segunda, 05 de outubro de 2026
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NOVO SENADO AMPLIA FORÇA DO PL E DEVE PRESSIONAR STF E PRÓXIMO GOVERNO

Bruna Carvalho - 05/10/2026 09:51 - Atualizado 05/10/2026

As eleições deste domingo (4) redesenharam a composição do Senado Federal para a legislatura que começa em 2027 e ampliaram significativamente a presença do PL na Casa. A legenda elegeu 19 dos 54 senadores que estavam em disputa e chegará à próxima legislatura com 28 parlamentares, formando a maior bancada do Senado desde a promulgação da Constituição de 1988.

O resultado fortalece o campo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro e deve aumentar a pressão sobre pautas defendidas pelo bolsonarismo, entre elas o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A nova correlação de forças também terá peso nas negociações para a escolha da Presidência do Senado e na tramitação de projetos de interesse do próximo governo.

Entre os nomes eleitos pelo PL estão Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, pelo Distrito Federal; Gustavo Gayer, por Goiás; Carlos Bolsonaro, por Santa Catarina; além de Carlos Portinho e Carlos Jordy, pelo Rio de Janeiro. O partido também conseguiu eleger os dois senadores de cinco estados: Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia e Santa Catarina.

A composição, porém, não depende apenas dos 54 eleitos neste domingo. O Senado continuará sendo formado por 81 parlamentares, já que 27 senadores eleitos em 2022 permanecem com mandato até 2031. A partir de 2027, portanto, os 54 novos nomes se juntarão aos parlamentares que não participaram da disputa deste ano.

Direita amplia espaço
O avanço do PL se soma à presença de partidos de centro e direita que poderão formar maiorias em votações específicas. Republicanos, União Brasil, PP, PSD e outras legendas terão papel importante na composição das alianças, especialmente porque a maior bancada, embora ampliada, não terá sozinha os votos necessários para aprovar todas as matérias de interesse do campo bolsonarista.

O novo cenário também deverá pesar na disputa pelo comando do Senado, que define, consequentemente, a Presidência do Congresso Nacional. A escolha do próximo presidente da Casa dependerá de negociações entre diferentes bancadas e poderá ser influenciada pela correlação de forças formada após a eleição.

Entre os partidos de esquerda, o PT continuará com presença relevante. A legenda elegeu seis dos 54 novos senadores, incluindo Rui Costa e Jaques Wagner, pela Bahia. Também foram eleitos Marília Campos, por Minas Gerais; Humberto Costa, por Pernambuco; Rogério Carvalho, por Sergipe; e Samanda de Lula, pelo Rio Grande do Norte.

Na Bahia, Rui Costa foi eleito para o primeiro mandato no Senado, enquanto Jaques Wagner foi reeleito. Os dois ocuparão as vagas que estavam em disputa no estado.

Composição terá impacto sobre STF e indicações
A nova composição também terá importância em temas institucionais que dependem da análise do Senado. Cabe à Casa, por exemplo, apreciar indicações para tribunais superiores, para a Procuradoria-Geral da República e para embaixadas, além de exercer outras atribuições previstas na Constituição.

Com uma bancada ampliada do PL e uma direita fortalecida por parlamentares de outras siglas, o resultado cria um ambiente de maior pressão sobre o próximo governo, independentemente de quem vencer a disputa presidencial no segundo turno.

Caso Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seja reeleito, o presidente deverá negociar com um Senado mais alinhado à oposição em temas considerados prioritários pelo governo. Se Flávio Bolsonaro (PL) vencer a disputa presidencial, por outro lado, a composição eleita neste domingo tende a oferecer uma base política mais favorável ao novo governo, embora a formação de maiorias ainda dependa das negociações com outras legendas.

(Correio Braziliense)

Foto: Divulgação

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