

Os movimentos políticos recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstram que sua estratégia nesta eleição é ganhar no primeiro. A estratégia faz sentido, pois as pesquisas mostram que uma disputa no segundo turno, com qualquer um dos candidatos, será imprevisível. E Lula sabe que se houver segundo turno terá de enfrentar a direita unida, a vontade de mudança que paira no ar e a força dos Estado Unidos, com Donald Trump e Marco Rúbio fazendo de tudo para que ele perca a eleição como foi feito no segundo turno da eleição na Colômbia e no Peru.
Mas qual é a estratégia de Lula para ganhar no primeiro turno? E existe efetivamente essa possibilidade?
A estratégia de Lula já está em curso. Ele se reaproximou do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), recebeu apoio explícito do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) e conseguiu que o Centrão não indicasse o vice de Flávio Bolsonaro e se mantivesse neutro na campanha.
Com isso, pavimentou o apoio no Congresso para tentar aprovar a PEC da Segurança Pública e o fim da escala 6 por 1, o que atrairia os votos de parcela expressiva dos eleitores indecisos e daqueles que estão em dúvida quanto a votar em Lula ou Flávio Bolsonaro.
Essas duas pautas atingem dois elementos fundamentais da preocupação do eleitor: O fim da 6x, atinge o trabalhador e significa mais renda, tempo livre e qualidade de vida; A Pec da Segurança pública atinge a classe média e trabalhadores e os eleitores preocupados com criminalidade.
A estratégia de Lula pode dar certo, afinal, o fim da escala 6×1 tem apoio de cerca de 7 em cada 10 brasileiros, segundo pesquisa Quaest. E o governo colocou tanto a 6×1 quanto a segurança pública entre suas prioridades para 2026.
Para ganhar no primeiro turno, Lula teria de ter 50% mais um dos votos válidos e seus números nas pesquisas, que variam de 38% a 40%, torna difícil a empreitada. Mas, a acreditar na última pesquisa Atlas/Bloomberg, que acerta todas, e colocou Lula com 44,9% contra 35,8% de Flávio, a possibilidade de ganhar no primeiro turno aumenta muito.
E aqui há um detalhe fundamental. Lula não precisa chegar a 50% nas pesquisas.
Para ganhar no primeiro turno, ele precisa ter mais da metade dos votos válidos. Portanto, se houver muitos votos brancos/nulos e os candidatos menores aumentarem seu número de eleitores, Lula poderia, por exemplo, ganhar com algo próximo de 47% ou 49% das intenções totais.
E, como os candidatos alternativos à direita estão muito fragmentados, e todos querendo crescer, mesmo tirando votos uns dos outros, essa possibilidade existe e não é desprezível.
Mas existem alguns obstáculos importantes: um deles é a rejeição de Lula, que caiu, mas ainda está muito alta e chega a 52% na Quaest, embora Flávio tenha 54%. E a campanha televisiva na qual os candidatos de direita tentarão descontruir Lula.
Mas se Flávio ficar focado apenas no eleitorado bolsonarista e Caiado/Zema/Renan conseguirem crescer um pouco, a possibilidade da eleição ser decidida no primeiro turno aumenta muito. O fato concreto é que Lula, segundo a média das pesquisas, tem cerca de 45% dos votos válidos, e com isso bastaria mais 5 ou 6 pontos percentuais para ganhar no primeiro turno.
A estratégia de Lula está certa. Ele precisa ganhar no primeiro turno, pois o segundo turno será imprevisível. Mas resta saber se isso é possível. (EP-17/08/2026)
Foto: Adriano Machado/Reuters



