

A empresa Tronox, sediada na Bahia, estava discutindo com o governo da Bahia uma parceria para explorar e processar terras raras no Estado, mas as discussões desaceleraram, pelo menos neste momento, em meio ao impasse da relação diplomática entre Brasil e Estados Unidos, segundo informa o jornal Valor.
As conversas teriam acontecido em março com a Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM). A Tronox, que é uma empresa americana, tenta diversificar a operação para terras raras com uma nova frente de negócio. Um memorando de entendimento não vinculante para formalizar a possibilidade da parceria chegou a ser discutido, mas não foi concretizado.
A Tronox já conta com apoio financeiro importante para desenvolver sua cadeia de elementos de terras raras. No ano passado, a companhia recebeu cartas de apoio para financiamento de até R$ 3 bilhões de agências de crédito à exportação dos EUA e da Austrália, como parte do acordo firmado entre os dois países para fortalecer o fornecimento e o processamento desses materiais.
Listada na Bolsa de Nova York, a Tronox se apresenta como a maior produtora de dióxido de titânio do mundo. No Brasil, opera em Mataraca, na Paraíba, e Camaçari. Globalmente, atua também nos EUA, França, Holanda, África do Sul, Arábia Saudita e Austrália, e tem escritórios na Índia, em Singapura, na Coreia do Sul e na Índia.
A ideia seria uma sociedade da CBPM com uma “empresa americana” para a transferência de tecnologia para extração e processamento de terras raras no Estado, onde o órgão é titular de mais de 60 áreas com ocorrência do grupo de minerais.
Atualmente, a Tronox aguarda decisão do departamento de Defesa Comercial (Decom) sobre a manutenção de medidas antidumping contra importações chinesas de dióxido de titânio. A reversão da medida diminuiria a competitividade da empresa em seu principal negócio no país. A Tronox poderia estar aguardando maior “conforto” para o negócio de dióxido de titânio antes de reacelerar planos em outras frentes.
O processamento local de minerais críticos como terras raras é de interesse do governo federal, mas é uma das etapas mais complexas e caras na cadeia desse grupo de elementos. Atualmente, o processo está quase todo concentrado na China e a possibilidade de uma fábrica no Brasil poderia ser uma moeda de troca na negociação com os Estados Unidos.
A mineradora australiana Brazilian Rare Earths (BRE) também desenvolve projeto de terras raras no Recôncavo sul da Bahia, e fechou parceria, neste caso com a francesa Carester, para ter acesso a tecnologias de processamento para a futura planta da companhia.
A CBPM negou as negociações com a Tronox, mas afirmou que busca a agregação de valor com a transferência de tecnologia e a verticalização da cadeia produtiva de terras raras na Bahia.