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PROMOVENDO EXPORTAÇÕES E IMPORTAÇÕES

Nicolle Melo - 13/03/2023 12:29 - Atualizado 13/03/2023

Na semana que se passou (10/03) fui convidado pelo Conselho de Comércio Exterior (Comex) da Fieb a participar de uma reunião em que ouviríamos o engenheiro florestal, ex-governador do Acre e ex-senador Jorge Viana, atual presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex – Brasil) e compareci com muito prazer. Durante a reunião fiquei recordando as aulas que ministrava no Curso de Comércio Exterior da Unifacs, quando chamava atenção dos alunos que uma boa estratégia para o Brasil era considerar nos planos de internacionalização da economia tanto as exportações como as importações, criticando o nome da Apex que só se referiaa exportações. Explicava que deveríamos considerar pelo menos três diretrizes quando o assunto fosse tratado.

Na primeira diretriz se precisaria considerar que comércio é um caminho de duas vias, exportações e importações. O modelo adotado pelos asiáticos, por exemplo, de importar matérias-primas e insumos, transformá-los e vende-los em outros países, não pode ser preterido. A Embraer teria continuadopequena se não tivesse adotado o modelo atual em que apenas manufatura 1/3 de seus componentes em sua sede em São José dos Campos, São Paulo, importando cerca de 1/3 dos Estados Unidos e 1/3 da Europa, transformando-se num dos maiores fabricantes de aviões do mundo. Os seus fornecedores colaboram com a abertura de mercado e chancelam a venda de um produto diferenciado possuidor de zero defeitos.

A segunda diretriz estratégica se refere à escolha entre as alternativas “produzir o que o mercado está comprando” ou “vender aquilo que se está fabricando”. A primeira delas é muito mais fácil de ser praticada do que a segunda e traz melhor resultado. Assim, os produtores de mangas das margens do Rio São Francisco, ao escolherem as mangas tipo Tommy Atkins, Keitt e Haden, fazem o certo e obtêm sucesso maior do que se estivessem cultivando em suas fazendas, para fins de exportação, as mangas Espada e Rosa, muito conhecidas no mercado doméstico brasileiro e pouco no exterior. Com isso não se quer dizer que não se deve praticar a segunda alternativa. As exportações de cachaça estão no segundo caso, por ser um produto pouco conhecido internacionalmente. Exportações com receita da caipirinha têm avançado nos EUA e Europa e mostrado que cachaça não é rum, porém, o esforço de marketing é bem maior para esta alternativa.

A terceira diretriz, refere-se às exportações de commodities primárias, desaconselhadas por alguns analistas por serem de produtos “in natura” com pouco ou quase nenhum processamento industrial e por possuírem baixo valor adicionado. Aqui deve-se separar as commodities agrícolas das commodities minerais. As commodities agrícolas são produtos renováveis a cada safra, enquanto as commodities minerais são finitas, esgotam-se com o tempo. A produção de alimentos no Brasil, onde há extensas terras agricultáveis e diante de uma população mundial crescente, sempre será um bom negócio. Para que se torne um negócio ainda mais atrativo é necessário melhorar a logística de seu escoamento, a produção de adubos e fertilizantes, a fabricação de defensivos agrícolas e estímulos à manufatura nacional de máquinas e implementos agrícolas. Adiciona-se a isso uma política de comercialização que mude a atual, passando de uma em que o “ser comprado” seja substituído por outra em que predomine o “saber vender”, fugindo da prática que apenas beneficia o cumprimento dos contratos de venda dos agentes intermediários.

Governos de muitos países procuram promover as importações, como a Holanda, que através do Centro de Promoção de Importações (CBI, sigla em inglês) atua desde 1971 e conseguiu transformar o Porto de Roterdã no maior porto da Europa. Na reunião com Jorge Viana foi apresentado um caso muito interessante de exportação de acarajé por uma baiana de família tradicional neste ramo de negócio, recebendo muitos aplausos. No entanto, apesar dos méritos da iniciativa, há de se convir que a tarefa é muito difícil de ser cumprida, principalmente por ser quase impossível incluir os complementos indispensáveis a um bom acarajé, inclusive o camarão seco, difícil de ser encontrado no exterior. Mesmo a exportação da massa de feijão fradinho traria dificuldades, pois o óleo de dendê comestível, indispensável à fritura,não é encontrado facilmente no exterior. Não quero desestimular o empreendimento, mas lá fora estão comprando muita coisa mais fácil de ser fabricada e exportada. Sem atender a essa premissa nós continuaremos a ser um dos países mais fechados do mundo, com pequena participação no comércio mundial.

Adary Oliveira é engenheiro químico e professor (Dr.) – adary347@nm

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