O debate entre candidatos baianos ao Senado Federal desta terça (30) promovido pelo G1 Bahia teve destaques como privatizações, segurança pública e provocações políticas. Ao questionar o adversário sobre a entrega da Petrobras para a iniciativa privada, o senador Otto Alencar (PSD), que disputa a reeleição, provocou o deputado e candidato ao Senado Cacá Leão (PP) por alinhamento ao governo Bolsonaro ao votar a favor de privatização de estatal.
“Quando o governo encaminhou a privatização da Eletrobras, teve contra o meu voto, mas o candidato Cacá votou a favor”, disse Otto, criticando ainda a tentativa da União de privatizar os Correios por valores entre R$ 1,5 bilhões a R$ 2 bilhões, quando o lucro da estatal foi de R$ 3,7 bilhões.
Em sua resposta, Cacá Leão apontou a existência de uma “máquina inchada” e de órgãos que “perderam suas funções ao longo do tempo” e defendeu a necessidade de modernizar o Estado brasileiro. Apesar disso, ele afirmou que a Petrobras, especificamente, ele é contrário à privatização.
“A gente precisa rever o papel do Estado nessa questão. Claro que a gente não pode prejudicar de forma alguma servidores que trabalham durante anos nessas estatais, mas a gente precisa de um controle sobre tudo que está acontecendo”, disse.
Para Cacá, rever a divisão de lucros é fator essencial para discutir o assunto. “A maioria das ações pertencem ao governo brasileiro, mas os acionistas fazem cálculos e recebem divisões de lucros exorbitantes”, afirma.
Outra questão que não passou despercebida foi a segurança no estado, que vem sendo alvo de debates acerca do aumento dos índices da violência urbana. Questionado sobre o assunto, o candidato Otto Alencar ressaltou os investimentos feitos pelo governador Rui Costa (PT) e culpou o presidente Jair Bolsonaro (PL) pela falta de criminalidade nos estados. “O problema da violência é nacional”, disse.
Ainda de acordo com o Otto, o Governo Federal falha na fiscalização das fronteiras, permitindo a entrada e saída de armas e drogas entre os estados. “Acompanho as dificuldades nesse setor e o governador Rui Costa tem investido contratando policiais e equipamentos. Mas o Governo Bolsonaro não fiscaliza as fronteiras. Sempre votei para endurecer a pena contra criminoso, inclusive acredito que devemos rever o Código Penal. Não tenho compromisso com o crime. O crime é para ser punido nos rigores da lei”, disse.
Apesar de Otto defender o governo Rui e fazer parte da majoritária petista, a candidata do Psol, Tâmara Azevedo disse ser a única representante de esquerda na disputa a uma vaga no Senado pela Bahia. “Sou a única candidata de esquerda, nosso partido é o único que defenda a população baiana”, afirmou.
Na ocasião, ela fez críticas ao senador Otto Alencar (PSD), que como ela também apoia a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o Palácio do Planalto. “O PSD é um partido do centrão. O candidato Otto Alencar, infelizmente, faz parte do centrão, esse mesmo centrão que aportou o orçamento secreto e dá sustentabilidade ao governo Bolsonaro”, afirmou, citando 82 votações em que o senador votou alinhado com o governo federal.
Candidata ao Senado pelo PL baiano, Raíssa Soares chamou atenção por se apresentar como outsider e sem padrinho político durante abertura do debate, apesar dela ser ligada ao presidente Jair Bolsonaro. Em sua fala, Raíssa lembrou de sua atuação na pandemia alinhada ao governo Bolsonaro, disse ser a “voz do povo” na ânsia por mudanças e se colocou como representante das “pessoas comuns, sem histórico político, sem padrinho político”.