ENTREVISTA – DEPUTADO ESTADUAL ROBINSON ALMEIDA

ENTREVISTA - DEPUTADO ESTADUAL ROBINSON ALMEIDA

Por: João Paulo Almeida 

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Bahia Econômica – A venda da refinaria Landupho Alves foi tema de investigação do TCU e de uma ação popular. O senhor também realizou uma audiência publica para debater o tema na ALBA. A venda da refinaria por um valor abaixo do previsto pode ser cancelada?

Robinson Almeida –  A venda da refinaria Landupho Alves precisa ser esclarecida pela Petrobrás. O valor era de Três bilhões e foi vendida por um bilhão e meio um pouco mais. Existem alguns pontos nebulosos nessa venda que precisam ser esclarecidos pela empresa. O maior norte da indústria da Bahia vai para iniciativa privada por um valor muito abaixo do previsto e não se debate isso. O TCU entrou com investigação e também tem uma ação popular correndo. Nós trouxemos o tema para ALBA e agora vamos continuar tentando colher informações para entender o que aconteceu

BE- Ainda sobre a venda da refinaria, hoje em dia, a Petrobrás não tem mais no refino a sua principal atividade. Boa parte das atividades da estatal foram para o pré-sal. Com a refinaria perdendo espaço no mercado não seria melhor entregar ela a iniciativa privada? 

RA- Essa questão precisa ser analisada da seguinte forma. O Brasil não deveria ter o petróleo bruto e exportar para depois comprar o petróleo e seus derivados refinados de outros países com uma refinaria aqui no país. Essa politica de hoje não pode continuar, ela é muito cara. Então eu acho que a solução não é a privatização e sim a recuperação dos processos como na época do governo Lula, onde a refinaria refinava o petróleo. O que não pode acontecer é apenas entregar um bem do nosso estado para a iniciativa privada, numa venda nebulosa, por um valor abaixo do preço, para um fundo que não garante nada, apenas por que a Petrobrás quer trabalhar com pré-sal. Sou contra a privatização da refinaria.

BE- O Presidente Jair Bolsonaro está falando que em 2022 se não tiver voto impresso não tem eleição. Chegou a falar que o Brasil é a única “republiqueta” que ainda tem urna eletrônica. Qual a chance de ter voto impresso em 2022?

RA- Nenhuma. Essa é mais uma manobra do presidente para desviar o foco da sua gestão e da CPI da Covid. Nós sabemos a legalidade do voto eletrônico que já existe a mais de 5 eleições e nunca houve se quer nenhuma denúncia comprovada de fraude dos votos. O que ele quer é desviar o foco. Nós sabemos que não existe a menor possibilidade de voto impresso  para eleições do ano que vem. O voto eletrônico é seguro.

BE- Ainda sobre privatizações a oposição tem se mostrado bastante contraria a privatização da Petrobrás, porém aqui na Bahia, o governador Rui Costa anunciou recentemente que o Palácio Rio Branco vai ser entregue a iniciativa privada. Além do Palácio falasse muito da privatização da embasa. Como o senhor avalia essas questões? 

RA- São duas coisas completamente diferentes A Petrobrás é a maior empresa do Brasil, o Palácio é um prédio em Salvador que vai para iniciativa privada, para alavancar o turismo no estado. Não podemos perder esse foco. Eu repito. Sou contra a privatização da Petrobrás. Sou contra passar nossas riquezas para a iniciativa privada. Agora sobre a Embasa, eu lhe digo que também sou contra a privatização. Ela presta um serviço essencial para população, não tem concorrente, é sozinha, então ficaria muito difícil passar um serviço desse para iniciativa privada. O que precisa ser feito é fazer ela crescer e prestar um serviço cada vez melhor, mas através do governo e não da iniciativa privada

BE- Sobre a CPI da covid como o senhor avalia essas semanas?

RA – A Comissão tem feito seu papel. Convocado as pessoas mais importantes para falar e ouvido os ministros da saúde que estão diretamente ligados ao tema. O problema é que o governo está tentando atrapalhar o processo pedindo a convocação de pessoas que não irão contribuir em nada nessa CPI como o secretário de Saúde da Bahia Fábio Villas Boas. O Foco da CPI é encontrar os responsáveis pelos mais de 400 mil mortes pela pandemia no Brasil. Se quiserem eu digo quem é. O presidente Jair Bolsonaro e sua gestão.

BE- Ainda sobre a CPI, como o senhor avalia a possibilidade de convocação de secretários estaduais e governadores para depor?

RA- Mais uma tentativa do presidente Jair Bolsonaro de tirar o foco do real problema. Não irá acontecer. Não existem elementos suficientes para que essa CPI possa convocar os secretários de saúde para falar. O foco vai ser encontrar o que tem acontecidos com a gestão do governo federal na pandemia. E com certeza vamos mostrar que o presidente e sua turma estão cometendo vários equívocos

BE- Na Bahia houve um caso onde o governo estadual comprou alguns respiradores e não recebeu. O senhor não acha que seria adequado essa investigação? 

RA- Ela está acontecendo. O governo vai atrás das pessoas ligadas as empresas que participaram dessa intermediação e eu espero que todas sejam punidas. Nós acreditamos que esse recurso vai voltar para o estado. O que eu critico é essa investigação passar para a espera federal, sendo que ela já estava acontecendo na esfera local com algumas pessoas já presas e alguns fatos sendo descobertos

BE- Sobre o programa de redução de jornadas e salários como o senhor avalia a medida do governo?

RA – Necessária para manutenção dos empregos. Ela tem que ser temporária , mas necessária. O congresso tem feito o que pode para manter os empregos e essa é mais uma medida que visa estabilizar os custos do empresário que precisou fechar as portas durante  a pandemia. Essa e as outras medidas também, de crédito de liberação de FGTS, de auxilio emergencial, que em minha opinião deveria ser de R$ 600 reais novamente, pois é isso que vai movimentar a economia, todas essas medidas são necessárias no país que vice uma crise causada pela covid-19

Foto: divulgação