JOSÉ MACIEL – PERSPECTIVAS FAVORÁVEIS PARA AS EXPORTAÇÕES DO AGRONEGÓCIO BRASILEIRO

JOSÉ MACIEL - PERSPECTIVAS  FAVORÁVEIS PARA AS EXPORTAÇÕES DO  AGRONEGÓCIO BRASILEIRO
O agro brasileiro tem exportado algo em torno de 100 bilhões de dólares anualmente, representando  uma fatia entre 40% e 50% das exportações totais do país , e gerado um saldo comercial setorial anual superior a 85 bilhões de dólares. Em 2020, o complexo soja  (grão, farelo e óleo) foi o principal produto da pauta de exportação da agropecuária,  com uma receita cambial de 35 bilhões de dólares e vendas de 101 milhões de toneladas.
O complexo carnes ocupou a segunda posição  nessa pauta , com 17 bilhões de dólares , com a carne bovina participando de   uma fatia de 49% desse subtotal; as vendas de carne de frango  participaram com 35% deste segmento  (5,9 bilhões de dólares de receitas) e as de carne suína alcançaram o montante de 2,25 bilhões de dólares.
Embora posicionado no terceiro lugar  na  produção mundial de alimentos e fibras, atrás da China e dos EUA, o Brasil já é o segundo maior exportador do agronegócio global, tornando o setor um dos motores da economia nacional. O país  é o maior exportador mundial de soja, de carne bovina , de carne de frango, milho, açúcar, , celulose, suco de laranja e café, e ocupa a segunda posição no ranking exportador de algodão, sendo superado apenas  pelos EUA.
Essa marca de 100 bilhões de dólares citada  no primeiro parágrafo está prestes a ser superada em 2021, segundo previsões de Marcus Jank, professor do INSPER, que projeta um acréscimo de 20%, elevando as exportações setoriais para 120 bilhões este ano, com a perspectiva de obtenção de um saldo comercial do setor de pelo menos 100 bilhões de dólares. Essa expectativa é o resultado da combinação de alguns fatores favoráveis, como  o real  desvalorizado e a demanda aquecida na China e em outros países asiáticos, além da disparada dos preços das commodities agrícolas no mercado internacional.
Cabe especular que esses números podem aumentar consistentemente nos próximos anos , por conta de alguns fatores, como a possibilidade de incremento das vendas externas de carne bovina, em face da possível obtenção em breve do status de país livre de febre aftosa sem vacinação; e a maior diversificação da pauta, por exemplo , no universo da fruticultura, com negociações exitosas e em curso para exportações de melão, abacate e mamão, dentre outros itens, este último favorecido pelos esforços de pesquisas dos Estados produtores, como Espírito Santo, Bahia e Rio Grande do Norte,  sobretudo relacionados aos programas de produção de mamão livre dos riscos da mosca-das-frutas, importante barreira sanitária erguida historicamente pelos Estados Unidos.
Existem ainda algumas possibilidades no universo de produtos não tradicionais. A esse respeito, é importante citar  dados de uma matéria da revista Dinheiro Rural, de março-junho deste ano, segundo os quais o Brasil internalizou uma receita cambial de 70 milhões de dólares com as  vendas externas de gergelim , em 2020 ( as quantidades vendidas passaram de 3 mil toneladas em 2018 para  72 mil toneladas em 2020). Mel , castanha-do-Pará , sementes e outros itens podem  também gerar receitas de exportação não desprezíveis nos próximos anos, segundo a matéria citada acima, fortalecendo e diversificando a nossa pauta exportadora do agronegócio.
(1) Consultor Legislativo e doutor em Economia pela USP. E-mail:  jose.macielsantos@hotmail.com