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ADARY OLIVEIRA- OS TEMPOS MODERNOS

Redação - 13/04/2020 07:00

O avanço a velocidades antes inimagináveis e as novas situações impostas pela vida cotidiana têm contribuído para o uso de novas tecnologias de modo ultra delirante. Nos anos 80 eu participava do Conselho de Administração da Carbomafra, empresa paranaense fabricante de carvão ativo. A matéria prima usada era única: nó do pinheiro araucária, abundante no Paraná. Certa feita, estive em Pittsburg (USA) a procura de associação de aposentados que tinha entre seus membros um técnico especialista em carvão ativo. Mr. Davis foi contratado e foi a Curitiba para uma reunião com técnicos da empresa para responder perguntas relacionadas ao processo produtivo. O resultado foi deveras espetacular. Para citar um exemplo da força de seus serviços, lembro-me de que a Carbomafra não conseguia especificar o carvão ativo usado pela Ajinomoto na clarificação da solução, que após cristalização, resultava num sal branquíssimo e fino. O conselho de Mr. Davis foi simples e determinante: abaixe o pH da solução.
Noutra feita, ainda nos anos 80, eu era dirigente de uma companhia fabricante de PVC com unidades em três estados: São Paulo, Bahia e Alagoas. Reunimos técnicos de produção e escolhemos dez problemas do processamento manufatureiro, que se resolvidos proporcionariam aumento considerável de produtividade. Um colaborador nissei que falava bem japonês e inglês fora escolhido para passar um ano no Japão onde, em uma das fábricas de um dos acionistas da empresa, cedente da tecnologia usada na produção industrial, procuraria identificar a solução mais adequada para os problemas. Não se precisa falar do sucesso da iniciativa. As informações colhidas eram transmitidas por telex.
Hoje em dia, passados cerca de 40 anos, não seria mais necessário a visita do Mr. Davis nem a ida do técnico nissei ao Japão, nem tão pouco reuniões presenciais e transmissões por telex. As comunicações via Internet e as vídeo conferências, incrivelmente menos dispendiosas e de maior eficiência, aperfeiçoam-se e progridem espantosamente. Nestes dias que o coronavírus nos isolou em casa e nos fez fazer maior uso de nossos home offices, o empregos das novas técnicas de comunicação afloraram e passaram a contribuir para o aprimoramento dos serviços à distância, principalmente dos mais idosos, aconselhados a permanecerem entre quatro paredes.
Nas minhas atividades de consultoria tenho participado de teleconferências com a presença simultânea de mais de uma dezena de pessoas de seis cidades (Aracaju, Laranjeiras, Camaçari, Candeias, Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo) com excelentes resultados. Como são usados termos muito técnicos as reuniões são secretariadas por uma engenheira. Além das imagens dos participantes o texto da ata aparece na tela dos computadores, smartphones e tablets, permitindo a sua imediata correção, acréscimos e comentários. Só consigo usar uma palavra para definir tudo isso: sensacional.
Nestes tempos de confinamento, além das reflexões, convívio familiar e ilações filosóficas, nos são oferecidas novas oportunidades de aprimoramento dos trabalhos, absorção de novas tecnologias e ingresso num ambiente novo e universal. O uso do inglês como idioma comum, a troca rápida de informações e a convivência com os mais moços de qualquer parte do planeta, estão tornando o mundo pequeno e menos diverso no que toca ao conhecimento. Com certeza o novo vírus será destruído com a invenção de uma nova vacina, fármaco ou medicamento. A produção em larga escala, a difusão da informação e o aperfeiçoamento do processo de fabricação não vão demorar de surgir. Prevalecerão o conhecimento, a informação e a troca de experiências.
E pensar que esta evolução só está começando. Os progressos da telemedicina, o ensino à distância, a nanotecnologia, as descobertas espaciais, a micro eletrônica, a mecânica de precisão, as sínteses químicas, as hidrólises enzimáticas, a inteligência artificial, a robótica e tantas outras novidades que estão por vir, manterão o mundo em permanente transformação. Pena que na economia, na política e nas formas de governo não se identifique novos caminhos, que como na ciência, conduzam a todos para ambiente onde prevaleça a paz.
Adary Oliveira é engenheiro químico e professor (Dr.) – [email protected]

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