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NOVO PLANO LOGÍSTICO COLOCA PETROLINA NO CENTRO DO CORREDOR FERROVIÁRIO E HIDROVIÁRIO

Igor Lima - 14/08/2026 11:33 - Atualizado 14/08/2026

Petrolina ganhou uma posição estratégica no planejamento da infraestrutura logística brasileira com o lançamento do Plano Nacional de Logística 2050 (PNL 2050), apresentado pelo governo federal nesta quarta-feira (12). O documento estabelece diretrizes para investimentos públicos e privados nos transportes até 2050 e coloca o município pernambucano como ponto de integração entre diferentes modais.

O PNL 2050 criou o Eixo Intermodal nº 2 — Hidrovia do São Francisco, que prevê a consolidação da hidrovia no trecho entre Pirapora (MG) e Juazeiro (BA)/Petrolina (PE), além da implantação de terminais portuários em Petrolina. O planejamento também inclui a ampliação da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) entre Salvador e Petrolina e a construção da ligação ferroviária entre Petrolina e Salgueiro.

Na prática, o projeto pode transformar Petrolina em um importante ponto de conexão entre a Hidrovia do São Francisco, a FCA e a Ferrovia Transnordestina. A proposta é permitir que cargas transportadas pelo rio cheguem à cidade e, a partir dos terminais, sejam transferidas para o transporte ferroviário com destino a Salgueiro. De lá, os produtos poderão seguir pelo corredor da Transnordestina em direção ao Porto do Pecém, no Ceará. Caso o trecho entre Salgueiro e Suape seja implantado, também haverá possibilidade de conexão com o complexo portuário pernambucano.

A retomada da navegação comercial pelo São Francisco é outro ponto importante do projeto. Em agosto de 2025, o Ministério de Portos e Aeroportos autorizou a Companhia Docas do Estado da Bahia (Codeba) a realizar estudos técnicos para a reativação da hidrovia. A análise envolve aspectos operacionais, logísticos e regulatórios, além da possibilidade de participação privada na exploração da infraestrutura e da integração com ferrovias e rodovias. A expectativa apresentada é de movimentar até 5 milhões de toneladas de cargas por ano já no primeiro ano de operação comercial.

Um teste realizado em abril de 2026 reforçou o potencial do corredor. Um comboio formado por cinco embarcações saiu de Pirapora e percorreu 1.371 quilômetros pelo São Francisco até a região de Juazeiro e Petrolina. A operação foi acompanhada pela Marinha e serviu para testar a navegabilidade do trecho após mais de uma década sem tráfego comercial regular.

A utilização do transporte hidroviário também pode reduzir a dependência das rodovias. Segundo as informações apresentadas no planejamento, uma operação hidroviária pode substituir o deslocamento de até 1.200 caminhões, com potencial de reduzir custos logísticos, consumo de energia, emissões de carbono e desgaste das estradas.

O novo desenho logístico pode beneficiar especialmente a economia do Vale do São Francisco, região que possui forte produção agrícola irrigada. A conexão entre rio, ferrovia e portos cria possibilidades para ampliar o escoamento de frutas, insumos e outras cargas produzidas no interior do Nordeste, além de facilitar a chegada de produtos vindos de outras regiões do país.

Apesar do potencial, é importante destacar que o PNL 2050 estabelece prioridades e diretrizes, mas não significa que todas as obras serão executadas imediatamente. Os projetos ainda dependem de estudos, definição de investimentos, recursos públicos e privados, licenciamento e cronogramas específicos para sair do planejamento e chegar à fase de execução.

Com a estratégia prevista pelo governo federal, Petrolina passa a ocupar um papel relevante em um corredor logístico que pode conectar o interior do país ao Nordeste por meio de uma combinação de transporte hidroviário, ferroviário e portuário. A expectativa é que essa integração fortaleça a competitividade regional e amplie as alternativas para o transporte de grandes volumes de cargas nas próximas décadas.

foto= Marinha do brasil

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