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ADARY OLIVEIRA – EXPERIÊNCIAS BEM-SUCEDIDAS DA CHUVA ARTIFICIAL

Redação - 23/03/2026 08:00

Durante 12 anos, de 1994 a 2006, dediquei-me a administrar uma fazenda da família localizada no município de Lajedinho, na Bahia, em pleno semiárido nordestino. Levava no pensamento a preocupação com a seca e a primeira providência que tomei foi a de instalação de um pluviômetro. Construí um poço tubular perfurando 154 m com bom resultado e fiz outras experiências. As anotações do pluviômetro, que mantenho arquivadas em meu PC, mostraram as seguintes constatações para esses 12 anos: a) 1996 foi o ano de menor precipitação pluviométrica com 184 mm e 1999 o de maior precipitação com 920 mm, mostrando quão irregular é a chuva do sertão; b) Todos os anos choveu em março e novembro, mostrando uma regularidade; quando chovia pouco em março se podia esperar um ano de seca, como em 1996 que choveu apenas 10 mm. Isso me levou a fazer uma pesquisa sobre as experiências bem-sucedidas de chuva artificial, pensando em substituir os aviões por drones especialmente projetados para a injeção de sais nas nuvens e na possibilidade de existir inovações sobre a prática de fazer chover.

A chuva artificial, ou modificação climática, é uma prática que tem ganhado destaque nos últimos anos, especialmente em regiões afetadas pela seca. Com o avanço da tecnologia, vários países têm implementado técnicas para estimular a precipitação, trazendo benefícios significativos para a agricultura, o abastecimento de água e o meio ambiente. A chuva artificial envolve a injeção de partículas como iodeto de prata ou sal de sódio nas nuvens para promover a condensação da umidade. Essa técnica pode aumentar a quantidade de água que cai sobre uma área específica, ajudando a mitigar os efeitos da seca e melhorar a disponibilidade de recursos hídricos. Vamos aos casos de sucesso da pesquisa:

China – Um dos exemplos mais notáveis é o programa de modificação do clima da China. Desde a década de 1950, o país investiu substancialmente em tecnologias de chuva artificial. Em 2020, durante um período de seca severa, o governo chinês lançou uma operação em grande escala que resultou em mais de 100 bilhões de litros de água adicionados à atmosfera, beneficiando colheitas e suprimento de água.

Estados Unidos – Nos EUA, a chuva artificial é frequentemente utilizada em estados como a Califórnia para combater a seca. A Agência Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) realiza estudos sobre a eficácia da modificação do clima, e há relatos de que certas técnicas de semeadura de nuvens podem aumentar a precipitação em até 30%.

Emirados Árabes Unidos – Os Emirados Árabes Unidos têm investido significativamente na pesquisa e implementação de técnicas de chuva artificial devido ao seu clima árido. Em 2021, um programa de estimulação de chuva resultou em mais de 3 bilhões de galões de água adicional, ajudando a aumentar a umidade no deserto e apoiando a agricultura local.

Brasil – No Brasil, a técnica tem sido utilizada em regiões como o Nordeste, onde a seca é um problema constante. Projetos de modificação do clima têm mostrado resultados positivos, aumentando a precipitação em até 40% em algumas áreas, permitindo colheitas mais abundantes e maior disponibilidade de água potável.

São inúmeros os benefícios da chuva artificial e alinho aqui alguns deles: a) A chuva artificial pode ajudar a reabastecer aquíferos e reservatórios; b) As colheitas podem ser mais produtivas, especialmente em regiões com clima adverso; c) A modificação do clima pode ajudar a restaurar ecossistemas que foram afetados por longos períodos de seca.

Os especialistas recomendam que é importante monitorar os efeitos da chuva artificial nos ecossistemas, para evitar possíveis desequilíbrios e que a implementação da chuva artificial deve ser feita de forma cuidadosa, considerando o investimento em tecnologia e as condições climáticas locais.

De qualquer maneira, a chuva artificial representa uma ferramenta valiosa na luta contra a seca e suas consequências. Com experiências bem-sucedidas em vários países, é possível ver o potencial dessa tecnologia para garantir a segurança hídrica e alimentar no futuro. Contudo, é fundamental que haja uma abordagem equilibrada, levando em conta tanto os benefícios quanto os riscos associados. Não faz mal que o assunto seja lembrado e que se pesquise novas técnicas, como os drones que mencionei no início.

Adary Oliveira é engenheiro químico e professor (Dr.)

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