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ENTREVISTA COM TÂMARA AZEVEDO CANDIDATA AO SENADO PELO PSOL

Redação - 23/08/2022 12:55

Bahia Econômica – As últimas pesquisas apontam que o candidato a reeleição Otto Alencar tem 30% das intenções de voto em média. Já a senhora aparece em quarto lugar com menos de 5%. Como a senhora pretende fazer para reverter essa diferença?

Tâmara Azevedo – Cada dia que passa o povo baiano me conhece melhor. As pesquisas mostram que mais de 60% do eleitorado ainda não sabe em quem votar. Isso revela um grau enorme de desconhecimento e que a maior parte das pessoas ainda não está com a eleição totalmente em seu radar. Tenho certeza que quando a nossa candidatura cair na boca do povo, esse resultado vai mudar. Historicamente a esquerda na Bahia soma pelo menos 30% dos votos. Precisamos então que a nossa mensagem chegue, que as pessoas olhem para essa chapa e entenda que é a única entre estas opções que é capaz de representar os interesses de quem mais precisa, fugindo da lógica que opera na Bahia, da velha política, do coronelismo e hoje de vários que são a base de sustentação desse governo Bolsonaro.

Bahia Econômica – Quais os principais pontos que a senhora pretende defender caso seja eleita senadora pela Bahia?

Tâmara Azevedo – Meu primeiro passo é ajudar o presidente Lula a reconstruir o Estado brasileiro, que foi fortemente desmontado durante o período desse desgoverno. Vou priorizar os que hoje não estão representados em pluralidade no Congresso e na promoção de políticas públicas. Entre eles os indígenas, a população LGBQTIA+, pretos e mulheres, e propor soluções que considerem as suas vulnerabilidades. Também vou ser uma defensora voraz da cultura, não só pela relação que tenho com a categoria e envolvimento com as diferentes manifestações artísticas, mas entendendo a sua importância na sociedade. Temos compromisso em se colocar ao lado das pautas progressistas, de respeito à liberdade individual e religiosa, ambientalistas e de valorização do SUS. A pandemia de Covid-19 escancarou a necessidade do SUS e a sua importância e vamos lutar pelo investimento público na saúde. Teremos atenção especial também à nossa juventude, hoje desiludida com poucas oportunidades e principal vítima da violência urbana, e colocar em prática projetos para combater a fome no Brasil. Seja no incentivo à agricultura familiar na zona rural, como também dando assistência para reduzir o problema nas cidades.

Bahia Econômica – O apoio do Psol ao presidente Lula, declarado pelo candidato ao governo Kléber Rosa, pode confundir o eleitor da sua campanha, visto que Lula defende a eleição de Jerônimo governador?

Tâmara Azevedo – Nacionalmente o nosso partido decidiu não apresentar candidaturas e já apoiar o Presidente Lula no primeiro turno. Temos responsabilidade com a sociedade brasileira e nosso principal objetivo é livrar o Brasil do fascismo e do bolsonarismo. O PSOL trouxe para campanha do presidente Lula propostas concretas que orientam o Programa de Governo apresentado por Lula a sociedade brasileira. Nossa contribuição é programática. Coisa que não conseguimos realizar estadualmente, haja vista a preferência do PT local com alianças de centro.  Temos nosso próprio palanque nessas eleições que servirá para garantirmos a eleição da maior liderança nacional de esquerda. A gente entende que a luta no Brasil é outra. É para derrotar o bolsonarismo, para expurgar esse presidente que está destruindo a nossa nação, que colocou o país de volta no mapa da fome, que fez muitos brasileiros conhecerem na pele o que é o efeito na inflação a cada ida ao supermercado. Apoiar Lula é confiar no único capaz hoje de vencer Bolsonaro, que tem com ele o apoio das massas e dos movimentos sociais, que é quem buscamos representar quando chegarmos no Congresso.

Bahia Econômica – Como a senhora avalia as alianças politicas locais formadas para campanha de 2022. Com ex aliados de Neto se unindo a Jerônimo e ex aliados de Rui se unindo a Neto?

Tâmara Azevedo – As alianças de 2022 na Bahia são fruto de um governo de coalizão. Nós tínhamos um governo democrático onde centro e direita ganharam muito espaço, ao ponto de PSD e PP alcançarem mais de 100 prefeituras cada uma, com o PT diminuindo de tamanho. Ficou evidente que dali em diante o PT ficaria refém desses partidos. O nosso partido não se assemelha em nada com isso, não tem acordos com centrão ou com a direita, e permanece no campo em defesa à nossa população. A verdade é que tem alguns partidos como o PSD de Otto Alencar, o PP de Cacá Leão, e o próprio PL, de Raíssa Soares, que são do velho ‘Centrão’. Vão para onde a banda toca, para onde for melhor para formar caixas invíseis de campanha como é o caso do orçamento secreto que aprovaram. Já estiveram em ambos os lados e na maior parte das vezes essas mudanças não se dão pelo programa de governo que se identifica, muito pelo contrário, por negociatas, troca de cargos, vantagens e possíveis ganhos pessoais. A ideia é viver pendurado nos beiços do poder. E eu não compactuo com isso.

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