sábado, 14 de março de 2026
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ENTREVISTA COM FABIO BENTES GERENTE DE ANÁLISE ECONÔMICA NA (CNC)

João Paulo - 02/02/2026 05:00

Bahia Econômica – A CNC hoje está participando de um evento muito importante sobre a reforma tributária. Quais são os principais pontos da reforma, em 2026, que o empresário deve ficar atento?

Fábio Bentes – Bom, o empresário deve primeiro se informar sobre o que mudou na tributação do consumo. Quem emite uma nota fiscal, quem vende um produto, um serviço. É importante se informar sobre qual é a nova sistemática de apuração do imposto. Embora a gente perceba que o setor de serviço, setor de comércio, tende a ser mais prejudicado pela reforma tributária do consumo, que já foi aprovada e está sendo implementada agora em 2026, essa implementação vai ocorrer de forma gradual. Então, quanto mais tempo levar para o empresário realizar esse planejamento tributário, mais elevação de carga tributária.

Bahia Econômica – Sobre o novo imposto o IVA ele pode atingir setores de maneira diferente ? 

Fábio Bentes – Cada empresa tem uma realidade diferente. A apuração do imposto, do IVA, o imposto sobre valor agregado, envolve um sistema de débitos e créditos, e cada empresa tem uma realidade diferente. Então, para o empresário do setor de serviços, principalmente, é muito importante ele sentar com o contador e começar a simular como que vai ser essa tributação nos próximos anos. Nesse primeiro momento, esse impacto não vai ser grande, está em uma fase de teste. O cronograma de implementação da reforma tributária começa em 2026 e termina em 2033. Se esse planejamento não for bem feito, lá em 2033, a conta vai ficar bem mais salgada.

Bahia Econômica – Em relação a esse período de transição, existe possibilidade de perdas para as empresas que não estiverem dentro desse planejamento? 

Fábio Bentes –  Existe para as empresas que não entrarem nesse planejamento. Existe possibilidade de perda até para empresas do simples. O simples não acabou, ele continua aí. A tendência é de se tornar desvantajoso daqui pra frente. Uma empresa que não está no Simples, por exemplo, ela gera o crédito tributário ao longo da cadeia na medida em que essas transações foram sendo executadas. Então imagina que você tem um fornecedor que está no Simples, um que não está. O que está no Simples, não vai poder gerar crédito tributário para você, ou seja, mesmo que uma empresa que não está no Simples tenha um preço menos favoráveis do que quem está no Simples, na balança final essa conta pode se inverter. Mais um motivo, mais uma razão pro empresário fazer essas simulações junto com o contador dele, traçando esse cenário de sete anos daqui pra frente até 2033.

Bahia Econômica -Em relação ao turismo especificamente, o turismo também passa por um momento de baixa estação, de alta estação. Existe uma adequação que essa reforma está prevendo para esse tipo de cenários, alterações no mercado, tanto do turismo quanto do comércio?

Fábio Bentes – O turismo é uma atividade bastante sazonal mesmo. Porém boa parte do setor de turismo passou a contar com uma alíquota reduzida. Se digamos que a alíquota seja de 30%, a alíquota de referência, para o setor de hotelaria, para o setor de eventos, essa alíquota vai ser menor, então o impacto tende a ser menor do que outras atividades de serviço. Cada empresário tem que fazer suas contas para tentar se planejar tributariamente para não sacrificar a margem num momento em que a atividade de turismo não tiver o folhego atual, porque economia assim, em um momento isso vai acontecer.

Bahia Econômica – Sobre a manutenção da Selic em 15% feita pelo Banco Central como o senhor observa essa menida ?

Fábio Bentes – Juros muito altos por muito tempo nunca é bom. O Banco Central sinalizou que vai começar a reduzir o jurus na reunião de março. Isso vai aliviar um pouco, não só a tomada de crédito no comércio, mas a tomada de crédito pelos consumidores. A inflação está convergindo lentamente, a verdade, mas ela está convergindo com um patamar menor. Então, essa nossa expectativa de um crescimento de 4% no volume de vendas está baseada na combinação desses fatores para 2026.

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