OS CANDIDATOS PRECISAM FALAR DE ECONOMIA – ARMANDO AVENA

OS CANDIDATOS PRECISAM FALAR DE ECONOMIA - ARMANDO AVENA

O Brasil está à beira de uma crise econômica grave. A inflação nos últimos doze meses atingiu 12% em abril e, mesmo com os juros nas alturas, a expectativa do mercado é que atinja 8% em 2022, o dobro da meta. A taxa de juros Selic teve ontem seu décimo aumento atingindo 12,75% ao ano. Os juros escorchantes ainda vão demorar para baixar a inflação, mas vão agir rapidamente no sentido de mergulhar o país na recessão nos próximos meses.

A taxa de desemprego está em 11%, o que significa mais de 12 milhões de desempregados e os índices trimestrais de crescimento do PIB são pífios, como não podia deixar de ser, com taxas de juros que reduzem a demanda e tornam o crédito proibitivo desestimulado o consumo e o investimento. Para completar, a situação fiscal que parecia boa, começa a se deteriorar, com os pacotes de bondades pré-eleitorais sancionados e com a renúncia fiscal de R$ 43 bilhões assumida pelo governo, o que promete gerar uma bomba fiscal para o próximo presidente da República.

Apesar disso, os candidatos mais bem colocados na corrida eleitoral passam ao largo da questão econômica. Bolsonaro age como se a questão econômica não fosse problema seu, nem do seu governo e gasta seu tempo criando crises com o Poder Judiciário e pondo em dúvida um processo eleitoral que há 25 anos não registra fraude e, inclusive, apuraram os votos que o elegeram presidente. As questões econômicas não estão sendo enfrentadas, como o problema dos combustíveis cuja única ação de Bolsonaro é a demissão reiterada de presidentes da Petrobras, causando enorme alvoroço, mas mantendo a mesma política de preços.

O governo já deveria ter apresentado uma proposta de criação de um fundo de estabilização de preços, como ocorre em outros países, e também apresentado as medidas com as quais pretende enfrentar a crise econômica, dar início a queda nos juros e manter ou acabar com o teto de gastos. O Ministro Paulo Guedes que deveria estar dando as linhas da política econômica simplesmente desapareceu e hoje está completamente desacreditado no mercado.

O ex-presidente Lula, por outro lado, tem criticado a situação econômica do país, mas não apresentou ainda suas propostas para o setor e também está passando ao largo de questões essenciais como o teto dos gatos, que ele afirma que vai acabar mas não diz como, ou o problema dos aumentos nos combustíveis que não pode ser resolvido apenas afirmando que a Petrobras tem de cotar a gasolina em reais, quando a empresa atua no mercado internacional e não pode fazer isso sem quebrar os cofres públicos.

O eleitor brasileiro não pode mais ser engabelado por discursos diversionistas que mascaram os grandes problemas da nação. O brasileiro comum quer respostas que possam apontar soluções, afinal a crise e o desemprego não se resolvem com arroubos e bravatas.

                                                AUMENTO NO JUROS

Aumentar os juros é a forma de conter a espiral inflacionária. O objetivo é reduzir a demanda e tirar dinheiro de circulação para fazer refluir os preços. Parte da inflação atual foi causada por excesso de dinheiro na economia resultante da pandemia, mas outra parte foi resultante do choque de oferta por causa da guerra na Ucrânia e que fez explodir os preços de combustíveis, das commodities, dos fretes e de toda a cadeia produtiva. Para enfrentar isso não basta aumentar os juros, é preciso uma política de amortecimento dos aumentos nos combustíveis, a busca de novos parceiros comerciais, uma política de fretes mais racional, etc. O governo tem de fazer política econômica.

                                                COMPLEXO DE SAÚDE

No último domingo foi inaugurado o hospital da rede Mater Dei, um hospital de grande porte que vai ampliar a oferta de serviços médicos. A inauguração se insere num movimento que está ampliando aquilo que os economistas chamam Complexo Econômico-Industrial da Saúde da Bahia. Na verdade, a saúde transformou-se em uma cadeia produtiva e responde por 7% do Produto Interno do Estado (dados de 2018), com o setor privado sendo responsável por 3,5%. O setor de saúde está entre os 6 setores mais importantes do PIB baiano, um mercado em expansão, e não é por outro motivo que grandes grupos nacionais estão vindo investir na Bahia, construindo hospitais ou assumindo o controle de hospitais locais.