A Petrobras não prevê, no curto prazo, um novo aumento no preço do diesel, apesar das oscilações no mercado internacional provocadas pelo cenário geopolítico. A informação foi confirmada por fontes da companhia com conhecimento das discussões internas.
Segundo relatos, a estratégia da estatal é evitar repassar automaticamente ao consumidor brasileiro as variações externas, especialmente em momentos de instabilidade. A política busca equilibrar os interesses dos acionistas com a proteção do mercado interno.
“Não há nada previsto para os próximos dias”, afirmou uma das fontes. Outra destacou que a empresa acompanha constantemente o cenário, mas sem adotar ajustes imediatos a cada oscilação. A diretriz atual é considerar uma média de preços ao longo do tempo, em vez de reagir a picos momentâneos.
A volatilidade recente foi influenciada por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o adiamento de uma possível ação militar contra o Irã. A sinalização impactou diretamente o preço do petróleo tipo Brent, que chegou a cair mais de 10% durante o dia.
No último dia 14 de março, a Petrobras havia anunciado um reajuste de 11,6% no diesel, movimento que ocorreu após medidas do governo federal para conter os impactos da alta do petróleo, incluindo mudanças tributárias e subsídios ao combustível.
Apesar disso, agentes do setor avaliam que ainda existe defasagem em relação aos preços internacionais, o que pode dificultar importações — responsáveis por cerca de 25% do consumo nacional.
A ANP, por sua vez, alertou recentemente para um cenário de “risco excepcional” no abastecimento, citando redução das importações, aumento da demanda e dificuldades na recomposição de estoques.
Internamente, a Petrobras afirma estar operando com alta capacidade em suas refinarias, atendendo cerca de 70% do mercado interno, enquanto o restante é suprido por agentes privados.
Nesta semana, o Confaz deve discutir a possibilidade de redução do ICMS sobre combustíveis, medida que pode aliviar os preços ao consumidor, embora ainda enfrente resistência política.
A estatal reforça que seguirá monitorando o mercado, mantendo a política de preços baseada em uma visão de longo prazo, mesmo diante das pressões externas.