quarta, 11 de março de 2026
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CPI DO SENADO APROVA QUEBRAS DE SIGILO E CONVOCAÇÕES EM INVESTIGAÇÃO SOBRE PCC E BANCO MASTER

VICTOR OLIVEIRA - 11/03/2026 14:42

A CPI do Crime Organizado do Senado aprovou nesta quarta-feira (11) mais de 20 requerimentos que incluem quebras de sigilo bancário, fiscal e telefônico, além de convocações e pedidos de informações. As medidas fazem parte da investigação sobre possíveis conexões entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e operações no mercado financeiro da Avenida Faria Lima, em São Paulo.

Entre os focos da comissão está o entorno do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Os parlamentares analisam a atuação de um grupo chamado “A Turma”, apontado nas investigações como uma estrutura de comunicação utilizada por aliados do empresário para monitorar e intimidar críticos e adversários.

Um dos alvos das medidas foi Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”. Ele teve os sigilos bancário, fiscal e telefônico quebrados após ter sido preso pela Polícia Federal do Brasil na semana passada. Segundo as investigações, ele seria aliado de Vorcaro. A comissão também solicitou informações sobre o caso ao Supremo Tribunal Federal.

Outro convocado para depor foi Fabiano Campos Zettel, cunhado do dono do Banco Master. De acordo com o senador Humberto Costa (PT-PE), investigações da Operação Carbono Oculto apontam que Zettel teria relações financeiras com a Reag Investimentos e com o próprio Banco Master, instituições que estariam no centro das apurações.

Convocações no Banco Central

A CPI também decidiu convocar dois ex-integrantes do Banco Central do Brasil: Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização, e Bellini Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária. Ambos foram afastados de suas funções.

Segundo Humberto Costa, relatórios da Polícia Federal indicam que os dois teriam atuado como consultores informais de Daniel Vorcaro durante o processo de aquisição do antigo Banco Máxima, posteriormente rebatizado como Banco Master, além de repassarem informações internas sobre operações conduzidas pela autoridade monetária.

Outro alvo da comissão foi a empresa Varajo Consultoria, ligada ao banqueiro. O responsável pela empresa, Leonardo Augusto Furtado Palhares, também foi convocado para prestar esclarecimentos.

Investigação sobre lavagem de dinheiro

Parte das decisões da CPI mira investigados citados na Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, que apura um esquema de lavagem de dinheiro associado ao PCC.

Entre eles está Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”. Ele é suspeito de administrar distribuidoras de combustíveis usadas para movimentar recursos da facção criminosa. A comissão determinou a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico.

Segundo Humberto Costa, o esquema investigado teria movimentado cerca de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, utilizando uma rede de postos de combustíveis e fundos de investimento para ocultar a origem dos recursos.

Outro investigado atingido pelas medidas é Mohamad Hussein Mourad, apontado como um dos principais operadores do sistema de lavagem de dinheiro e que teria conexões com o Banco Master.

Também tiveram os sigilos quebrados o empresário Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos, e Danilo Berndt Trent, apontado como sócio oculto da empresa. A Precisa já havia sido citada em investigações sobre irregularidades na negociação de vacinas durante a pandemia.

Grupo usado para intimidar adversários

As investigações da CPI também avançam sobre o grupo “A Turma”. Segundo apurações, integrantes da rede teriam discutido até a simulação de um assalto contra o jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo, após a publicação de reportagens consideradas desfavoráveis ao banqueiro.

A comissão aprovou a convocação de Ana Cláudia Queiroz de Paiva, apontada como responsável por intermediar pagamentos destinados a manter as atividades do grupo.

Além disso, os senadores determinaram a quebra de sigilos de Marilson Roseno da Silva, escrivão aposentado da Polícia Federal que foi preso preventivamente e é apontado como um dos principais operadores da estrutura.

Empresas ligadas ao Banco Master também entraram no radar da comissão, entre elas a King Participações Imobiliárias e a King Motors Locação de Veículos.

Segundo o relator da CPI, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), dados divulgados pela imprensa e informações da Operação Compliance Zero indicam que autoridades da República podem ter utilizado aeronaves particulares ligadas ao grupo investigado.

A CPI também aprovou convite para que o empresário Vladimir Timerman preste depoimento. Ele afirma ter denunciado irregularidades envolvendo o Banco Master nos últimos anos.

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

 

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