

O primeiro debate entre os candidatos ao governo da Bahia foi bom. Melhor do que se poderia esperar, pois trata-se de uma campanha que ainda está começando. Participaram do debate Jerônimo Rodrigues, do PT, ACM Neto. do União Brasil, e Ronaldo Mansur, do Psol, e, embora o grande embate tenha se dado entre os dois primeiros, o candidato do Psol terminou se destacando também.
No debate, houve propostas, confronto de ideias e discussão sobre problemas reais da Bahia. Saúde, educação, segurança pública, infraestrutura e violência contra a mulher estiveram em pauta.
Mas o debate poderia ter sido melhor. Houve propostas, é verdade, mas elas surgiam sem consistência, pois não se explicava como seriam implementadas e a que custo. Ou seja, não basta dizer ao eleitor o que se pretende fazer. É preciso dizer também como se vai fazer.
ACM Neto, por exemplo, apresentou o programa “Volta por Cima”, com auxílio financeiro por até 24 meses para mulheres vítimas de violência e ações de qualificação profissional. Jerônimo, por sua vez, defendeu uma estratégia que começa na educação, com a formação de professores e o trabalho com crianças para combater o machismo, além da ampliação da estrutura de atendimento no interior. Mas faltou a cada candidato dizer como cada um pretende transformar sua proposta em política pública permanente?
O mesmo ocorreu na segurança pública. Jerônimo apresentou os investimentos feitos pelo governo, citando estrutura, inteligência, tecnologia e recomposição do efetivo por meio de concursos. ACM Neto criticou os resultados da segurança, questionou a estratégia do governo e propôs maior governança no setor. Mas nenhum deles definiu qual será a meta para a redução dos homicídios e os recursos necessários para alcançar essa meta?
Na saúde, a mesma coisa. A discussão sobre regulação, filas e utilização da rede privada poderia ter produzido um debate muito mais profundo sobre a gestão do SUS na Bahia. Por exemplo, o candidato ACM Neto propôs a criação do Pix Saúde, no qual o governo estadual pagaria consultas, exames, tratamentos e cirurgias na rede privada quando o paciente não conseguir atendimento na rede pública dentro de um prazo considerado adequado. Ora, a ideia é boa, mas falta explicar quanto custaria aos cofres estaduais, se todos os pacientes necessitados poderiam ser atendidos e de onde viria o dinheiro. Já o governador Jerônimo Rodrigues garante reduzir a espera, mas é preciso dizer quantos procedimentos estão represados e como isso será feito.
O eleitor baiano não precisa apenas saber o que os candidatos querem fazer. Precisa saber quanto vai custar, quem vai pagar, quem vai executar e quando os resultados poderão ser cobrados.
Na verdade, há uma questão que deveria atravessar todos esses temas e não foi tocada no debate: qual é a situação fiscal da Bahia e qual espaço existe no orçamento para novas despesas? Governar não é apenas estabelecer prioridades. É estabelecer prioridades dentro de um orçamento limitado. Se um candidato está dizendo que tudo é prioritário, ele está dizendo que nada é prioritário.
Por fim, cabe abordar um aspecto. Críticas à administração de Jerônimo são necessárias. Afinal, ele é o governador e precisa prestar contas de quatro anos de governo. Da mesma forma, é legítimo cobrar ACM Neto por sua administração em Salvador e discutir suas realizações e seus resultados. Mas é preciso cuidado para que a crítica à gestão, não se transforme em uma crítica pessoal.
O primeiro debate mostrou que os dois principais candidatos têm o que dizer. Também mostrou que existe uma disputa real sobre os rumos da Bahia. E mostrou que a campanha não vai ser morna, vai ser uma campanha agressiva e queira-se ou não a disputa federal estará presente em todos os momentos e em todos os debates.
A função do debate é essa mesma: colocar projetos diferentes diante do eleitor. Mas é preciso ter propostas fundamentadas para que ele possa escolher não apenas quem parece melhor, mas qual projeto é o melhor para a Bahia. (EP- 10/08/2026)



