terça, 07 de julho de 2026
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BAHIA LIDERA NÚMERO DE EMPRESAS INADIMPLENTES NO NORDESTE; VEJA RANKING

Victoria Isabel - 07/07/2026 19:00 - Atualizado 07/07/2026

Em maio, a região Nordeste registrou 1.186.339 empresas inadimplentes, segundo dados do Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian, primeira e maior datatech do Brasil. Ao todo, foram contabilizadas 6.370.670 dívidas negativadas, que somaram cerca de R$ 19,4 bilhões no período.

Entre os estados, a Bahia concentrou o maior número de empresas negativadas, com 328.055 CNPJs inadimplentes, seguida por Pernambuco (214.259) e Ceará (191.840). Em termos financeiros, o Rio Grande do Norte registrou a maior dívida média por empresa da região (R$ 22.030,02), enquanto o mesmo estado apresentou também o maior ticket médio (R$ 3.507,43).

Cenário nacional

Na visão nacional, o número de negócios brasileiros negativados manteve patamar recorde em maio de 2026, com mais de 9 milhões. No período, o volume de dívidas negativadas chegou a R$ 229,9 bilhões. Em média, cada CNPJ inadimplente acumulou sete contas em atraso, com dívida média de R$ 25.494,08 e ticket médio de R$ 3.515,52.

A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, explica que o resultado de maio reforça uma mudança importante na dinâmica da inadimplência empresarial. “O dado chama atenção não apenas pela manutenção da inadimplência em um patamar recorde, mas também pelo avanço do volume financeiro das dívidas. Isso mostra que o desafio das empresas não está apenas em evitar a negativação, mas principalmente em conseguir reduzir o passivo acumulado. Em um contexto de crédito ainda restritivo, juros elevados e desaceleração da atividade econômica, muitas empresas enfrentam dificuldades para recompor caixa, administrar o capital de giro e recuperar sua capacidade financeira”, afirma.

Setores inadimplentes e perfil das dívidas

Do total de empresas que estavam negativadas em maio, 55,6% eram do setor de “Serviços”. Na sequência apareceram aquelas do “Comércio” (32,3%), “Indústria” (8,1%) e do setor “Primário” (0,9%).

Camila complementa que “até recentemente, a principal pressão vinha da estrutura de custos e das condições de financiamento. Agora, começamos a observar também um ambiente menos favorável para a geração de receita. Esse é um ponto importante porque a desaceleração da atividade econômica tende a reduzir o faturamento justamente em um momento em que as empresas ainda convivem com níveis elevados de endividamento. Isso ajuda a explicar por que o processo de regularização financeira continua lento e desafiador”.

Em relação à origem das dívidas, o maior peso ficou com o segmento de “Serviços” (31,5%), seguido por “Bancos/Cartões” (19,5%). Na sequência apareceram “Cooperativas” (8,6%), “Utilities” (6,9%) e “Telefonia” (5,7%).

“Quando observamos a composição das dívidas, percebemos que a maior parte da inadimplência empresarial não está concentrada no sistema financeiro. Isso mostra que muitas empresas enfrentam dificuldades para administrar o conjunto de compromissos necessários à manutenção da operação e do capital de giro. Em um ambiente de crédito mais restritivo, reorganizar esses passivos se torna mais difícil, o que contribui para a permanência de um estoque elevado de dívidas”, explica Camila.

 

Imagem de Jens Neumann por Pixabay

 

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