As manchas de óleo que sujam as praias da Bahia e do Nordeste se constituem em um ataque frontal a uma das principais atividades econômicas do Estado e da região Nordeste. O turismo na Bahia e em Salvador tem como maior atrativo as praias e se elas estão contaminadas a redução no número de turistas que planejavam visitar nosso Estado será imediato. Não vamos esquecer que estamos às vésperas do verão e que este é o momento de alta temporada do turismo baiano e que muitas empresas em vários segmentos investiram na expectativa de, após anos de recessão, obter resultados com aquele que parecia ser o melhor período turístico dos últimos anos. Por isso, é preciso que as lideranças políticas e empresariais da Bahia e do Nordeste mostrem ao governo federal sua responsabilidade nesse evento e passem a exigir que ações sejam tomadas para recuperar as perdas e evitar um mal maior.
As manchas de petróleo cru já atingiram os principais destinos turísticos do estado e praias famosas em Salvador, Praia do Forte e em todo Litoral Norte foram atingidas e ameaçam a Baia de Todos-os-Santos e, a depender da ação dos poderes públicos, o impacto desse desastre ecológico no turismo baiano será significativo. Por isso, o poder público em todas as suas esferas e a sociedade baiana tem de se mobilizar para evitar que o desastre no mar se transforme em um desastre na economia. A mobilização já existe tanto no sentido da limpeza das praias quanto no monitoramento do desastre. No sábado, houve uma reunião com a participação do governador em exercício, João Leão, e representantes do Ibama, Marinha, Exército e outros órgãos para traçar diretrizes de combate à chegada de óleo nas praias e nesta segunda-feira, o governador assina um decreto estadual de emergência para viabilizar a liberação de recursos para os municípios atingidos por manchas de óleo no litoral.
Mas é preciso fazer muito mais. É preciso estabelecer diretrizes de apoio aos segmentos turísticos que serão afetados e, ao mesmo tempo, responsabilizar o governo federal pelo acidente, já que o monitoramento das águas e o transporte de óleo no litoral brasileiro é sua responsabilidade. É preciso também exigir do governo Federal que recursos sejam alocados para os Estados e municípios atingidos e que outras medidas visando apoiar o turismo nessas localidades sejam efetivadas. (Armando Avena 14/10/2019)