

A disputa pela eleição do no presidente do Brasil será uma disputa pela credibilidade de cada um.
No momento atual Flávio acena apenas com promessas, mas a força da ideia de mudança está lhe dando vantagem. Só que uma eleição presidencial não se vence apenas com promessas. É preciso demonstrar que elas podem ser cumpridas, explicar como serão financiadas e convencer o eleitor de que o candidato tem condições de transformar seu discurso em resultados.
Lula tem credibilidade, mas para seu eleitor cativo, ele precisa mostrar algo de mudança para o eleitor que ainda não está com ele. Seu desafio não é apenas defender o que realizou, mas conquistar o eleitor que não quer nem a continuidade do lulismo nem o retorno do bolsonarismo. Esse segmento, heterogêneo e decisivo, reconhece a importância das políticas sociais, mas está preocupado com a situação fiscal, a inflação, a segurança pública e quer algo novo.
No fundo, o eleitor, especialmente o não polarizado, quer que Flávio prove que seu programa é executável e/ou que Lula mostre que tem capacidade de oferecer algo novo.
Flávio acena com mudanças na economia e com a retomada de uma agenda liberal. Mas não diz como pretende executar seu programa. Promete tudo e não entrega nada. O candidato não diz como pretende conciliar suas propostas com a realidade das contas públicas. Ele diz que vai reduzir impostos, ampliar investimentos e ao mesmo tempo preservar programas sociais e equilibrar o orçamento. São propostas impossíveis de serem implementadas. Flávio parece aquele camelô que diz com muita ênfase e convicção que seu produto é bom, mas ele não pára em pé.
Lula tem credibilidade no que fez, mas não conseguiu apresentar novidades que encantem o eleitor, especialmente o não polarizado. Lula é como aquele camelô que vende produtos bons, mas sua banca tem neste momento os mesmos produtos e ele precisa apresentar produtos novos.
Lula está fazendo um enorme esforço para apresentar coisas novas e a aprovação da escala 6 por 1 é uma delas. Mas isso não basta. É preciso apresentar sinais concretos de que um novo mandato poderá corrigir problemas e incorporar compromissos capazes de ampliar a confiança.
Uma possibilidade, por exemplo, seria anunciar Geraldo Alckmin como ministro da Fazenda de um eventual novo governo. A escolha teria um significado político importante.
Lula poderia ainda apresentar um plano de estabilização da dívida, propor uma agenda de eficiência dos gastos e convocar governadores, inclusive da oposição, para um pacto nacional de segurança pública.
Em 2002, a Carta ao Povo Brasileiro ajudou Lula a reduzir resistências e conquistar a confiança de parcelas do eleitorado que desconfiavam de sua orientação econômica. Agora, ele precisa encontrar uma nova maneira de transmitir segurança sem abandonar sua agenda social. Uma declaração de intenções, porém, não será suficiente. O eleitor terá de enxergar compromissos concretos e disposição para cumpri-los.
Os dois candidatos precisam, portanto, superar a distância entre discurso e realidade. Flávio deve explicar como pretende financiar suas promessas e realizar o ajuste fiscal. Lula precisa demonstrar que é capaz de renovar seu projeto, combinar proteção social com responsabilidade econômica e dialogar com quem não integra sua base eleitoral. (EP-12/10/2026)



