A. OLIVEIRA: LIVROS… LIVROS À MÃO CHEIA…

A. OLIVEIRA:  LIVROS... LIVROS À MÃO CHEIA...

 

“Livros… livros à mão cheia… E manda o povo pensar! O livro caindo n′alma É germe —que faz a palma, É chuva — que faz o mar”. Assim se expressou o nosso poeta maior Antonio de Castro Alves no seu poema “O livro e a América” dedicado “Ao Grêmio Literário” e publicado em Espumas Flutuantes em 1867.

O cenário das eleições para Presidente da República, Governadores de Estado, Senadores e Deputados, não tirou o fôlego dos escritores baianos que brindaram os conterrâneos de Castro Alves, no último semestre do ano, com o lançamento de pelo menos cinco livros. Alguns deles já foram lidos e relidos e se constituem em verdadeiras pérolas da nossa literatura.

“Maria Madalena – O Evangelho Segundo Maria”, de Armando Avena, de sabor bíblico, é o brado das mulheres mais próximas de Jesus, duas Marias: a mãe e a companheira Madalena. Segundo Hugo Almeida, que escreveu a orelha do livro, alternam-se no romance essas duas vozes. Sentimentos contraditórios (medo, arrependimento e resignação) tomam conta de Maria, diante da missão de ser mãe do Messias. Ela coloca em dúvida os desígnios de Deus. Maria Madalena, chamada por Jesus de “minha discípula amada”, rege boa parte do livro. A exemplo da Maria Mãe, ela luta para fazer de Jesus o defensor das mulheres, num mundo que as discrimina.

“Raízes: a contribuição portuguesa na formação da cultura brasileira”, de Noélio Dantaslé Spinola, é um livro que segundo seu prefaciador, o saudoso professor Edivaldo Machado Boaventura, responde à questão problema: “até que ponto e em que medida elementos relevantes da cultura e da tradição portuguesas se transplantaram no longo processo de globalização contribuindo para a formação da cultura brasileira?”. Noélio viajou por 26 cidades portuguesas e descobriu coisas impressionantes, inclusive que os africanos e índios, da época do descobrimento, não conheciam nem o sal nem o açúcar, hoje da nossa culinária. Dos animais que foram introduzidos, os índios gostaram muito dos cavalos, mas os de suas preferências eram os cachorros. Tinham medo das galinhas.

No Salão Nobre do Palácio da Associação Comercial da Bahia, que no dia 10 de fevereiro de 1871 serviu de palco para Castro Alves recitar pela última vez, foram lançados dois livros. Em novembro será lançado o terceiro, completando a messe dos cinco deste final de ano. O primeiro deles, “Mundo empresarial – lições e reflexões”, de minha autoria, é uma coletânea de artigos publicados em periódicos de Salvador durante nove anos, com temas agrupados em desenvolvimento regional, petróleo e gás natural, políticas públicas, lições e diversos, retratando o dia a dia dos empresários na luta constante pela sobrevivência e perpetuação de seus negócios.

O segundo, “Como governar um estado, o caso da Bahia”, de Joaci Góes, prefaciado pelo professor João Eurico Matta, propicia acesso aos dados de pesquisa mais recentes sobre a agricultura, a pecuária e a urbanização nas regiões, nos territórios e nos municípios, ensinando sobre decisões dos governos. Segundo Matta “o livro é pioneiro e prodigioso porque acumula e oferece uma enorme gama de ensinamentos e conselhos para decisões do governo estadual e de governos de todos e cada um dos 417 municípios da Bahia, no corrente ano de 2018”.

“Páginas vividas”, de Antonio Carlos Nogueira Reis, será lançado na ACB no dia 22 de novembro deste ano, a partir das 18 horas. O livro seria prefaciado por Edivaldo Boaventura falecido recentemente. No lugar do Prefácio aparecerá a inscrição “insubstituível”. Nogueira Reis nos brinda, na primeira parte do livro, com memórias da sua trajetória de vida, retratando o percurso de sucesso do valoroso profissional e amigo que é. Na segunda parte enriquece o livro com crônicas da vida.

O livro, mesmo nos tempos digitais, continua sendo um perfeito instrumento da difusão da cultura e do pensamento. Aqui na Bahia continuamos a seguir nosso poeta que acreditava ser o livro um audaz guerreiro, capaz de conquistar o mundo inteiro.

Adary Oliveira é presidente da Associação Comercial da Bahia – adary347@gmail.com

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