A ESTRATÉGIA POLÍTICA DE RUI COSTA E DE ACM NETO NA ELEIÇÃO PARA PREFEITURA DE SALVADOR

A ESTRATÉGIA POLÍTICA DE RUI COSTA E DE ACM NETO NA ELEIÇÃO PARA PREFEITURA DE SALVADOR

Qual a estratégia do governador Rui Costa e do Senador Jaques Wagner ao patrocinar a indicação da major Denice Santiago, da Ronda Maria da Penha, para concorrer à prefeitura pelo PT?  Difícil responder a esta pergunta, mas a resposta mais razoável é a que coloca de um lado a inexistência de um nome de peso para representar o PT e de outro a necessidade do partido ter um candidato a prefeito para assim fazer uma bancada de peso na Câmara de Vereadores.  Wagner e Rui sabem que major da Ronda Maria Penha dificilmente terá possibilidade de vencer as eleições ou sequer chegar ao segundo-turno, mas ambos estão apostando na sua liderança e na participação de Lula na campanha para assim alavancar a militância e fazer uma boa bancada no legislativo municipal. É verdade que essa estratégia passa ainda pela pacificação do partido, que está em polvorosa com quatro pré-candidatos ainda a postos.

Essa é a estratégia para o PT, mas a estratégia de Rui e Wagner tem outra dimensão e consiste na expectativa de que alguns dos candidatos da sua base, seja ele quem for, consiga ir para o segundo turno para então ter seu apoio e do PT. A multiplicidade de candidatos na oposição atende assim a todos os partidos da base, que vão ter candidatos próprios e buscar fazer a maior bancada possível na Câmara de Vereadores, torcendo para que um deles caia no gosto do eleitor e vá para o 2º turno.  Essa estratégia, pela falta de nomes que empolguem um eleitorado fortemente cativado pelo prefeito ACM Neto, corre o risco de dar a ele a vitória no 1º turno.

A estratégia de ACM Neto é o oposto da escolhida pelo governador Rui Costa: ele vai unir toda a sua base em torno de um único candidato, Bruno Reis, garantindo aos partidos que o apoiam a eleição os nomes que vão compor a bancada de cada um. Mas há um ponto cego nessa estratégia: que papel vai cumprir Léo Prates? Na conjuntura atual, o mais adequado seria concretizar a aliança PT/DEM, já articulada nacionalmente (veja aqui), colocando Prates como vice de Bruno Reis. Esse é o jogo e parece jogo jogado! Mas, e em política há sempre há um mas, outra estratégia poderia estar passando pela cabeça do Prefeito e estaria dada pela manutenção da candidatura de Léo Prates, o que atrairia uma parte do eleitorado mais a esquerda e seria uma alternativa no caso do vice-prefeito não se posicionar bem na campanha.  Essa estratégia é perigosa, pois racha o discurso de união e pode transformar os dois candidatos do prefeito em grandes adversários. Por isso, a segunda hipótese parece difícil de se concretizar, mas em política tudo é possível. (EP- 03/02/2020)