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NOSTRADAMUS E O RELÓGIO DO JUÍZO FINAL – ARMANDO AVENA

Redação - 26/01/2024 08:04

Não creio no fim do mundo. Mas se ele acontecer vai ser num tempo em que já não estarei aqui. Contudo, ando meio cabreiro com 2024, que chegou cheio de maus augúrios. Para começar, Nostradamus, o mais famoso dos astrólogos, fez previsões sobre 2024 em suas centúrias e afirma que um “adversário vermelho ficará pálido de medo”. A frase não diz nada, mas tem experts em Nostradamus afirmando que se trata da China e que seria uma premonição sobre um possível conflito naval nos mares do Pacífico. Nostradamus era francês e começou a fazer previsões em 1547 em centúrias, versos rimados, agrupados em grupos de cem. Mas ali tem de tudo, e pode ser interpretado de mil maneiras, para o bem e para o mal. Ah, os franceses! “Fecham alguns loucos numa casa, para persuadir que os que ficam fora não o são”, diria Montesquieu. Nostradamus prevê também o agravamento de questões climáticas, avisando que regiões secas ficarão mais secas e haverá inundações. Ora, isso o mundo está careca de saber e, ainda assim, seus líderes fazem muito pouco para evitar.

 Pior do que as previsões de Nostradamus, foi o estudo feito por cientistas britânicos e suíços na Universidade de Bristol, no Reino Unido, publicado na revista Nature. Eles  determinaram, com certa exatidão, como e quando o fim do mundo acontecerá e será o aquecimento global quem vai dizimar a vida terrestre. Um calor sem precedentes, com temperaturas de até 70°C, resultará na extinção de todos os seres vivos.  Será o dia de Deus, previsto na Bíblia, em 2 Pedro 3:12, “quando os céus em fogo se dissolverem e os elementos abrasados se derreterem”. Graças a Deus, o estudo alerta que isso só acontecerá daqui a 250 milhões de anos, mas, se o homem não fizer sua parte, ano a ano vai ficar mais difícil viver por aqui.

 Para completar, descobri que um grupo de cientistas criou, em 1945, o Bulletin of the Atomic Scientists, logo após os americanos jogarem a bomba atômica em Hiroxima e Nagasaki.  E criaram o relógio do Juízo Final (“doomsday clock”) que marca quanto tempo falta para o fim-do-mundo. A ideia era mostrar aos homens o quanto estamos perto de um evento nuclear. Depois, o Bulletin passou a medir também o impacto das mudanças climáticas.

 Ora, e não é que esse maldito relógio, acertado todos os janeiros, resolveu indicar, pela primeira vez desde sua criação, que falta apenas 90 segundos para o fim do mundo, baseando sua previsão no fato da Terra ter tido, em 2023, o ano mais quente de que há registo e em eventos como a guerra na Ucrânia,  o conflito no Oriente Médio, o choque entre China e os EUA e o aumento nos arsenais nucleares em vários países.

 Mas não se assuste, leitor, em 1953 o relógio marcou dois minutos para o fim do mundo, mas retrocedeu. Os humanos são estúpidos, mas sabem que se o relógio bater meia-noite nenhum deles vai ouvir as badaladas.

Publicado no jornal A Tarde em 26/01/2024

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