ARMANDO AVENA: O MELHOR CARNAVAL DO BRASIL

ARMANDO AVENA: O MELHOR CARNAVAL DO BRASIL

No desfile dos carnavais do Brasil houve um vencedor incontestável: o carnaval de Salvador. Em todos os quesitos – animação, diversidade, segurança, inovação e gestão – o carnaval de Salvador foi destaque. As comparações são sempre ruins, mas não há como comparar os blocos que se multiplicam nas ruas do Rio e São Paulo, com o que acontece em Salvador, afinal, o que se vê por lá são milhares de pessoas amontoadas em volta de uma única atração e o que une essas pessoas não é o som que ninguém ouve, mas apenas a animação ou a vontade de estar em Salvador, onde milhares de pessoas também estão amontoadas, mas em volta de dezenas de trios e de atrações que se sucedem ao longos dos dias e dos circuitos. E neste carnaval, Salvador teve dez no quesito participação, pois o folião pipoca tomou de volta o espaço público e assim os trios sem cordas predominaram.

Nada contra os blocos que ainda perseveram no modelo antigo, mas “a praça é do povo, como o céu é do condor”. Os blocos de corda provavelmente permanecerão, mas seu caráter será outro, pois se antes – quando serviam de proteção contra a violência – eram o espaço que permitia aos turistas e a classe média brincar, hoje – com a redução da violência no circuito – estão transformando-se em agremiações, espécie de clubes que reúnem fãs deste ou daquele artista e quem tem interesses e gostos comuns. O fato é que turistas e classe média não precisam mais pagar para brincar na rua e é isso que está fazendo minguar o mercado de blocos de corda, além, é claro,  dos camarotes que fazem concorrência, pois  milhares de pessoas preferem apenas assistir o carnaval e suas atrações. E, se além dos artistas que empolgam a multidão, os blocos afros – aqueles que criam coreografias na avenida – ampliarem sua participação no cortejo, haverá mais o que se ver dos camarotes e eles vão atrair mais foliões.

É verdade que o circuito Osmar precisa ser repensado e não ficar tão dependente do poder público e aí é preciso criatividade e inovação e novamente o desfile dos blocos afro pode ser uma solução. Vale lembrar que a inovação é a chave para o sucesso no carnaval, tanto no setor privado quanto no setor público. A criação do Fuzuê, um palco para as manifestações culturais da Bahia, do Furdunço e do Pipoco, por exemplo,  terminaram por gerar um espaço econômico e turístico novo, que atrai milhares de turistas num período em que as passagens e os hotéis são mais acessíveis e, ao mesmo tempo, representam um esquente para o carnaval que está chegando. No setor privado, o carnavalito na Arena Fonte Nova, o carnaval náutico visto das embarcações, o Buzafan do cantor Gerônimo e outras iniciativas comprovam que o futuro do carnaval passa pela inovação e pela originalidade.

As mudanças que ocorreram no carnaval de Salvador tem por trás todo um planejamento e uma análise do que é a festa e de como potencializar seu impacto na economia, no turismo e no emprego e os aplausos por esse trabalho devem ir para o Prefeito ACM Neto e sua equipe que estão criando novos produtos e organizando e inovando a folia. Aqui, registre-se a organização da festa, a padronização dos ambulantes, os fiscais que não deixam o circuito travar, e a expertise  da Polícia Militar da Bahia que garante segurança, mesmo com 2 milhões de pessoas na rua. Ainda assim há desafios, como o estrangulamento do transito na Av. Centenário e a buscade  alternativas para o circuito Osmar. Mas a verdade é que no desfile de carnavais do Brasil, o palco da Marquês de Sapucaí teve nota 6, a festa meio morna do Recife não passou de 7,5 e  os blocos desarrumados e sem som desfilando em toda parte no Rio e São Paulo mal alcançaram a nota 8. Já o carnaval de Salvador teve 10 em todos os quesitos e ganhou o título de melhor carnaval do Brasil.

                                                      AUSÊNCIA NA AVENIDA

A ausência do tradicional camarote do governo do Estado no Carnaval causou estranheza e  a explicação não convenceu. Falou-se em economia de recursos, mas o governo  afirmou ter gasto R$ 90 milhões com a festa, assim, suprimir o camarote seria uma economia de palito. O governo é responsável por vários serviços essenciais, como a segurança pública, e por várias atrações contratadas para o circuito e o governador Rui Costa, que praticamente não participou do evento e apenas acompanhou a saída do Olodum na sexta-feira, no Pelourinho, poderia ter colhido os aplausos pelo trabalho. O episódio não foi bem explicado, já que a economia com a não montagem do camarote foi pequena para o desgaste da ausência do governo e do governador  na principal festa do calendário de eventos da Bahia.

                                                  O QUE É ISSO, PRESIDENTE?

 Poucas vezes se viu um Presidente da República gastar seu enorme capital político com questões tão irrelevantes. Primeiro, a demissão rotineira de um ministro, que acabou virando um imbróglio familiar. Depois, um vídeo escatológico, que passaria despercebido e deveria ser objeto apenas da página policial, torna-se questão nacional e invade as manchetes de jornais do mundo inteiro, porque a maior autoridade da nação resolveu postá-lo na sua rede social. A toda hora, o presidente volta-se para questões polêmicas relacionadas com os costumes, como se quisesse assumir a liderança de uma cruzada moralista, função que não está prevista constitucionalmente nas atribuições do Presidente da República. Três meses já se passaram, a economia brasileira continua patinando, 12 milhões de brasileiros continuam desempregados, enquanto o presidente parece mais preocupado com a religião de cada brasileiro, com a roupa azul ou rosa que ele veste e com o que cada um faz com o seu próprio corpo.

                                                   SALVADOR INDUSTRIAL

 Quando se fala da economia de Salvador, todo mundo lembra imediatamente do turismo e dos serviços. Mas deveriam lembrar-se também da indústria. O município de Salvador é o 20o maior PIB industrial do país, maior do que todos os municípios do Nordeste, com exceção de Camaçari, que ocupa o 12o lugar, e de Fortaleza que aparece em 15o no ranking. O PIB do setor industrial soteropolitano é 30% maior que o de Recife e quase do tamanho de São Bernardo do Campo no ABC paulista.  Os dados são do IBGE e referem-se a 2016.

                                                  PIB DO TURISMO

O turismo está em alta e indagam-me sobre sua participação no PIB da Bahia. Apresso-me em dizer que esse número não existe, pois o PIB do turismo, que deveria incluir vários itens como transporte, alimentação, alojamento, comércio, etc não é calculado. O cálculo mais aproximado é aquele referente a Serviços de Alojamento e Alimentação que, em 2017, atingiu o montante de R$ 7 bilhões, ou cerca de 3% do PIB da Bahia. Os dados são da SEI – Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.