ENTREVISTA – RENATO EZEQUIEL PRESIDENTE DO SINDICATO DOS COMERCIARIOS DE SALVADOR

ENTREVISTA - RENATO EZEQUIEL PRESIDENTE DO SINDICATO DOS COMERCIARIOS DE SALVADOR

Por: João Paulo Almeida 

BE: O comércio tem sido um dos segmentos mais prejudicados pela quarentena. Existem setores que estimam um nível de fechamento de lojas chegando a 50% no período pós pandemia. Na sua opinião qual será o principal impacto do isolamento social no comércio?

RE- Com certeza, o comércio do setor lojista tem sofrido o maior desgaste em relação ao setor produtivo, mas não seria tão pessimista com fechamento de 50% das lojas pós pandemia. Eu acredito que a crise pegou todos de surpresa e nesse momento é preciso se unir para evitar uma colapso ainda maior no segmento que mais emprega na Bahia.

BE- O setor de serviços/comércio sempre foi um dos que mais empregam na Bahia e no Brasil. Na sua opinião qual será o principal impacto do isolamento social para geração de empregos e demissões no comércio no período pós pandemia?

RE- Esse tem sido um momento drástico na vida dos trabalhadores no comercio e serviços, com redução de salários e o pior as demissões. O governo federal tem tomado medidas que ferem a constituição e isso vem desde do período de Temer na presidência da república. Perdemos espaço, perdemos direitos e estamos caminhando para mais perdas devido a pandemia.

BE- Como o senhor avalia as medidas do governo federal como liberação de crédito e isenção de pagamentos como forma de sustentar o comércio nesse período de portas fechadas?

RE- Nesse momento seria muito importante para dá fôlego as pequenas e médias empresas, que são as maiores geradoras de empregos, mas infelizmente só está no papel. Precisamos de ações mais enérgicas por parte dos governantes para evitar um colapso no setor. Liberação de credito e suspensão do pagamento de contas são algumas ações muito importantes nessa hora.

BE- Em meio à pandemia existem setores do comércio como supermercados que apresentaram alta. Na sua opinião, faltou criatividade de alguns comerciantes para se reinventar nesse período de quarentena?

RE – Não acredito na falta de criatividade, o que faltou foi a comunicação entre o estado, município, MP, Sindilojas, Fecomércio , CDL e sindicato, tudo foi feito através de decreto. Isso é uma imposição que não deveria mais acontecer , mas infelizmente nossas instituições não tiveram a habilidade necessária para chegar até o governo federal e negociar

BE- Qual a sua expectativa para o resultado final do comércio no ano de 2020?

RE – Acredito se houver um entendimento do setor público, empresários e sindicato, para o comércio reabrir de forma preventiva tenho certeza que o comércio irá finalizar 2020 de forma mais aliviada. Precisamos apostar nisso e acrescentar a importância da economia nessa crise na saúde.

Foto: divulgação