segunda, 18 de maio de 2026
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ENTREVISTA COM LUCAS TOSATI DA SERASA SOBRE O NOVO DESENROLA 2.0

João - 18/05/2026 04:59

Bahia Econômica – As lojas de varejo estão abrindo promoções nesse período pré-copa do mundo com cartões de crédito próprios e parcelas que podem chegar a 36 meses. Esse tipo de crédito é bem-visto para o consumidor?

Lucas Tosati – Depende da realidade específica do consumidor. O mais importante é atrelar o uso do crédito com responsabilidade e consciência financeira, para evitar o endividamento. Segundo pesquisa da Serasa do primeiro trimestre de 2025, o principal motivo dos brasileiros para a contratação de crédito ou empréstimos ao longo do ano é o pagamento de dívidas acumuladas. O que pode ocorrer, em muitos casos, é o uso do crédito como extensão da renda das famílias, ao invés de um recurso financeiro pontual e planejado. Por isso, reforçamos a necessidade de ampliar o acesso à educação financeira de qualidade, ajudando o brasileiro a cuidar das finanças de forma mais confortável e a utilizar o crédito de maneira saudável.

Além disso, o consumidor precisa avaliar com atenção o custo total da compra e o impacto das parcelas no orçamento futuro. Em financiamentos mais longos, existe um risco importante de comprometimento prolongado da renda, especialmente em um cenário de inflação, aumento das despesas básicas ou perda de poder de compra. Muitas vezes, a parcela parece pequena no momento da contratação, mas passa a disputar espaço com contas essenciais ao longo do tempo.

Outro ponto de atenção é evitar comprar por impulso, muitas vezes estimulado pela facilidade de aprovação e às condições promocionais imediatas. Antes de assumir uma dívida de longo prazo, é importante refletir se aquela compra atende a uma necessidade real, se existe margem no orçamento para absorver o compromisso e se o parcelamento não comprometerá objetivos financeiros futuros, como a formação de uma reserva de emergência ou a quitação de outras dívidas. O crédito pode ser um aliado quando utilizado de forma planejada, mas tende a se tornar um fator de risco quando é usado para compensar desequilíbrios financeiros recorrentes.

Bahia Econômica – Como ele deve analisar esse tipo de proposta?

Lucas Tosati – O primeiro passo do consumidor é entender o seu contexto financeiro. Ou seja, analisar quais são seus gastos fixos, suas despesas variáveis e sua renda ao longo do mês. Nesse sentido, a educação financeira se mostra fundamental, pois ajuda o brasileiro a compreender o que faz sentido para a sua realidade. Em pesquisa da Serasa sobre o endividamento com bancos, por exemplo, 53% dos respondentes que acreditam poder ter evitado as dívidas reconhecem que um melhor planejamento financeiro faria diferença.

Além disso, é importante avaliar o valor da parcela e o peso total daquele compromisso ao longo do tempo, considerando o impacto acumulado de outras contas e financiamentos já existentes. O indicado é verificar qual percentual da renda mensal ficará comprometido após a contratação do crédito e evitar assumir parcelas que reduzam sua capacidade de lidar com imprevistos.

Outro cuidado importante é comparar condições entre diferentes modalidades de crédito. Muitas vezes, o parcelamento oferecido pela loja pode parecer vantajoso pela facilidade e pelo apelo promocional, mas apresentar juros mais altos embutidos no longo prazo. Ler o contrato com atenção, entender taxas, encargos por atraso e o valor final pago ao término das parcelas é indispensável para uma decisão consciente.

Também vale observar o momento da vida financeira antes de fechar a compra. Quem já possui dívidas em atraso, utiliza frequentemente o limite do cartão ou depende do crédito para despesas básicas precisa ter cautela redobrada. Nessas situações, o mais indicado pode ser reorganizar o orçamento e priorizar a renegociação de pendências antes de assumir novos compromissos financeiros.

Bahia Econômica – A que fatores você atribui a alta da inadimplência na Bahia?

Lucas Tosati – A inadimplência é causada por diversos fatores macroeconômicos, como juros altos, relações internacionais, inflação e mudanças no custo de vida, e sociais, como a falta de educação financeira. Na Bahia, os principais tipos de dívidas são aquelas oriundas de bancos e cartões de crédito, com 33% do total, seguidas por pendências com financeiras (empresas que concedem crédito, mas não são bancos), com 22,7%. Na sequência, aparem dívidas de varejo (14,9%), serviços (12,2%) e contas básicas de água, luz e gás (11,1%).

Bahia Econômica –  Quais os mecanismos podem ser utilizados para combater a inadimplência na Bahia?

Lucas Tosati – O combate à inadimplência passa por uma combinação de educação financeira, iniciativas de negociação de dívidas e conscientização em relação ao uso do crédito. Em um cenário em que muitas famílias ainda convivem com orçamento pressionado, ampliar o acesso à informação sobre finanças pessoais é fundamental para que o consumidor compreenda melhor sua relação com o dinheiro, aprenda a planejar despesas e desenvolva hábitos financeiros mais sustentáveis.

Na mesma linha, ampliar ações de quitação de dívidas é uma oportunidade importante para milhões de brasileiros retomarem o controle da vida financeira. Para além de campanhas pontuais, pensando em ganhos sustentáveis ao longo do tempo, é preciso avançar em condições estruturais, como um ambiente de juros mais baixos, além da continuidade de ações econômicas e de educação financeira.

Bahia Econômica –   Qual sua avaliação sobre o novo Desenrola do governo federal?

Lucas Tosati –Apoiamos todas as inciativas que reforçam nosso propósito de ajudar as pessoas a obterem uma vida financeira mais saudável. Estamos acompanhando as informações disponibilizadas pelo Governo, e acreditamos que o programa vai ao encontro do objetivo da empresa de apoiar brasileiros no combate à inadimplência e reforçar o processo de educação financeira.

Ampliando as oportunidades, ofertas de instituições bancárias parceiras do Novo Desenrola Brasil também poderão ser encontradas no Serasa Limpa Nome, com descontos de até 90%. Além disso, pelo site ou app, também é possível negociar outras pendências com diversos segmentos, como varejistas, telecomunicações, serviços, concessionárias de energia, água e gás, entre outros.

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