ENTREVISTA COM JOÃO ZARATINE, SÓCIO FUNDADOR DA LEVE, FALANDO SOBRE INVESTIMENTOS COM O DÉCIMO TERCEIRO

ENTREVISTA COM JOÃO ZARATINE, SÓCIO FUNDADOR DA LEVE, FALANDO SOBRE INVESTIMENTOS COM O DÉCIMO TERCEIRO

Por: João Paulo Almeida

Bahia Econômica – Qual o impacto do 13° para a economia no Brasil?

João Zaratine – Segundo dados do Dieese, cerca de 83 milhões de brasileiros terão direito ao benefício do 13° em 2021. Isso deve injetar na economia brasileira mais de R$ 232 bilhões. Ou seja, a entrada desse dinheiro extra deixará o cenário superaquecido. Além disso, com as compras de fim de ano, isso poderá oferecer um fôlego ao setor do comércio que enfrenta dificuldades nessa retomada

Bahia Econômica – Quais dicas dar para quem vai receber o benefício em 2021?

João Zaratine – Se você tem algum empréstimo ou financiamento em andamento, provavelmente a forma mais inteligente de uso desse dinheiro é quitar ou pagar parcialmente esse crédito. Aqui eu falo “provavelmente” pois existem alguns tipos de empréstimos ou financiamentos que possuem juros muito baixos e não valem a pena ser quitados, como é o caso de muitos financiamentos imobiliários. E aí, se você não tiver dívidas, o primeiro passo seria formar uma reserva para emergências (algo como 4 a 6x o seu custo de vida mensal). Caso você já tenha uma reserva de emergência, uma boa ideia é fazer um planejamento de como usar esse dinheiro para investir em objetivos de médio e longo prazo, como, por exemplo, fazer uma viagem ou adquirir um bem, ou se aposentar mais cedo.

Bahia Econômica – O consumidor brasileiro tem criado o hábito de investir esses recursos extras que entram?

João Zaratine – Essa renda extra pode abrir várias portas, portanto, a primeira coisa é evitar usá-la para pagar custos mensais. O momento ainda pede cautela. Em 2020, aprendemos que tudo pode mudar em uma fração de segundos. Por isso, é cada vez mais importante a construção de uma reserva de emergência capaz de suprir os seus gastos fixos por 4 ou 6 meses. O ideal é alocar esse valor em um investimento de baixo risco e liquidez imediata, como é o caso do Tesouro Direto e das aplicações de CDI. No caso de pessoas que já possuem a reserva, aí sim podem fazer planos de investimentos para seus objetivos de médio e de curto prazo.

Bahia Econômica – Quais ativos você recomendaria para quem está organizado financeiramente e esses recursos do 13° estão destinados a investir?

João Zaratine – Longo prazo:

  • Fundos de investimento: multimercados, ações, previdenciários.

Títulos de crédito privado: buscar opções com vencimentos longos (a partir de 3 anos).

Alguns exemplos:

  • CDBs indexados ao CDI, com remuneração acima de 130% desse benchmark .
  • LCIs e LCAs indexados ao IPCA, com juros reais acima de 4%. Não possuem incidência

de IR e cumprem a função de proteger contra a inflação.

Reserva de emergência: buscar ativos conservadores, com bastante liquidez e pouco

voláteis.

  • Tesouro Selic e conta remunerada Nubank, com remuneração de 100% do CDI.

Bahia Econômica – Quais ativos não recomendaria para quem está organizado financeiramente e esses recursos do 13° estão destinados a investir?

João Zaratine – Evitar grande exposição em ativos muito voláteis, como criptomoedas e ações de empresas com baixa liquidez. Cuidado também com os falsos investimentos. Títulos de capitalização e consórcio não são investimentos, e devem ser evitados. Fundos de investimento de renda fixa com alta taxa de administração são muito comuns, e apresentam péssima rentabilidade.

Foto: divulgação