

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou nesta quarta-feira (12) que a reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi importante para a retomada do diálogo entre o Congresso Nacional e o Palácio do Planalto. Segundo ele, o encontro tratou da relação institucional entre os dois Poderes daqui para frente.
A reunião ocorreu pela manhã, no Palácio da Alvorada, e foi a segunda conversa entre Lula e Alcolumbre em aproximadamente três meses. De acordo com o presidente do Senado, os episódios que provocaram o distanciamento entre ele e o governo nos últimos meses não foram discutidos.
“Calma, foi uma reunião institucional. Conversamos da relação institucional do futuro, não falamos nada do passado”, afirmou Alcolumbre ao ser questionado sobre uma possível reaproximação com o presidente.
O encontro aconteceu em meio a uma tentativa de reconstrução da relação entre o Senado e o governo federal. O diálogo entre Alcolumbre e o Planalto havia sido prejudicado após o Senado rejeitar a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), em uma derrota para o governo Lula.
Apesar da retomada das conversas, Alcolumbre evitou classificar o momento como uma fase de “paz e amor” com o Palácio do Planalto e pediu cautela ao tratar da relação.
“Foi uma reunião institucional muito importante para a democracia, porque o presidente do Congresso precisa ter o diálogo aberto com o presidente do Brasil e esse diálogo foi restabelecido”, declarou.
A retomada da interlocução, no entanto, não resultou na definição de um calendário para a votação da PEC que prevê mudanças na jornada de trabalho e o fim da escala 6×1.
Questionado sobre quando pretende levar a proposta ao plenário do Senado, Alcolumbre respondeu que ainda não há uma data definida. “Não tem calendário”, afirmou.
A falta de previsão ocorre enquanto o governo federal pressiona pela aprovação da medida antes do primeiro turno das eleições. O fim da escala 6×1 é uma das pautas trabalhistas defendidas pelo governo Lula e ganhou espaço no discurso do presidente.
Na terça-feira (11), Lula afirmou nas redes sociais que os trabalhadores não poderiam mais esperar pela aprovação da proposta.
A PEC que trata da jornada de trabalho está entre as matérias de interesse do Executivo que continuam em discussão no Senado. Outra pauta considerada prioritária pelo governo é a PEC da Segurança Pública, que já foi aprovada pela Câmara dos Deputados.
A reunião desta quarta-feira foi articulada para tratar da retomada da agenda de interesse do governo no Congresso. Uma semana antes, Lula e Alcolumbre já haviam participado de uma conversa organizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, com a presença também do ministro Cristiano Zanin.
Após o encontro no Palácio da Alvorada, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que a interlocução entre Lula e Alcolumbre havia sido restabelecida.
Segundo Guimarães, algumas pautas consideradas prioritárias pelo Executivo foram “destravadas”, mas o andamento das propostas dependerá das negociações conduzidas pelo presidente do Senado.
“Agora é pé na estrada, diálogo, conversa para ver o timing de como é que as matérias vão tramitar, porque depende do presidente do Senado”, afirmou o ministro.
A relação entre Alcolumbre e o Planalto passou por meses de tensão após a rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF. A votação representou uma derrota para Lula e contribuiu para o afastamento entre o governo e o comando do Senado.
Com a retomada do diálogo, governo e Congresso voltam a negociar o andamento de propostas consideradas prioritárias pelo Executivo. Alcolumbre afirmou que o diálogo institucional faz parte das atribuições tanto do presidente do Senado quanto do presidente da República.
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