ENTREVISTA COM CARLOS MARDEN, PRESIDENTE DO SINDICATO DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO DA BAHIA – SINDUSCON-BA

ENTREVISTA COM CARLOS MARDEN, PRESIDENTE DO SINDICATO DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO DA BAHIA – SINDUSCON-BA

Por: João Paulo Almeida 

Bahia Econômica – A construção Civil vive um momento bom na Bahia nesse período de recuperação da economia. Como o senhor avalia o atual cenário do setor?

Carlos Marden – Nos últimos meses, o empresariado da construção tem manifestado uma nova confiança no mercado. Os dois componentes do indicador de confiança – o Índice de Situação Atual e o Índice de Expectativas já superaram muito o patamar que se encontravam em fevereiro, o que significa que a confiança setorial se recuperou impulsionada pela percepção mais favorável, tanto em relação ao ambiente de negócios em curso, quanto na percepção de continuidade do crescimento dos negócios atualmente antevista para o próximo ano.

BE- Qual a expectativa do setor para o ano de 2021?

CM – A expectativa do nosso setor, sobretudo da incorporação imobiliária nesse período pós-pandemia, é de retomada firme de negócios prenunciando crescimento para a partir de 2021, devido principalmente à queda da Selic e por consequência dos juros que estão sendo praticados no financiamento imobiliário, os quais nunca foram tão baixos, o que permite o acesso de um novo patamar de adquirentes, que antes não tinham rendas familiares que satisfizessem condições de obter tal financiamento.

No tocante às obras públicas de infraestrutura, registramos que estão todas tendo a sua devida continuidade, e para a partir do próximo ano esperamos contar com a implementação de importantes projetos sejam de concessões ou PPPs, como da FIOL, do VLTMonotrilho, ligando do Comércio até a Ilha de São João, em Simões Filho,além de significativas e novas intervenções urbanas, anunciadas pela Prefeitura em complementação ao sistema do BRT, nas áreas do Iguatemi e Av. Tancredo Neves, etc.

BE- Como o senhor avalia a geração de empregos do setor na Bahia em 2020?

CM – Finalmente, o aumento do ritmo da nossa atividade também está se refletindo no mercado de trabalho formal. Conforme dados do último CAGED divulgado (setembro 2020), verifica-se em nosso Estado, que o saldo líquido mensal (admitidos menos desligados) que em abril, no topo da pandemia, registrava a perda de 5.887 postos de trabalho; Felizmente as admissões desde maio têm superado as demissões, e, gradativamente sendo reduzida esta perda, em julho já se registrou números positivos no referido saldo de empregos, representando uma sequência virtuosa no saldo mensal, visto que, agora em setembro já constatamos que dito saldo líquido ficou positivo em 4.305 novos empregos, percebendo-se a franca recuperação dos postos de trabalho então sacrificados.

BE- Como o senhor avalia as medidas do governo para ajudar a economia e a construção civil na pandemia?

CM – Em 2020, graças ao reconhecimento da construção civil como atividade essencial, e aqui na Bahia, pelo discernimento do governo estadual e da grande maioria dos municipais, não sofremos interrupção das obras públicas ou privadas, o que mostrou-se fundamental para continuarmos sendo impulsionadores de nossa economia.

BE- Na Bahia está tendo aumento de preços nos produtos da construção civil. Como o senhor avalia esse cenário?

CM – Com a firme retomada das atividades do nosso setor, surgiram novas limitações, destacando-se a alta dos preços e a escassez dos materiais. Já a partir de junho, passamos a verificar continuados aumentos nos insumos básicos da construção (cimento, aço, resinas plásticas e PVC, fios de cobre, alumínio e vidros), os quais produzidos no Brasil, por oligopólios, em alguns casos, estão nos sujeitando ao desabastecimento.

Agora em outubro, o INCC-M registrou aumento expressivo da cesta de Materiais e Equipamentos da construção, registrando variação de 13,77% em 12 meses, o que foi a maior taxa desde fevereiro de 2009.

No contexto do desabastecimento, poderemos sofrer até paralisações de obras, tanto do setor público (notadamente na área de infraestrutura), como no setor privado de edificações. Consequentemente, o prazo de entrega das obras em geral, terminará sendo impactado inevitavelmente. E mesmo os preços das unidades imobiliárias poderão sofrer um reajuste, num segundo momento, caso a situação não se altere.

Foto: divulgação