PAULO AMILTON : VIVA OS SOCIALISTAS BRASILEIROS

PAULO AMILTON : VIVA OS SOCIALISTAS BRASILEIROS

Uma anedota muito popular nas redes sociais brasileiras diz o seguinte:

Um Padre ligado a Ação Pastoral da Terra (APT) está visitando um acampamento do Movimento dos Sem Terra (MST) e indaga a um assentado, “Ohh companheiro, se vossa pessoa tivesse a posse de um milhão de reais, você dividiria com seus outros companheiros de assentamento?” O assentado afirma, “claro que sim, seu Padre”. O Padre então pergunta novamente, “E se vossa pessoa tivesse umacasa no Horto? Também dividiria?” O assentado responde novamente, “claro que sim, reverendo!!!” Aí o Padre resolve diminuir o valor das posses e pergunta, “E se você tivesse duas galinhas, você daria uma para sua comunidade?”. O assentado retruca de forma veemente, “dava não, seu Padre!!”. O Padre surpreendido, retruca, “Por que não? Você dividiria posses tão valiosas e não faria o mesmo com uma galinha? O assentado diz, “Seu Padre, é porque as galinhas eu tenho!!!”

Esta anedota espelha incrivelmente bem como nossos socialistas agem. No discurso defendem os menos favorecidos, excluídos e rejeitadose desejam que aconteça na sociedade brasileira um processo de redistribuição de propriedades e rendas. Mas desde que não seja as deles, mas as de outrem.

O que caracteriza a sociedade brasileira é sua imensa desigualdade. Está desigualdade é principalmente de oportunidades. A desigualdade de renda é consequência da desigualdade de oportunidades. A justiça social é a condição de igualdade na saída para a vida. O desenrolar da vida de alguém vai depender de cada um, de sua sorte, diligência e capacidade de inovar. A igualdade, principalmente, é dar condições iniciais condizentes e iguais a todos os cidadãos do Brasil, independente de sexo, classe, religião, etnia, cor, etc. É dar para aqueles com menores condições a oportunidade de ter um emprego no futuro que garanta ao mesmo uma renda suficiente para se ter uma vida plena.

Então, se nossos socialistas são a favor de justiça social, devem empreender políticas que deem mais igualdade de oportunidades. Isto deve necessariamente começar pela educação igualitária e de qualidade. Será que fazem isto?

Tenho dúvidas, nossos socialistas lutam para que o sistema educacional mude o nosso léxico. Para eles é essencial que não existam as palavras do tipo, meninos ou meninas, mas meninxs. O fim do artigo que indica sexo será a redenção das classes oprimidas, vai garantir o aumento da empregabilidade dos menos favorecidos, contribuirá para um ganho significativo de produtividade e, por conta disto, um aumento de salários e rendas.

Enquanto isto, o Brasil coleciona resultados vexatórios na educação. Foi divulgada na terça desta semana o resultado do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes). O Brasil foi contemplado com uma colocação que está entre as vintes piores entre 79 países avaliados. Em ciências ficamos na 67ª posição, em matemática 71ª colocação. Em leitura, na 58ª.  Metade dos alunos que realizaram a prova simplesmente não entendem o que lê.

Entre aqueles, 68% não atingiram o nível 2 do teste, ou seja, não conseguem interpretar e executar procedimentos básicos seguindo orientações diretas. Dito de outra forma, não sabem ler e executar um manual. Continuando, 50% tem problemas de interpretar informações e entender contextos, que leva os mesmos a não entenderem nem notícias de jornal. Os resultados são da edição de 2018, que foram ligeiramente melhores do que a edição de 2015. Ou seja, na educação estamos perpetuando a desigualdade ad infinitum.

Mas nossos socialistas acham que o caminho a seguir é aprofundar o método que existe hoje e que já se mostrou falido. Para eles devemos combater a escola sem partido. Ensinar matemática, física e química é instrumento de dominação se não for empregado a metodologia de Paulo Freire. Uma perda de tempo enorme e uma condenação de gerações de jovens a continuarem a ser oprimidos.

No tocante a distribuição de renda também temos pérolas socialistas. Recentemente o governador de Pernambuco, o senhor Paulo Henrique Saraiva Câmara, do Partido Socialista Brasileiro (PSB) encaminhou a Assembleia Legislativa do Estadode Pernambuco (ALEPE) um projeto de lei que altera as alíquotas de contribuição previdenciária dos servidores públicos.

Naquele projeto, a contribuição passa de 13,5% para 14% de forma linear. E olhem, o PSB criticou fortemente a reforma da previdência proposta pelo governo federal porque, segundo o discurso do governador, atingia de forma mais forte os indivíduos de renda menores. A reforma da previdência federal, de um governo de direita, estabeleceu a alíquota de 14% de contribuição, mas de forma diferenciada, começando de 7,5% para quem ganha um salário mínimo, 9% para aqueles que ganham até R$2000,00 indo até 22% para quem recebe proventos além do teto salarial do governo federal.

No Estado de Pernambuco, de um governo socialista, não existiu a preocupação de tornar a contribuição previdenciária menos pesada para os mais desfavorecidos, que seria uma grande oportunidade de mitigar a desigualdade de renda. Sabe por que tanta preocupação com justiça social com a reforma federal e nenhuma com a reforma estadual? A resposta é igual a do assentado acima, a receita proveniente da reforma federal não é de responsabilidade de governador de Pernambuco, mas a receita da reforma do estado é sim, e está não pode ser objeto de redistribuição.

Viva os socialistas brasileiros.