reflete a busca crescente por soluções mais simples, previsíveis e alinhadas à realidade de pequenos negócios e operações locais.

 

Bahia Econômica – Quais fatores, na visão da Prime Energy, explicam o aumento da demanda por soluções energéticas mais flexíveis entre empresas baianas? 

Ana Lia Ferrero – A energia hoje é um dos principais componentes da estrutura de custos das empresas. Para negócios com consumo recorrente, mesmo variações aparentemente pequenas na tarifa podem gerar impacto relevante no orçamento ao longo do ano.

Na Bahia, observamos esse movimento em diferentes segmentos, como restaurantes, condomínios residenciais, mercados, lojas de conveniência, varejo, hotéis, padarias e atividades ligadas à agricultura e cultivo. São operações que dependem da energia para manter suas atividades diárias e, por isso, buscam alternativas que ofereçam maior previsibilidade.

Além disso, o país enfrenta há anos um cenário de maior instabilidade climática. Períodos de seca, inclusive no Nordeste, reduzem os níveis dos reservatórios e levam ao acionamento de usinas térmicas, que possuem custo de geração mais alto e pressionam as tarifas. Nesse contexto, o empresário já convive com riscos externos e busca, cada vez mais, reduzir a exposição à imprevisibilidade desse gasto.

Modelos como energia por assinatura e migração para o Mercado Livre de Energia permitem maior controle sobre esse custo, trazendo mais segurança para o planejamento financeiro das empresas. Na prática, isso também abre espaço para novos investimentos, como modernização de equipamentos, ampliação de operações e renovação de frotas.

 

Bahia Econômica – Como funciona, na prática, a energia por assinatura e por que ela tem ganhado espaço entre consumidores de menor porte? 

Ana Lia Ferrero – Uma forma simples de entender é comparar com um serviço de assinatura, como canais de streaming. O cliente não precisa produzir o conteúdo; apenas contrata o acesso.

No modelo de energia por assinatura, a eletricidade é gerada em usinas solares e compartilhada entre diversos consumidores, sem necessidade de investimento, obras ou gestão operacional. Os créditos dessa geração são abatidos diretamente na conta de luz, por meio da rede da distribuidora, gerando economia de forma simples e sem qualquer mudança na estrutura do imóvel ou da empresa.

Esse modelo tem ganhado espaço especialmente entre pequenos e médios empresários na Bahia. Na carteira da Prime Energy no estado, o ticket médio dos clientes é de aproximadamente 4.400 kWh por mês, equivalente a uma fatura média de cerca de R$ 4,4 mil. Para esse perfil, a possibilidade de reduzir despesas sem imobilizar capital em infraestrutura é um fator decisivo.

 

Bahia Econômica – Em termos gerais, quais são as principais vantagens da transição energética, seja por energia por assinatura ou Mercado livre de energia em comparação ao modelo tradicional das distribuidoras? 

Ana Lia Ferrero – A principal vantagem da transição para modelos como energia por assinatura ou Mercado Livre de Energia está na previsibilidade dos custos ao longo do tempo.

No modelo tradicional das distribuidoras, o consumidor está sujeito a oscilações frequentes, como as bandeiras tarifárias, a exemplo da amarela acionada neste mês de maio, que eleva o valor da conta de luz. Essas variações estão diretamente associadas a fatores climáticos, como períodos de seca, que reduzem os níveis dos reservatórios.

Já nos modelos alternativos, há maior controle sobre essa exposição. A energia por assinatura permite acesso à fonte renovável com mais estabilidade de gastos, sem necessidade de investimento ou gestão operacional. No Mercado Livre de Energia, esse controle é ampliado, com possibilidade de negociação de condições como preço e prazo.

Na prática, isso diminui a volatilidade da fatura e melhora a capacidade de planejamento financeiro, especialmente para empresas que têm na energia um insumo relevante para a operação.

 

Bahia Econômica – Para um empresário, por que a energia por assinatura pode ser considerada um investimento estratégico, e não apenas uma forma de economia na conta de luz? 

Ana Lia Ferrero – A energia por assinatura passa a ser estratégica porque transforma uma despesa variável e difícil de prever em um custo mais estável e gerenciável.

Em um cenário de oscilações tarifárias, reduzir essa exposição significa menos impacto no orçamento. Outro ponto relevante é a eliminação de investimento inicial. O empresário não precisa imobilizar capital em infraestrutura nem se preocupar com operação ou manutenção, podendo direcionar recursos para o core business.

Esse ponto é especialmente importante para pequenos e médios negócios, como restaurantes, mercados, lojas de conveniência, padarias, hotéis e comércios locais, que têm consumo recorrente de energia e precisam preservar caixa para manter ou expandir a operação.

Com isso, o impacto vai além da economia mensal. A redução de despesas recorrentes melhora a margem e libera recursos para reinvestimento, como expansão, modernização ou ganho de eficiência.

No fim, trata-se de uma decisão de gestão financeira mais inteligente, o que explica a incorporação desse modelo ao planejamento estratégico das empresas.

 

Bahia Econômica – A Prime Energy tem observado maior procura por energia limpa motivada por redução de custos ou por compromissos com ESG? 

Ana Lia Ferrero – Observamos que a procura por energia limpa na Bahia é inicialmente motivada pela redução de custos, principalmente pela busca de maior previsibilidade na conta de energia.

Esse movimento é potencializado pelas características do estado, que reúne forte capacidade de geração renovável, com destaque para solar e eólica, o que favorece o acesso a soluções mais competitivas. Ao mesmo tempo, à medida que as empresas passam a estruturar melhor sua gestão de energia, o componente de sustentabilidade e ESG também ganha relevância.

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