

A eleição, pelo menos por enquanto, promete uma disputa acirrada entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. Mas este não seria apenas um confronto entre dois nomes, mas a expressão de um modelo político marcado por polarização, alta rejeição e centralidade das redes sociais. Aqui marqueteiros, estrategistas, políticos e os próprios candidatos precisam saber que, em cenários assim, campanhas tradicionais perdem eficácia, e o eixo decisivo passa a ser a gestão das emoções, da identidade e da mobilização.
O ponto é que ambos os candidatos apresentam rejeição elevada e com isso a lógica da eleição muda. Não vence quem é mais amado, mas quem é menos rejeitado e consegue manter sua base engajada. O objetivo deixa de ser convencer o eleitorado e passa a ser a mobilização intensa, e tudo que possa reduzir o entusiasmo do adversário e mostrar que ele vai perder.
As redes sociais tornam-se assim o campo principal dessa disputa. As redes precisam ser utilizadas pelos candidatos de forma a reforçar crenças já arraigadas, cimentar o pertencimento e motivar a reação emocional. Nesse ambiente, mensagens simples, repetidas e carregadas de emoção tendem a ter mais impacto do que propostas complexas e detalhadas.
No caso de Lula, a estratégia passa pela reativação de sua narrativa biográfica, baseada na trajetória de superação e identificação popular. O melhor de Lula é sua identificação com a população pobre, que vê nele um aliado. E também a classe média baixa, mas aí ele está perdendo apoio. O foco tem de ser na manutenção da base e na recuperação dos eleitores da chamada classe C, que se tornou importante exatamente por causa de Lula, mas que agora quer mais.
Atrair esse eleitorado e consolidar sua imagem com linguagem simples e exposição controlada de vulnerabilidades é o caminho para o petista e vai ajudar a reduzir rejeição. Ao mesmo tempo, um discurso de estabilidade pode dialogar com o eleitor cansado da polarização, desde que não desmobilize sua base.
Já Flávio Bolsonaro enfrenta o desafio de equilibrar mobilização e rejeição. Sua força está na identidade política consolidada, que permite ativar valores como liberdade e segurança. No entanto, precisa construir diferenciação própria e adotar uma moderação tática, evitando ampliar resistências fora de seu núcleo mais fiel.
Apostar excessivamente em ataques diretos será um erro. Esse tipo de estratégia tende a produzir efeito reverso, fortalecendo o adversário e ampliando o desgaste geral. O contraste indireto, a ironia e a comparação de trajetórias são muito mais eficazes.
A campanha de ambos deve se focar em três níveis:
E, atenção, nesse mundo das redes sociais: a velocidade importa mais que perfeição. O foco deve ser descentralizado, com influenciadores e produção contínua de conteúdo. Nesse contexto,.
Por fim, há um fator decisivo e paradoxal: o cansaço da polarização. Ao mesmo tempo que a população está radicalmente envolvida na polarização, está também cansada dela. Parte do eleitorado busca estabilidade e menor tensão política. Explorar esse sentimento pode reduzir a rejeição, mas também apresenta o risco de diminuir o engajamento.
Em síntese, uma eleição como essa não será decidida por programas ou debates técnicos, mas pela capacidade de mobilizar emoções, controlar rejeição e dominar a dinâmica das redes sociais. (EP- 27/04/2026)



