

A malha aérea brasileira enfrenta uma forte turbulência após a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) anunciar a suspensão imediata de quase metade de suas fiscalizações. O recuo acontece devido ao congelamento de R$ 24 milhões nas contas do órgão, determinado por decreto federal em 29 de maio de 2026.
A medida atinge aeroclubes, oficinas e empresas do setor. O bloqueio de verbas travou a validação de novos jatos comerciais e os exames para a formação de pilotos e comissários. A decisão preocupa o turismo e a economia local, já que o transporte de passageiros no Nordeste lida com a falta crônica de mão de obra qualificada.
Empresas que operam nos terminais da Bahia, como Azul, Gol e Latam, devem sofrer com a lentidão dos processos. Modelos modernos, a exemplo do Embraer E195-E2 e do Airbus A330-900, correm o risco de ficar parados nos hangares aguardando liberação de documentos.
A crise orçamentária respinga também nos planos de expansão da Embraer. Conforme informações publicadas pelo jornal O Globo, a fabricante nacional aguardava vistorias da autarquia para avançar com projetos de ponta, como os carros voadores elétricos (eVTOL). Sem pessoal em campo para emitir os laudos, o mercado teme atrasos na abertura de destinos regionais no interior do estado. Em nota oficial, a própria agência reguladora alertou para as consequências do desfalque financeiro:
“Sem certificação, não há operação de novas aeronaves no mercado de aviação civil brasileiro. Os bloqueios causam prejuízos diretos a toda a sociedade brasileira, além de queda na arrecadação.”
Crédito: Foto: Divulgação/ ANAC