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ADARY OLIVEIRA – O QUE FAZER PARA NÃO SE ENVOLVER COM AS GUERRAS

Redação - 06/04/2026 05:00

Da altura dos meus 84 anos posso dar conselhos, supondo que os mais jovens ainda devam ouvir os conselhos dos mais velhos, como se dizia antigamente. Não que os mais velhos tenham mais saber, mas são mais experientes e procuram agir com mais cuidado para não sair por aí entrando em fria atoa. De qualquer maneira esse é um tema muito relevante e importante no atual cenário geopolítico. A posição do Brasil em relação a conflitos internacionais e guerras pode ser influenciada por vários fatores. Coloco-me na posição de apresentar algumas reflexões  sobre o que o Brasil pode fazer para se manter neutro e afastado de enredos bélicos.

Em primeiro lugar, o Brasil deve manter uma política externa independente continuando a promover a diplomacia, participando como mediador em negociações de paz e resolução de conflitos. Deve também prestar, sempre que possível, a colaboração multilateral, fortalecendo a atuação em organismos internacionais, como a ONU, OEA e OMC, ajudando a criar soluções pacíficas e duradouras para os conflitos.

Segundo, deve internamente promover o desenvolvimento sustentável. A melhor receita para isso é reforçar o investimento em educação e saúde. Ao focar no desenvolvimento interno, o Brasil pode aumentar seu prestígio internacional sem se envolver em conflitos. Um país forte economicamente é menos propenso a entrar em guerras. Adicione-se a isso a criação de programas que promovam a proteção ambiental e o desenvolvimento sustentável, o que pode melhorar as relações com outros países que compartilham esses objetivos.

Não deve deixar para segundo plano o fortalecimento da defesa nacional. Capacitar as Forças Armadas mantendo uma defesa forte, mas defensiva, focando em proteção territorial e segurança interna, sem se envolver em guerras externas. Vale a pena estabelecer parcerias estratégicas, pois os acordos de cooperação em defesa com outras nações podem ajudar a manter a segurança sem comprometer a neutralidade. Embora o crescimento das organizações criminais ainda não ameace a defesa nacional, elas não podem deixar de ser consideradas uma perigo latente. Isso tem criado um clima de insegurança interna e trazido intranquilidade para as famílias. Mais ainda, não deve ingressar no clube dos fabricantes de armamentos, dos que procuram aumentar a riqueza manufaturando meios de destruição.

Igualmente, é importante a aprimoração da integração regional. Dar maior apoio a países vizinhos participando de iniciativas que promovam a estabilidade e a paz na América Latina, como o MERCOSUL, evitando o espaço para influências externas que podem levar a conflitos.

Outro conselho de elevado valor é o engajamento em ações humanitárias, como o apoio a refugiados e deslocados. Quando possível, oferecer ajuda humanitária e abrigos para refugiados. Isso melhora a imagem do Brasil internacionalmente e pode aliviar tensões.

Embora aqui na Bahia se diga que conselho e água benta só se dá a quem pede, não posso deixar de acrescentar um último conselho. Evite alinhamentos ideológicos extremados. O Brasil deve evitar se alinhar excessivamente a blocos ideológicos, mantendo relações comerciais e diplomáticas com várias partes do mundo.

Conquanto estejamos geograficamente distantes dessas guerras de agora não ficamos livres de sermos atingidos aqui por alguns danos para nossa economia. De fato, somos autossuficientes na produção de petróleo, mas não somos no refino, o que nos obriga a fazer importação de alguns derivados do petróleo, principalmente gasolina e óleo diesel. Isso tem gerado algumas preocupações relacionadas com os preços nas bombas, inclusive deixando de lado o problema maior que o do desabastecimento. Especialistas tem advertido que estamos importando gasolina dos Estados Unidos e óleo diesel da Rússia. Eles poderão reduzir o fornecimento se tiverem de atender em maior quantidade a Europa e a China, respectivamente, tidos como clientes preferenciais.

A abordagem do Brasil deve ser focada na construção de um ambiente de paz e segurança, tanto internamente quanto no cenário internacional. A neutralidade ativa, juntamente com ações proativas em diplomacia e economia, contribuirá para que o Brasil permaneça fora dos conflitos atuais e futuros. A ideologia não deve ser o elemento que norteei nossos relacionamentos com o exterior, países que assim procedem teimam em querer implantar um sistema econômico que não deu certo.

Adary Oliveira é engenheiro químico e professor (Dr.)

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