

A economia de Sergipe é a bola da vez na economia nordestina e a Bahia tem a oportunidade de uma maior articulação com seu vizinho, que tem uma população de 2,3 milhões de habitantes e um PIB que cresceu mais de 3% em 2025.
Sergipe vai ser a bola da vez por causa do projeto Sergipe Águas Profunda (Seap I), aprovado pela Petrobras esta semana e que prevê a exploração e produção de petróleo na Bacia Sergipe-Alagoas. Com isso, está garantido um investimento de R$ 60 bilhões, que prevê a construção de duas plataformas, para a produção de mais de 1 milhão de barris de petróleo a partir de 2030.
No fim do ano passado, foi iniciado o processo de contratação para construção de dois navios-plataforma que terão capacidade instalada para produzir até 240 mil barris de óleo por dia e processar 22 milhões de m3 de gás natural. Também serão construídos e interligados 32 poços, além de um gasoduto de escoamento com cerca de 134 quilômetros de extensão.
Será uma revolução na economia sergipana e vai repercutir economicamente na Bahia. Com a exploração de petróleo, Sergipe será o maior lócus de investimento no Nordeste. E a relação entre a economia baiana e a sergipana é de integração e complementaridade, com oportunidade de negócios em vários setores.
Sergipe está se consolidando como um polo relevante de produção de petróleo e, sobretudo, de gás natural e a interface com a Bahia, cuja economia tem foco em petróleo e gás, no refino e na petroquímica, é total. E existe a produção sergipana de fertilizantes, que representa outro elo com a Bahia, especialmente no agronegócio. Forma-se, assim, uma cadeia integrada de energia–indústria–agro, que aumenta o já forte potencial de escala do segmento.
A articulação com a Bahia se estende ao agronegócio, pois a produção agrícola sergipana vem crescendo, especialmente em produtos como milho, cana-de-açúcar, laranja, coco, manga, leite e outros, e já se estrutura como agronegócio. Entre 2019 e 2025, as exportações sergipanas cresceram 300%.
Claro, a Bahia, está num estágio mais avançado, o agronegócio é altamente mecanizado, integrado a cadeias globais e com forte base tecnológica, mas há pontos de contato, não só nos fertilizantes mas no fato do agronegócio sergipano ter custos potencialmente menores e uma base produtiva em expansão. A integração pode ocorrer tanto na produção quanto no processamento e na logística, criando cadeias agroindustriais regionais mais robustas.
E existem outros segmentos. O setor imobiliário, por exemplo, já reflete a revolução econômica viabilizada pela exploração de petróleo, e vem crescendo exponencialmente. Os lançamentos de imóveis em Aracaju, entre 2023 e 2024, cresceram 106%, o maior incremento no Brasil.
Além disso, temos o eixo Aracaju–Salvador, curto, natural e subexplorado. Em várias regiões do mundo, uma distância como essa já teria produzido um corredor econômico estruturado, com fluxos intensos de mercadorias, serviços e investimentos.
Aracaju concentra a maior parte da atividade econômica em Sergipe, com forte presença do setor público, mas com expansão de vários segmentos, inclusive tornando-se a base operacional da indústria energética. O setor de serviços cresceu quase 5% em 2025. E novamente há uma inter relação complementar entre as duas cidades, abrindo espaço para uma integração mais densa e produtiva, em várias áreas
Em toda essa potencialidade, a infraestrutura é o elo frágil. É preciso viabilizar um corredor econômico estruturado. A ligação rodoviária existe, mas carece de maior eficiência logística; não há integração ferroviária; e os sistemas portuários operam sem coordenação estratégica. Isso ainda impede que o eixo Bahia – Sergipe seja mais efetivo e que o eixo Aracaju–Salvador funcione como um verdadeiro sistema urbano integrado.
De todo modo as possibilidades de integração são enormes. E, já não há qualquer dúvida: a exploração de petróleo em Sergipe terá o mesmo impacto modernizador que teve na Bahia nos anos 50. Será uma revolução econômica e a Bahia tem tudo para se articular com ela.
BAHIA: LÍDER EM ENERGIA RENOVÁVEL
A Bahia lidera a geração de energia eólica no país, respondendo por cerca de 37% da produção nacional em 2025. O estado conta com 381 usinas em operação e potência outorgada de 11,8 GW, com investimentos estimados em R$ 77 bilhões e geração de aproximadamente 118 mil empregos em toda a cadeia produtiva. Somente em janeiro de 2026, foram gerados 2.498 GWh, volume suficiente para atender milhões de residências. Em energia solar, a Bahia também lidera a geração, mas no Nordeste, possuindo 101 usinas em operação e potência outorgada de 2,97 gigabytes. As informações são da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE).
Publicado no jornal A Tarde em 16/04/2026