

Por que o brasileiro está se endividando e o Brasil registra uma alta taxa de inadimplência? Por que um país cujo PIB cresceu 2,4% em 2025, teve a menor taxa de desemprego da história, e uma inflação abaixo do teto da meta, registra esse nível de endividamento?
A resposta é simples: juros, juros e juros, que se constituem no maior problema econômico do Brasil.
Em 2025, a taxa básica de juros no Brasil foi de 15% ao ano, para uma inflação que ficou abaixo do teto da meta. O remédio também é usado nos Estados Unidos e em outros países, mas no Brasil a dosagem é cinco vezes maior.
E, além disso, o Brasil tem o maior spread do mundo, que alimenta o super lucro dos bancos. Imagine aquele leitor que não conseguiu pagar o gasto total do seu cartão de crédito no mês e foi obrigado a parcelar o pagamento.
A taxa Selic é de 15% ao ano, mas ele vai pagar 15% ao mês, o que significa uma taxa de juros de 430% ao ano, que é a taxa cobrada num financiamento no cartão de crédito. Taxas nesse montante não existem em nenhum país do mundo.
Mas não foi aprovada uma lei determinando que a dívida total do cartão não poderia ultrapassar 100% do valor original? Sim, mas essa lei foi para inglês ver. Usando o famoso jeitinho brasileiro, a lei não limitou o juro que o banco cobra, mas apenas o tamanho da dívida. Resultado, como o banco cobra juros de agiota, em cinco ou seis meses a dívida bate no limite, dobra e vem a trava. Imediatamente, os bancos migram o cliente que bateu no teto para o crédito pessoal e cobram os mesmo juros altos e tarifas e encargos adicionais.
Mas a maioria da população é tão pobre que não tem cartão ou acesso ao crédito, diria o leitor. Ledo engano! Outra lei, típica do Brasil, criou as fintechs, com o objetivo de democratizar o sistema bancário, reduzir custos, ampliar a concorrência e baratear o crédito. Foi uma nova engabelação.
Milhares de fintechs foram criadas e a população pobre teve acesso a contas digitais, cartões de crédito e serviços financeiros antes inacessíveis. Mas os juros que essas fintechs passaram a aplicar continuaram a ser os mesmos juros extorsivos do sistema bancário tradicional e elas, as fintechs, se integraram ao próprio sistema que pretendiam desafiar.
Resultado: o endividamento da população pobre. Milhões de brasileiros, que antes estavam fora do sistema, passaram a ter acesso a linhas de crédito, na maioria das vezes sem lastro de renda. Em outras palavras: a inclusão financeira ampliou o endividamento estrutural. Pessoas que antes não pagavam juros, porque não tinham acesso ao cartão de crédito, passaram a pagar, e a pagar caro. O sistema não apenas incorporou novos consumidores, ele incorporou novos devedores.
E então apareceu o crédito consignado para oferecer juros mais baixos, garantidos pelo desconto direto em folha. Mas mudou para continuar igual. Os juros permaneceram altos, mesmo com o custo mínimo de implantação e a inadimplência é quase zero, já que a parcela é descontada no contracheque.
Por causa disso, os brasileiros passaram a comprometer parcelas da renda futura de forma automática e contínua, o que incentivou a contratação sucessiva de novos empréstimos. Transformou-se uma ferramenta de crédito em mecanismo de aprisionamento da renda, ampliando o endividamento estrutural e mantendo taxas relativamente altas.
Taxa de juro alto, spreads escorchantes, fintechs em profusão, crédito consignado correndo solto, tudo isso tornou crônico o endividamento das famílias brasileiras. E não é um problema comportamental ou de educação financeira é, na verdade, uma armadilha do sistema financeiro. E, assim, as famílias ficam estranguladas financeiramente, o consumo fragilizado e a economia cresce menos do que poderia.
O Brasil é o país dos bancos e entre as dez maiores receitas registradas em 2025, cinco eram de instituições bancárias, a ponto de Nubank e Itaú estarem disputando com a Petrobras o posto de empresa mais valorizada na Bolsa de Valores.
O Brasil precisa de uma reforma financeira para tirar os brasileiros das garras dos bancos e fintechs.
HOSPEDAGEM NO SÃO JOÃO
O valor da hospedagem em hotéis e em casas por temporada nas cidades do interior da Bahia dispararam. Em Lençóis, por exemplo, os melhores hotéis chegam a cobrar diárias da ordem de 200 euros, semelhantes a um bom hotel em Paris. Em Mucugê, cuja oferta é menor, nem se fala e em outras cidades o movimento é o mesmo. É a famosa lei da oferta de da procura que está fazendo os preços se elevarem. Mas essa lei tem um contraponto. Sempre que o preço sobe muito, o consumidor vai em busca de um produto substituto. Assim, muita gente muda o destino da viagem, ou fica em Salvador, que tem um bom São João, especialmente no Pelourinho.